Diferenças entre o cérebro de uma menina e um menino

6 de novembro de 2016

Os homens são de marte e as mulheres são de vênus é uma frase popularizada por um psicólogo que fez sua fortuna da análise psicológica das diferenças entre os sexos. Se isso fosse literal, “a cegonha” seria obrigada a atravessar todo o universo para levar os recém nascidos até seus lares…

A metáfora serve, porém, para ilustrar o tema de nosso artigo: existem diferenças entre o cérebro de uma menina e o de um menino, e elas determinam seu desenvolvimento físico, psíquico e seu comportamento.

Inclusive antes do nascimento, o menino e a menina vêm com uma série de diferenças hormonais e genéticas que determinam em alto e médio grau particularidades como: tamanho, tipo de cabelo, cor dos olhos, sexo, nível de empatia, habilidades físico-motoras, dentre outras.

A seguir, as distinções encontradas nos diferentes estudos de neurociência que não constituem um dogma, mas sim padrões que ajudarão aos pais e professores a entender sem julgar o porque o menino e a menina agem como agem.

Porém, devemos saber que o cérebro é flexível e está em constante desenvolvimento por isso, no início, os meninos nascem dotados para certas habilidades e as meninas para outras, e ao longo de suas vidas essas diferenças podem se equilibrar.

Diferenças cerebrais: meninos

Estudos determinaram que os meninos tendem a dar seus primeiros passos mais rápido e a lidar com mais sucesso com o espaço que têm. Da mesma forma, seriam mais competentes com jogos que impliquem em encaixar blocos ou construir coisas.

O cérebro do bebê possui altos níveis de testosterona, comparáveis aos de um homem de 25 anos. Esta presença de testosterona é a responsável pela masculinização do cérebro que, em resumo, significa o uso preferencial do hemisfério direito vinculado aos raciocínios lógicos.

Louann Brizendine, doutora em medicina, graduada em neurobiologia, neuropsiquiatria e professora da Harvrd Medical School publicou dois livros explicando as diferenças existentes. Em seus estudos revelou que:

  • Os meninos tendem a se estimular mais rápido que as meninas e, quando se alteram é mais custoso que se acalmem.
  • Os meninos não mantêm um contato visual ou sustentam olhares fixos no rosto das pessoas de forma tão prolongada como as meninas conseguem fazer. Ao invés disso eles mostram mais interesse por objetos em movimento, figuras geométricas, jogos.
  • Parecem interessados pelas brincadeiras mais competitivas do que pelas cooperativas. Assim, preferirão brincar recriando batalhas, jogar futebol ou vídeo game ao invés de brincar na escola ou com um jogo onde haja um “prêmio” ou onde os ganhadores e os perdedores não estejam claramente definidos.
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  • Em um experimento, meninos giraram mentalmente as imagens dos objetos usando os dois lados da área cerebral do movimento espacial situada no lóbulo parietal. Quanto as meninas só usaram uma área do cérebro para desempenhar essa tarefa.
  • Na adolescência os meninos se interessam mais cedo e com mais intensidade pelo sexo, tema no qual parecem concentrar toda a sua atenção. Isso acontece devido aos altos índices de testosterona em seu cérebro.
  • Na adolescência os meninos só se mostram chateados, e isto é devido ao fato de que o centro de recompensa do cérebro trabalha de forma mais lenta e, portanto, os torna mais sensíveis a estímulos.

Diferenças cerebrais: meninas

Cientistas do National Institute of Health fizeram um estudo de ressonância em 500 meninos. Foi estabelecido que todos mostravam em média as mesmas habilidades matemáticas, no caso das meninas, mais competências para memorizar e de linguagem.

Foi estabelecido que as meninas  possuem também maior conexão entre ambos os hemisférios cerebrais, portanto maior facilidade para socializar. Por isso, tendem a pronunciar primeiro as palavras.

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O estudo da professora da Harvard Medical School que resume as grandes descobertas na área da neurociência demonstra que as meninas:

  • Mostram interesse já ao nascer em estabelecer contato visual e olhar fotos.
  • Além disso, as meninas privilegiam o contato emocional, as carícias, os mimos, a atenção de seu entorno e se validam a partir dessa interação. Por causa desses estímulos, valorizarão muito cedo se são amadas, apreciadas ou rejeitadas. Até esse ponto, vemos diferenças emocionais diferentes em meninos e meninas.
  • A menina tem aptidões para ler rostos e registros de voz. Assim, com uma leve mudança  no tom de voz de sua mãe saberá que ela desaprova ou aprova um comportamento. Em contrapartida, o menino não nasce com esta habilidade. Por isso na hora de repreendê-los os pais devem ser mais enfáticos e claros.
  • O corpo caloso do cérebro é maior nas meninas do que nos meninos, por isso elas podem fazer múltiplas tarefas ao mesmo tempo e assumir diferentes responsabilidades sem se enrolar.