Síndrome de abstinência em bebês: causas, sintomas e prevenção

· 8 de janeiro de 2018

O consumo de drogas ilegais e o abuso de drogas receitadas, assim como de álcool e tabaco, pode causar muitos problemas na saúde da mulher grávida e na vida do bebê. Vamos ver porquê isso acontece e como tratar os sintomas de abstinência em bebês.

A síndrome de abstinência em bebês ocorre quando, durante a gravidez, a mãe consome drogas que viciam, sejam prescritas ou ilegais. Isso pode desencadear muitos inconvenientes para a saúde do bebê. Hoje vamos falar sobre os principais efeitos e seus tratamentos.

Causas e sintomas da síndrome de abstinência em bebês

Drogas como anfetaminas, barbitúricos, cocaína, diazepam, maconha ou opiáceos (heroína, metadona, codeína) provocam consequências negativas para a mãe e para o bebê em gestação. O mesmo pode acontecer com drogas de prescrição, quando usadas excessivamente, e com álcool ou tabaco.

A síndrome de abstinência em bebês, também conhecida como Síndrome de Abstinência Neonatal (SAN) é causada quando estas drogas chegam à placenta e, consequentemente, também são transmitidas ao bebê. Isso cria um vício para os dois. Como o bebê deixa de recebê-la ao nascer, pode apresentar um quadro de abstinência pela hiperestimulação do sistema nervoso produzida por essa carência.

A síndrome de abstinência em bebês pode durar de 1 semana a 6 meses e gera distúrbios psicológicos e clínicos.  Os sintomas geralmente apresentados são:

  • Anomalias congênitas.
  • Baixo peso.
  • Irritação, choro excessivo e problemas para dormir.
  • Problemas digestivos (diarreia, vômitos, má alimentação ou lento aumento de peso).
  • Respiração rápida, sudorese ou convulsões.
  • Nascimento prematuro.
  • Perímetro cefálico pequeno.
  • Síndrome de morte súbita do bebê (em casos extremos).
bebê prematuro dormindo

Diagnóstico

A gravidade dos sintomas depende, é claro, do tipo de drogas que a mulher grávida tenha consumido, da quantidade, do período de tempo em que as consumiu e do tempo que o bebê foi afetado por este consumo.

“A síndrome de abstinência em bebês gera distúrbios psicológicos, psicossociais e clínicos”

Para detectar a síndrome de abstinência em bebês a mãe deverá ser consultada sobre os fatores mencionados acima. É necessário que ela seja totalmente honesta ao responder para que o problema possa ser tratado da melhor maneira.

Além disso, pode-se fazer exames de urina na mãe, avaliar os sintomas de acordo com a escala de Finnegan (um sistema de pontuação utilizado para as SAN que atribui pontos de acordo com a gravidade do paciente para determinar seu tratamento) e um exame toxicológico de urina e primeiros movimentos intestinais do bebê.

Tratamento

Com o tratamento ocorre algo semelhante. Dependerá em grande parte do tipo e da quantidade de drogas que a mãe consumiu e do tempo de exposição do bebê.

Na primeira semana, os médicos farão um acompanhamento do estado de saúde do bebê. Eles vão analisar como o bebê dorme, a alimentação, se seu organismo trabalha de forma eficiente e se manifesta algum sintoma de abstinência. Também avaliarão o ganho de peso e o crescimento, assim como a densidade muscular.

Os métodos mais simples para acalmar um bebê com abstinência são propiciar um ambiente tranquilo, balançá-lo suavemente e falar em seu ouvido.

Em uma segunda etapa, pode-se receitar uma droga semelhante a consumida pela mãe durante a gravidez e diminuir a dose aos poucos para que desacostume. Isso não é necessário em 50% dos bebês que sofrem deste transtorno.

Se os sintomas se agravarem, receitam-se drogas como fenobarbital ou clonidina para um tratamento mais extenso e progressivo.

Quanto à alimentação, assunto extremamente delicado nessa idade, são fornecidos ao bebê alimentos com mais calorias para compensar a falta de nutrientes.

Bebê segurando a mão de sua mãe

Números alarmantes sobre a síndrome de abstinência em bebês

66% dos filhos de mulheres que consumiram drogas, álcool ou tabaco durante a maior parte da gravidez ou nas últimas semanas apresentam sintomas da síndrome de abstinência em bebês.

Além disso, pesquisas como a realizada por especialistas da Faculdade de Enfermagem, Fisioterapia e Podologia da Universidade de Sevilha, Espanha, afirmam que na Espanha foi identificado um preocupante aumento do uso de drogas na sociedade atual que não exclui mulheres grávidas. Quase 3% das gestantes consome drogas ilegais.

No Reino Unido, estima-se que de 5 a 10% dos partos foram de mulheres que usaram drogas. Além disso, no Canadá, o abuso de drogas durante a gravidez aumentou de 8,4% para 17,2% até 2010. Nos Estados Unidos, os números são igualmente alarmantes. O percentual foi superior a 7,4% até 2010 em mulheres de 25 anos de idade.

“Na Espanha, 3% das mulheres grávidas consome drogas ilegais”

Prevenção

Embora pareça redundante, a síndrome de abstinência em bebês é evitada exclusivamente mediante o não consumo de drogas pela mãe.

É essencial realizar campanhas de conscientização efetiva para que as mulheres (especialmente as gestantes) conheçam os danos que essa prática pode causar em sua fertilidade e no organismo do seu futuro bebê.

  • Porcel Gálvez Ana María, Ortega Martínez Sandra María, Barrrientos Trigo Sergio, Ferrinho Ferreira Rogerio, Martínez Lara Concepción. Síndrome de abstinencia neonatal: evolución en los últimos diez años. Enferm. glob. 2014. 13(36): 337-351.
  • Zapata Díaz Juan Pablo, Rendón Fonnegra Julián, Berrouet Mejia Marie Claire. Síndrome de abstinencia neonatal: revisión de tema. Pediatr. 2017;50(2):52-57