A linguagem do núcleo familiar

· 25 de abril de 2018
Neste artigo, vamos refletir sobre a importância de prestar atenção na linguagem do núcleo familiar e qual seu impacto nas relações. Ao mesmo tempo, oferecemos algumas dicas para você colocar em prática na sua casa.

A linguagem do núcleo familiar é aquela que utilizamos para nos comunicar com nossos filhos e familiares com quem convivemos.

Esse tipo de linguagem tem grande importância no dia a dia de cada um dos membros do núcleo familiar. Ela determina, em grande medida, o tipo de relações que as crianças tem no presente e terão no futuro.

Por que a linguagem do núcleo familiar é importante?

Se um pai ou uma mãe chama seu filho de “tonto”, “chorão”, “lerdo” ou “bobo”, entre outros nomes, essa ação se torna uma forma de maus-tratos. Não importa se foi um erro ou se já se tornou um costume. Esse desprezo é completamente desnecessário e, além disso, infrutífero.

A mesma coisa acontece se, ao nos comunicarmos com nosso parceiro ou nossa parceira, na frente dos nossos filhos, usamos constantemente o menosprezo. Inclusive quando ambos estão rindo não é saudável que insultem um ao outro. 

As relações interpessoais são abaladas quando se faz uso desses adjetivos degradantes: “tonto”, “estúpido”, “idiota”, “preguiçoso” e outros do tipo, independentemente do tom e da mensagem final. Embora pareça uma questão sem muita importância, na verdade tem grande impacto na saúde emocional de todos.

“Muitas vezes em casa, se faz uso de uma linguagem que não é necessariamente a mais respeitosa nem a mais afetuosa”

A qualidade da linguagem do núcleo familiar

Vamos parar um momento e pensar: É realmente necessário depreciar as crianças sempre que nos dirigimos a elas? Qual é a contribuição de chamarmos os pequenos de uma ou outra maneira para rebaixá-los ou depreciá-los? Além da vergonha e da dor emocional que causa, o desprezo não é uma estratégia de ensinamento adequado.

linguagem do núcleo familiar

O castigo verbal não traz resultados nem melhorias reais às nossas vidas. Pelo contrário, só consegue disseminar o medo, aprofundar as inseguranças e abrir uma lacuna nas relações desde cedo. E, mesmo que isso não possa ser facilmente percebido à primeira vista, com toda certeza ocorre.

A linguagem familiar não deve se basear em insultos. Nem mesmo “de brincadeira”. Ela deve se basear no afeto e em todos aqueles aspectos positivos que nós, seres humanos, somos capazes de expressar. Ninguém nasce sabendo e todos nós precisamos de afeto. Especialmente quando somos corrigidos ou orientados em algo que é difícil para nós.

“É preciso sempre ter cuidado com a linguagem familiar porque influencia significativamente nas nossas relações e determina grande parte do que será o nosso futuro”

As palavras com duplo sentido como “diabinho” ou “traste” carregam implícito um tipo de mensagem que, inconscientemente, é enviada às crianças. Por um lado, elas são repreendidas e, por outro, tenta-se suavizar a repreensão, por meio do diminutivo, por exemplo.

A linguagem depreciativa não agrega

A depreciação não deve se transformar em uma metodologia para criar os filhos, muito menos num estilo de vida. Certamente, os seres humanos não são perfeitos. E é óbvio que pode ser difícil lidar com as emoções em determinadas situações. No entanto, somos seres perfectíveis. Isto é, seres que podem ser melhorados em prol do bem comum.

A linguagem depreciativa pode piorar as situações pouco favoráveis. Portanto, não agrega nada. Promove o insulto, o preconceito, a discriminação, as rivalidades e as ofensas no geral.

Se as crianças adquirem um vocabulário derivado desse tipo de linguagem, elas certamente terão problemas no meio em que vivem e vão agir de maneira inapropriada, o que vai gerar relações deficientes.

Nesses casos, o importante é saber corrigir a tempo e, principalmente, dar um bom exemplo. De nada serve brigar com a criança por ter usado uma palavra depreciativa ou uma expressão negativa quando nós também as usamos na presença dos pequenos. É preciso ser coerente com as nossas ações.

Dicas para fazer bom uso da linguagem do núcleo familiar

Em primeiro lugar, o ideal é evitar o mal uso da linguagem do núcleo familiar. Os insultos, as ameaças e qualquer outra forma de castigo ou maus-tratos verbais não devem ser utilizados.

No entanto, se já aconteceu um episódio desses e queremos corrigir, o mais adequado é aplicar e continuar praticando as seguintes estratégias.

É claro que se forem muito difíceis de aplicar na sua casa ou se não derem resultados, é necessário consultar um psicólogo familiar ou um psicoterapeuta. Ambos os profissionais poderão orientar você no processo, indicar quais são as ferramentas adequadas e como elas devem ser aplicadas para atingir os objetivos desejados.

linguagem do núcleo familiar

Para fazer bom uso da linguagem do núcleo familiar é necessário:

  • Eliminar os insultos e as palavras depreciativas imediatamente. Com nosso parceiro ou nossa parceira, com nossos filhos, com os parentes e com todas as pessoas. Sempre que sentirmos o impulso de dizer alguma dessas palavras, devemos parar um instante e pensar nas consequências que essa forma de se expressar pode trazer.
  • Aprender a respirar profundamente antes de falar. Não se trata de uma frase clichê, e sim de uma estratégia poderosa que podemos aprender a utilizar no nosso dia a dia.
  • Tentar substituir as expressões de maus-tratos por expressões de afeto. Não precisamos ser os pais mais pegajosos, mas devemos nos habituar a expressar mais as emoções e os sentimentos positivos, pois são benéficos para todos.
  • Lembrar que se tivermos usado uma linguagem do núcleo familiar negativa, no futuro nossos filhos não terão uma boa imagem de nós, como pais, e vão se distanciar de uma forma ou de outra.
  • Saber reconhecer as próprias falhas, assumir responsabilidades e pedir desculpas sempre que for necessário. Dessa maneira, começaremos a criar um ambiente mais saudável para nós mesmos e para as pessoas com quem convivemos.

Lembre-se de que é muito importante saber fazer um bom uso da linguagem do núcleo familiar. Não apenas para que seus filhos tenham uma boa referência de relações interpessoais. Mas também para que tenham um verdadeiro bem-estar desde cedo. Isso vai lhes permitir crescer e se desenvolver de maneira saudável.