Binge-watching ou maratonar séries em crianças: o que você deve saber

Seus filhos devoram capítulo após capítulo de suas séries favoritas sem descanso? Essa prática é conhecida como binge-watch e pode ser muito prejudicial para eles. Descubra por quê.
Binge-watching ou maratonar séries em crianças: o que você deve saber

Última atualização: 09 Novembro, 2021

Você já assistiu a temporada inteira de uma série em alguns dias? Possivelmente sua resposta a essa pergunta é sim, visto que essa é uma prática cada vez mais comum em nossa sociedade. Se você já sucumbiu à tentação e maratonou alguma série, certamente reconhecerá essa ansiedade de continuar assistindo o próximo capítulo e o vazio que aparece quando, finalmente, a série termina. Bem, você deve saber que isso é conhecido como binge-watching e que também afeta seus filhos.

A nova maneira de assistir televisão

Até não muito tempo atrás, tínhamos que esperar uma semana inteira para assistir o próximo episódio da nossa série favorita. No entanto, com a chegada das plataformas de streaming, essa dinâmica mudou. Agora, temos os conteúdos completos disponíveis em um único dia e você com certeza sabe qual é a consequência dessa mudança.

Nossa necessidade de imediatismo aumentou dramaticamente e, no caso das crianças, isso pode ter repercussões muito mais sérias.

Crianças assistindo a um filme sob as cobertas em um gadget como o tablet.

O que é binge-watching?

Binge-watching é um termo que se refere à famosa “maratona de séries” e consiste basicamente em consumir uma grande quantidade de conteúdo audiovisual em um curto período de tempo.

Quando fazemos isso, não costuma ser uma atividade consciente e deliberada. Ao contrário, agimos motivados por impulso e às vezes até negligenciamos ou adiamos outras tarefas e atividades que estão pendentes. É, portanto, uma espécie de vício.

Esse fenômeno entrou em nossas vidas de mãos dadas com plataformas de conteúdo sob demanda, como Netflix ou Disney +, e afeta adultos, jovens e crianças.

No entanto, não é um acaso ou evento aleatório, pois existem mecanismos bem estudados e incluídos com o propósito de nos viciar nessas séries. Dentre eles, destacam-se:

  • Liberação de conteúdo em bloco: em vez de adicionar os capítulos progressivamente, essas plataformas optam por nos oferecer temporadas completas ou mesmo séries inteiras de uma só vez.
  • Encadeamento automático de capítulos: quando um capítulo termina não temos que fazer nada, nem decidir se queremos ver outro, já que após alguns segundos o próximo episódio aparece na tela.
  • Possibilidade de pular o resumo, a introdução e os créditos: a mente humana tem pouca tolerância para esperar, e todas essas facilidades nos levam a continuar com a maratona, sem pensar muito nisso.
  • No que diz respeito ao público infantil, também são acrescentados elementos interativos e lúdicos que conseguem captar ainda mais a atenção e manter as crianças interessadas por mais tempo.

Como a maratona de séries afeta as crianças?

Quando uma criança assiste a uma série com todas as características e facilidades mencionadas acima, é possível criar uma espécie de vício.

Ao consumir conteúdo audiovisual, o cérebro ativa o sistema de recompensa e começa a liberar dopamina. Esse neurotransmissor não só causa prazer com essa atividade, mas também encoraja a continuar com ela indefinidamente. Dessa forma, o próprio cérebro nos estimula a continuar avançando nos capítulos.

Embora isso aconteça em todas as idades, as crianças ainda não estão maduras o suficiente para controlar seus impulsos ou adiar a gratificação. Portanto, elas são mais propensas a cair nesse ciclo de consumo abusivo.

Além disso, o binge-watching faz com que a imersão na série seja completa. Como a exposição é constante, os pequenos vivem a experiência com grande intensidade, desenvolvem grande empatia pelos personagens e se envolvem profundamente.

Assim, quando a série termina, as crianças costumam sentir um tipo de depressão ou desaceleração emocional semelhante ao que acontece com os adultos. Com a diferença de que sua mente ainda está se desenvolvendo e elas não possuem os recursos necessários para gerenciar esses sentimentos.

Por outro lado, não podemos ignorar que esse apego aos conteúdos audiovisuais pode levar as crianças a negligenciar ou abandonar outras atividades de extrema importância. Por exemplo, vida familiar, brincadeiras livres ou socialização com outras crianças.

Como o tempo excessivo de tela influencia as crianças?

Evite que seus filhos pratiquem o binge-watching

Se nós, adultos, mal conseguimos controlar nossa necessidade de assistir um capítulo atrás do outro, não podemos pedir para as crianças terem controle suficiente para parar por conta própria. Portanto, é função dos pais racionar o consumo de conteúdos audiovisuais e garantir o cumprimento das demais atividades necessárias por parte das crianças.

A mídia audiovisual é divertida e pode hospedar conteúdo lúdico e educacional para crianças. No entanto, se não for usada com moderação, pode levar ao consumo viciante, muito prejudicial à saúde dos pequenos.

Por tudo isso, aconselhamos que você seja firme e estabeleça limites para controlar o tempo que seus filhos passam diante das telas.

Pode interessar a você...
Como o tempo excessivo de tela influencia as crianças?
Sou Mamãe
Leia em Sou Mamãe
Como o tempo excessivo de tela influencia as crianças?

O uso excessivo do chamado tempo de tela pode ter um impacto negativo na saúde física e cognitiva das crianças. Veja como isso as afeta.



  • Trouleau, W., Ashkan, A., Ding, W., & Eriksson, B. (2016, August). Just one more: Modeling binge watching behavior. In Proceedings of the 22nd ACM SIGKDD International Conference on Knowledge Discovery and Data Mining (pp. 1215-1224).
  • Fung-Fallas, M.P., Rojas-Mora, E.J. & Delgado-Castro, L.G. (2020) Impacto del tiempo de pantalla en la salud de niños y adolescentes. Revista Médica Sinergia, 5(6), e370. DOI: https://revistamedicasinergia.com/index.php/rms/article/download/370/866?inline=1
  • Riddle, K., Peebles, A., Davis, C., Xu, F., & Schroeder, E. (2018). The addictive potential of television binge watching: Comparing intentional and unintentional binges. Psychology of Popular Media Culture7(4), 589.