Indução do parto: tudo o que você precisa saber

A indução do parto é uma prática comum nos centros de saúde. Busca estimular o início do processo de parto com diferentes propósitos. Aqui vamos contar tudo sobre isso.
Indução do parto: tudo o que você precisa saber

Última atualização: 21 maio, 2022

São diversos os motivos pelos quais os profissionais de saúde realizam a indução do parto, prática que consiste em desencadear artificialmente o processo natural do nascimento.

Essa estratégia não é necessária em todas as gestações, nem é apropriada em todos os casos. No entanto, hoje em dia se tornou bastante frequente, e isso tem gerado controvérsias.

Vamos descobrir abaixo o que é, quando é necessário praticá-lo e o que as sociedades científicas internacionais pensam sobre isso. Não perca!

O que significa induzir um parto?

A indução do parto se baseia no uso de diferentes estratégias médicas para iniciar o trabalho de parto. Mais especificamente, desencadear as contrações e estimular a dilatação do colo do útero, a fim de conseguir o parto vaginal.

Existem diferentes métodos para induzir o parto:

  1. Mecânico: é realizado através da ruptura artificial das membranas que recobrem o saco amniótico. Para realizar esse procedimento, é necessário que o colo do útero esteja dilatado e que a cabeça do bebê esteja encaixada na pelve. À medida que o fluido sai, a criança exerce pressão sobre o assoalho pélvico para estimular o trabalho de parto.
  2. Farmacológico: baseia-se no uso de medicamentos que estimulam as contrações (como a ocitocina) e que promovem a dilatação do colo do útero (como as prostaglandinas).

Vale ressaltar que esse procedimento é reservado para casos específicos, a fim de obter benefícios que superem os riscos à saúde da mãe ou do bebê.

Gotejamento intravenoso em solução de soro.
A indução é um procedimento médico que traz seus riscos e seus benefícios. Portanto, é melhor implementá-lo quando houver uma indicação precisa.

Quando é necessário induzir o parto?

Segundo a Sociedade Espanhola de Ginecologia e Obstetrícia (SEGO), a indução do parto é indicada quando os riscos de continuar a gravidez superam os riscos de acelerar o parto.

No seu protocolo de atuação, essa entidade sugere a indução apenas nas seguintes situações:

  • Gravidez pós-termo: quando a gravidez dura mais de 42 semanas, existe o risco de o bebê não estar bem oxigenado e nutrido devido ao envelhecimento da placenta.
  • Ruptura prematura de membranas: devido ao risco de infecções dentro do saco amniótico e outras complicações.
  • Estados hipertensivos da gravidez (pré-eclâmpsia, eclâmpsia e síndrome HELLP).
  • Diabetes gestacional.
  • Restrição de crescimento intrauterino.
  • Gravidez gemelar.
  • Corioamnionite (infecção nas membranas amnióticas).
  • Descolamento de placenta.
  • Morte fetal intrauterina.

Além disso, essas diretrizes referem-se à indução eletiva, que não está relacionada a motivos clínicos, e só deve ser realizada se a gestação tiver mais de 39 semanas.

Riscos associados à indução do parto

Embora nos casos mencionados acima a indução seja uma forma de evitar uma cesariana, existem riscos inerentes à prática sobre os quais você deve estar ciente:

  • Falha na indução: após colocar em prática os métodos farmacológicos e mecânicos, o trabalho de parto não progride.
  • Infecções.
  • Bradicardia materna: medicamentos administrados podem diminuir a frequência cardíaca da mãe e reduzir a oxigenação fetal.
  • Ruptura uterina: embora seja rara, é grave e ocorre devido a um rasgo no útero.
  • Sangramento uterino: durante o parto o útero não se contrai adequadamente e o sangramento não para.

Por todo o exposto acima, existem algumas contraindicações para realizar a indução do parto. Entre eles, ter realizado cesarianas prévias e próximas, quando o feto está localizado em posição transversa, histórico de ruptura uterina, infecção ativa por herpes, prolapso de cordão umbilical ou câncer de colo de útero, entre outros.

Qual é a posição das agências de saúde em relação à indução do trabalho de parto?

A controvérsia atual em torno desse procedimento está intimamente relacionada à sua alta frequência em centros de saúde de todo o mundo. Mesmo sem causa médica que o justifique.

Pensa-se que o motivo seria a escolha do momento do nascimento e o desrespeito ao parto como um evento natural. Vejamos como as diferentes sociedades científicas se manifestam a esse respeito.

Organização Mundial da Saúde (OMS)

Em 2015, a OMS publicou uma série de recomendações sobre a estimulação do parto, nas quais se sugere evitar o uso de ocitocina, misoprostol e ruptura da bolsa (amniotomia). Tudo isso, devido aos riscos que essas estratégias acarretam.

Em 2018, essas diretrizes foram ampliadas nas Recomendações da OMS para assistência ao parto para uma experiência positiva de parto. Essas diretrizes buscaram otimizar a experiência do parto a partir de uma abordagem holística, baseada nos direitos humanos.

Com relação à indução do parto, os autores desaconselham a amniotomia precoce em conjunto com a administração de ocitocina para acelerar o parto. Por fim, destacam a necessidade de reduzir intervenções médicas desnecessárias em gestações de baixo risco.

Federação Argentina de Sociedades de Ginecologia e Obstetrícia (FASGO)

Numa atualização publicada em 2019, essa organização destacou uma série de condições a considerar para realizar a indução ao parto. Em relação a isso, os especialistas afirmam o seguinte:

“As indicações para a indução do parto não são absolutas. As condições maternas (estado do colo do útero, membranas ovulares e idade gestacional) e fetais devem ser levadas em consideração, entre outros fatores”.

Da mesma forma, os autores enfatizam que o trabalho de parto pode ser induzido por razões logísticas que o justifiquem (como a distância entre o domicílio e o hospital ou certas indicações psicossociais).

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Exceto por contraindicações médicas, a gestante tem o direito de conhecer as opções e escolher a que considerar mais adequada para dar à luz seu filho.

Ministério da Saúde, Política Social e Igualdade da Espanha

O Ministério da Saúde, Política Social e Igualdade da Espanha se expressa sobre esse assunto na Estratégia Nacional de Saúde Sexual e Reprodutiva publicada em 2011, estabelecendo uma série de recomendações para gravidezes de baixo risco que duram até 41 e 42 semanas:

  • Oferecer à gestante a possibilidade de aguardar o início espontâneo do trabalho de parto a partir da 41ª semana.
  • Possibilitar a indução do parto ao longo da 41ª semana, com o melhor método possível e com aconselhamento adequado aos pais.

Ressalta-se que a gestante deve conhecer o método de indução, o local onde é realizada, os detalhes e as opções de apoio e alívio da dor.

Indução do parto, uma estratégia para reduzir o número de cesarianas

A indução do parto oportuna e justificada é uma opção favorável ao bem-estar da mãe e do bebê, pois limita a necessidade de recorrer à cesariana.

Foi determinado que os benefícios da indução do parto podem superar os riscos. Especialmente no caso de gestações prolongadas (mais de 41 semanas), em que as mortes perinatais e as taxas de cesarianas tendem a equilibrar a balança.

Antes de o especialista realizar o procedimento, a mãe deve saber do que se trata e avaliar sua realização. Ela tem direito de escolher como dar à luz.

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