Pais invalidantes: como eles afetam o desenvolvimento?

6 de novembro de 2019
Os pais invalidantes fazem com que os filhos se sintam errados e incapazes. Essas feridas emocionais têm um grande impacto na vida adulta.

Quando decidimos nos tornar pais, estamos assumindo o grande compromisso de criar seres humanos emocionalmente saudáveis. Crescer com pais invalidantes tem sérias consequências para a personalidade e para a qualidade de vida de uma pessoa.

Atualmente, a sociedade é caracterizada pela pressa e pelo estresse. Muitas vezes, os pais agem no piloto automático para conseguir gerenciar todas as áreas das nossas vidas. No entanto, é indispensável fornecer uma educação consciente, de tal forma que as nossas ações não sejam o resultado do automatismo.

Não proporcionar o carinho, o respeito e a validação necessários às crianças terá um grande impacto negativo na felicidade e nos relacionamentos delas ao longo da vida.

Pais invalidantes

Os ambientes familiares invalidantes são caracterizados por impedir o desenvolvimento pessoal dos seus integrantes. É estabelecida uma série de padrões comportamentais que acabam minando a autoconfiança das crianças.

Essas crianças aprenderão a se sentir erradas e incapazes. Mas, além disso, elas também se sentirão insanamente ligadas ao seu núcleo familiar. O vínculo que se estabelece se baseia na ansiedade e na culpa, e será muito difícil para a criança deixar a sua família e ser independente, porque ela sentirá que não vai conseguir continuar sem ela.

Pais invalidantes

Os dois principais funcionamentos que caracterizam os pais invalidantes são a superproteção e a má gestão emocional.

Superproteção

A superproteção surge do desejo de afastar a criança de qualquer perigo ou sofrimento em potencial. Os pais percebem o mundo como um lugar cheio de ameaças para os filhos e tentam se antecipar e evitar qualquer problema. Além disso, eles evitam dar responsabilidades ao filho porque “ele já vai sofrer o suficiente quando crescer”.

Esse tipo de comportamento, apesar da boa intenção, transmite à criança a mensagem indireta de que ela não pode cuidar de si mesma. Ela é convencida de que não é capaz de lidar com as situações da vida e isso faz com que ela se veja como um ser indefeso.

Involuntariamente, a pessoa e as suas habilidades estão sendo invalidadas. E, quando essa criança tiver que enfrentar dificuldades na vida, ela ficará sem recursos e sem a autoestima necessária para ser bem-sucedida. Ela vai experimentar uma enorme ansiedade e vai depender consideravelmente dos pais, mesmo na idade adulta.

Má gestão emocional

O outro lado da moeda é encontrado nos pais que não sabem como gerenciar adequadamente nem as próprias emoções, nem as dos filhos. Geralmente são pessoas que não estão em contato com os próprios sentimentos, que têm dificuldade para identificá-los, controlá-los e expressá-los.

Nesses ambientes, há uma grande dificuldade para transmitir mensagens positivas, com a comunicação familiar sendo caracterizada pelas críticas ou pela indiferença.

Dessa maneira, quando a criança expressa uma emoção, os pais têm dois caminhos: ignorá-la e minimizá-la, diminuindo o seu valor e importância ou então reagir a ela com censuras e aborrecimento.

Os Pais invalidantes

Seja como for, a criança recebe a mensagem de que os seus sentimentos não são dignos de serem tratados com atenção e respeito. Ela entende que não vai receber compreensão quando expressar a sua dor ou o seu desconforto e que, pelo contrário, só vai encontrar rejeição.

Logicamente, as crianças que crescem sob esses padrões familiares desenvolvem a tendência a inibir as suas emoções completamente ou então a expressá-las de maneira extrema.

A dependência dos pais invalidantes

A conclusão comum para ambos os tipos de criação é a dependência gerada nessas pessoas em relação aos pais e ao ambiente familiar. Tanto a criança que cresceu ouvindo que faz tudo errado quanto a que não ouviu isso, mas que não pôde agir sozinha por ser considerada incapaz, compartilham o mesmo destino.

Ao longo dos anos, essas crianças encontrarão sérias dificuldades para estabelecer relacionamentos saudáveis, desenvolvendo uma tendência à dependência emocional, no primeiro caso, e a evitar a intimidade no segundo.

Além disso, elas se sentirão extremamente apegadas ao seu núcleo familiar, a ponto de ter a sua individualidade limitada.

A ideia de encarar a vida sem esse ambiente parecerá terrível, mas, além disso, a família também vai alimentar essa dependência porque, em muitas ocasiões, esses pais encontram nos filhos o pretexto para não enfrentar os próprios problemas.

Por isso, é essencial direcionarmos todos os nossos esforços a criar filhos emocionalmente saudáveis ​​e autônomos. Dar atenção aos seus sentimentos, entendê-los e validá-los é o primeiro passo para a construção da sua autoestima.