Diferenças entre superproteção e proteção exagerada

Em muitas ocasiões e sem querer, mães e pais vão longe demais em suas competências na hora de proteger os filhos, o que não é positivo para as crianças.
Diferenças entre superproteção e proteção exagerada

Última atualização: 10 Maio, 2021

Mesmo tendo consciência de que proteger em excesso a criança pode ser um problema, ainda há uma diferenciação que devemos considerar. Superproteção e proteção exagerada parecem a mesma coisa, mas nem sempre caminham juntas, embora sejam consideradas duas encostas de um mesmo rio.

Em todo caso, nem a superproteção, a mais elevada das proteções, nem o exagero nesse campo acabam sendo situações saudáveis para a criança ou para o adulto que, na realidade, esconde seus próprios problemas ao se focar no filho como se quisesse moldá-lo, protegê-lo de todo o mal ou impedi-lo de encarar problemas comuns na vida e no desenvolvimento de qualquer ser humano.

As diferenças sutis entre superproteção e proteção exagerada

 

Pai exercendo proteção exagerada com a filha.

As diferenças entre proteção exagerada e superproteção podem, de uma forma comum, ser resumidas ao medo que os pais podem ter. A questão é que, quando superprotegem, os pais evitam que as crianças façam qualquer coisa por medo de se frustrarem ou sentirem mal-estar. Quando exageram na proteção, simplesmente ficam desconfiados, acreditam que o pequeno pode se machucar, mas não chegam a fazer as coisas por ele, embora haja uma certa tendência à proibição.

Assim, uma pessoa que é excessivamente protetora tem dificuldade para entender o desenvolvimento da criança. Por exemplo, por acreditar que ela não tem capacidade motora suficiente para se alimentar, o adulto a alimenta quando ela já deveria estar experimentando fazer isso por conta própria para melhorar seu desempenho com os talheres.

Porém, por mais desconfiança que essa atitude gere, alguns passos são dados, lentos, mas progressivos, para que o pequeno faça atividades por conta própria.

Quando o adulto pratica a superproteção, ele impede diretamente que a criança faça qualquer coisa, mesmo que ela já esteja preparada e tenha a habilidade necessária. Estamos falando sobre a criança comer ou se vestir sozinha, por exemplo. Os pais não permitem isso por medo de o pequeno se machucar.

Proteger, proteger exageradamente e superproteger

Proteger é ajudar uma pessoa que não tem recursos suficientes para cuidar de si mesma. É a melhor maneira de ajudar as crianças a se desenvolverem de maneira ideal.

Proteger excessivamente é semelhante à proteção, embora as mães tenham certo medo e fiquem mais focadas ao que é estritamente necessário, o que pode fazer com que o desenvolvimento não seja ideal ou mais lento do que o normal.

A superproteção produz angústia e desconforto contínuo na mãe. E, claro, também desperta sentimentos negativos nas crianças, que se descobrem incapazes de fazer qualquer coisa por si mesmas e acabam acreditando que a bolha em que vivem é o mundo real.

Como evitar a proteção exagerada e a superproteção?

Como podemos evitar a proteção exagerada e, acima de tudo, a superproteção? O bom senso geralmente nos informa disso. Porém, o ideal é uma proteção adequada, que consiste no seguinte:

Menino abraçando o pai porque sabe que pode fazer coisas sozinho.

  • Alimente a criança enquanto ela ainda não tiver adquirido habilidades motoras próprias para fazer isso sozinha. Contudo, é necessário ter paciência suficiente para que, à medida que a criança for adquirindo capacidade, ela possa experimentar as próprias habilidades. Não é normal que uma criança de 3 ou 4 anos, por exemplo, nunca coma sozinha, nem possa tentar fazer isso.
  • Ajude a criança a se vestir enquanto ela ainda não tiver desenvolvido habilidades relevantes para isso. Contudo, você também tem que ensinar como fazer isso sozinho para que, uma vez que as habilidades sejam aprendidas, os pequenos sejam capazes de conseguir sem ajuda.
  • Faça o mesmo com todas as habilidades que as crianças precisam desenvolver para se tornarem pessoas autossuficientes e responsáveis.
  • Evite expor a criança desnecessariamente a situações que possam causar desconforto ou representar um risco absurdo à sua saúde física e psicológica.

Em suma, depois de ler o básico sobre o cuidado e a proteção adequada da criança, devemos lembrar que isso não deve ser confundido com os excessos.

“Quanto mais você o protege, pior é para ele a longo prazo, pois o impede de desenvolver suas próprias defesas.”

Zenobia Camprubí Aymar

Lembre-se sempre das pequenas diferenças entre a superproteção e a proteção exagerada e a necessidade de apostar no bom senso na educação e no desenvolvimento das crianças. Somente com uma proteção sensata e razoável podemos assegurar que nossos pequenos se tornem indivíduos autossuficientes, com um correto amor-próprio e seguros de si mesmos.

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  • Borja, D. (2012). La sobreprotección familiar y su incidencia en el desarrollo integral de los niños y niñas. Ecuador: Ambato.