O medo é útil para educar?

A paternidade baseada no medo só pode gerar uma resposta nos pequenos: rejeição. Pelo bem deles, é importante saber educar com firmeza, mas com carinho.
O medo é útil para educar?

Última atualização: 24 Abril, 2021

O medo, transmitido com a criação de um personagem aterrorizante ou incorporado em ameaças e chantagens, não é benéfico para a educação e o desenvolvimento das crianças. Na psicologia, repete-se continuamente que o medo não serve para educar, apenas assusta para impor regras.

No entanto, provocar medo se tornou um meio comum que permite controlar facilmente o comportamento das crianças. Assim, o adulto cômodo ou ignorante recorre a essa estratégia para derrotar a criança, o que a prejudica psicologicamente, tornando-a um adulto aterrorizado.

Por que não se recomenda educar a partir do medo?

Tentar educar a partir do medo consiste em anular os critérios da criança, sem dar opções ou a possibilidade de que ela sinta por si mesma a necessidade de fazer as coisas e, consequentemente, de ser responsável.

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Uma criança criada dessa forma temerá o mundo, as pessoas e as situações pelas quais deverá passar em sua vida. Presumivelmente, quando crescer, essa criatura agirá em obediência ao medo, do qual será prisioneiro. Esse medo pode se tornar tão forte que ela não será capaz de tomar decisões importantes.

Especialistas no assunto argumentam que quanto mais temíveis os pais se tornam para os seus filhos, mais eles são encorajados a mentir por medo, instinto de sobrevivência ou simples defesa contra pais que os atacam física ou verbalmente.

O medo como fator causal da culpa

O espírito de controlar, submeter ou simplesmente fazer com que a criança aceite, modifique ou desenvolva determinados comportamentos e valores, leva os adultos a usarem a arma da chantagem como método de semear o terror.

A chantagem emocional é a arma mais eficaz para fazer com que uma criança faça o que você deseja. Frases como “Você vai me fazer infartar" ou “Você vai me matar de tanto desgosto" são punhaladas que prejudicam a saúde emocional da criança, que fica apavorada com a possibilidade desses acontecimentos e se sente culpada.

Essa culpa é tão dolorosa e angustiante que, tentando se livrar dela, a criança vai concordar com o que lhe é pedido. No entanto, esse sentimento de culpa permanece enquanto, em um nível inconsciente, ele começa a sentir ressentimento em relação aos seus pais, o que pode desencadear um ódio profundo.

5 razões para evitar educar com medo

O medo pode ser transmitido diretamente por meio de ameaças físicas ou psicológicas (castigo, rejeição, manipulação, chantagem, coerção…) ou indiretamente, gerando na criança uma visão perigosa do mundo e do ambiente, onde possivelmente ela será prejudicada.

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Todas as pessoas em algum momento de suas vidas perceberam, sofreram e até utilizaram o medo como forma de educação e formação, evidentemente desconhecendo as consequências de recorrer sistematicamente a essa ferramenta.

  • O medo, como emoção, desorganiza e enfraquece a mente e, como forma de submissão, inibe e causa timidez e insegurança.
  • Essa dinâmica gera ceticismo e desconfiança no mundo ao seu redor.
  • Esse regime provoca a dependência do sujeito, que perde autonomia.
  • O medo acaba prejudicando a autoestima, uma vez que a pessoa se considera incapaz de enfrentar as situações da vida em geral.
  • O sentimento de liberdade é anulado a tal ponto que a pessoa aterrorizada cumprirá suas obrigações e ações para evitar o dano ou a punição.
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