Hipercrianças, filhos da angústia e da superproteção

24 de agosto de 2019
Na hora de educar os filhos, é muito positivo ensinar valores como a autoestima, a solidariedade e a capacidade de tomar decisões. No entanto, não é bom protegê-los excessivamente e criar hipercrianças.

A forma de educar os filhos não é a mesma de quarenta anos atrás. Atualmente, os pais têm uma tendência a se preocupar e dominar os filhos. Isso se torna um problema quando o ciúme é excessivo, ao ponto de as crianças não conseguirem fazer nada por conta própria.

Esse fenômeno é conhecido como criação de hipercrianças, filhos da superproteção. É natural que os pais procurem sempre o bem-estar dos filhos. No entanto, eles acham que é bom vigiá-los o tempo todo. Na verdade, a superproteção não permite que as crianças aprendam com os seus erros.

Relação hiperpais e hiperfilhos

A hiperpaternidade é um fenômeno muito comum nos dias de hoje. É um método de parentalidade em que os pais estão presentes em todas as áreas da vida dos filhos. Como consequência, eles acabam interferindo no desenvolvimento de sua autonomia. É dessa forma que são criadas as conhecidas hipercrianças.

As hipercrianças vão crescendo com base em uma educação muito intensiva, que coloca muita pressão sobre elas. Portanto, é  uma educação que gera um alto grau de ansiedade, tanto para os pais como para os filhos, que são os que mais sofrem.

Modelos de pais superprotetores

O fenômeno da hiperpaternidade está relacionado à extrema proteção das crianças e cria modelos diferentes de pais. O primeiro caso corresponde aos pais que passam o tempo todo vigiando os filhos. Eles estão cientes de suas necessidades e desejos, sempre dispostos a ajudá-los e protegê-los de qualquer perigo.

Há outro caso, os “pais cortador de grama”, que são aqueles que vão à frente dos filhos “limpando” o caminho. A missão desses pais é garantir que nada fique entre os pequenos e seus desejos.

Existem também outros tipos de pais superprotetores. Por um lado, existe o tipo de mãe está pronta para tudo, desde que o seu filho seja o gênio que o mundo está esperando. Do outro, existem os ‘pais-guarda-costas’, aqueles que superprotegem e, além disso, são extremamente suscetíveis a qualquer crítica aos filhos.

As hipercrianças acabam sofrendo mais.

Qualquer um desses tipos de pais usa estratégias com a mesma intenção. Todas estão relacionadas a resolver problemas e evitar emoções negativas. Essas atitudes fazem com que o pequeno se torne uma hipercriança e, consequentemente, uma pessoa mais dependente e insegura.

Por serem crianças, talvez as consequências não sejam tão óbvias. No entanto, à medida que crescem, tornam-se adolescentes e adultos inseguros.

Dicas para evitar criar hipercrianças ou cair em hiperpaternidade

Muitas vezes, a criação de hipercrianças ocorre sem os pais realmente estarem cientes dos problemas que isso pode trazer. Portanto, é interessante conhecer alguns comportamentos e, se necessário, mudá-los para não causar maiores consequências a longo prazo. Em seguida, veremos algumas dicas para evitar cair na hiperpaternidade.

Deixar as crianças errarem

Há uma forte tendência de os pais tentarem evitar que os seus filhos fiquem frustrados. No longo prazo, isso é contraproducente. Isso porque é importante permitir que as crianças cometam erros. Dessa forma, elas podem aprender com seus erros e se esforçar mais quando tentarem novamente.

As crianças que não aprendem a enfrentar seus erros muitas vezes usam desculpas para se justificar e não mostram predisposição para melhorar.

A hiperpaternidade é um método de criação em que os pais estão presentes em todas as áreas da vida dos filhos.

Promover a autonomia

Se você não quiser criar hipercriaças, é essencial encorajar a autonomia dos pequenos desde cedo. Educar os filhos em autonomia é fundamental para que eles desenvolvam segurança e confiança em si mesmos.

Uma boa maneira de ajudar os filhos é atribuir pequenas responsabilidades desde cedo. Assim eles podem adquirir autonomia, o que também determinará sua personalidade.

Acompanhe as crianças sem fazer por elas

Acompanhar as crianças não significa fazer as coisas por elas. Significa oferecer o apoio e o acompanhamento necessários no processo de aprendizagem, servindo de guia e oferecendo segurança.

As hipercrianças não aprendem a lidar com a frustração

Deixe que elas tomem as próprias decisões e fortaleça sua autoestima

As crianças devem saber tomar boas decisões e não ser meras cumpridoras de ordens, além de saber respeitar a autoridade. Ademais, fazer as escolhas certas fortalecerá a sua autoestima e incentivará a melhorar no futuro.

A hiperpaternidade e as hipercrianças constituem uma realidade existente. Portanto, é importante aprender sobre as consequências da superproteção.