Quando se deve recorrer ao parto instrumental?
O parto instrumental é definido, basicamente, como um parto vaginal no qual os médicos que fazem o parto devem usar ferramentas ou instrumentos específicos para retirar o bebê através do canal do parto.
O uso dessas ferramentas está presente há anos e até mesmo há séculos nas mesas de parto das parteiras. Esses objetos são tão antigos que existem até registros dessas ferramentas nos livros de medicina tradicional da Índia – Ayurveda -, que datam de mil anos antes de Cristo.
Agora, embora seja claro que essas ferramentas sempre existiram, muitas mulheres se perguntam por que elas são usadas e em que tipo de casos especificamente. Se você é uma delas, não perca as considerações que faremos abaixo. Vamos explicar tudo o que você precisa saber sobre esse assunto.
Quando se deve recorrer ao parto instrumental?
A decisão do obstetra com relação a realizar ou não um parto instrumental dependerá do fato de o processo de trabalho de parto ser mais longo do que o esperado. O objetivo é que a integridade física da mãe e do bebê possa ser garantida.
Essas ferramentas também são usadas quando a criança está em uma posição que não favorece a passagem pelo canal vaginal e nos casos em que a paciente não pode fazer força para dar à luz.
Algumas das contraindicações relacionadas a fazer força para dar à luz referem-se a casos de mulheres com problemas na córnea, como ceratocone, descolamento de retina, doença cardíaca ou problemas pulmonares.
É importante esclarecer que o uso desses instrumentos obstétricos obedece a certas restrições. Assim, destinam-se apenas aos casos em que o feto já passou pela região pélvica e já está muito próximo da fase final.
Elementos utilizados no parto instrumental
As três ferramentas médicas mais comuns para auxiliar os partos instrumentais são: fórceps, espátulas e ventosas. Cabe destacar que, para o uso de qualquer um deles, previamente deverá ser aplicada a anestesia peridural materna. Dessa forma, o desconforto causado pela manipulação dentro do canal vaginal é evitado.
Fórceps
É um dos instrumentos obstétricos mais antigos, e seu surgimento remonta à Inglaterra, por volta de 1631. Basicamente, é um alicate de metal na forma de duas lâminas articuladas, simulando uma espécie de tesoura.
Ele é introduzido no canal vaginal com a finalidade de segurar a cabeça do bebê para girar e reajustar sua posição ou fazer tração para tirar o bebê do canal vaginal.
“O parto instrumental é realizado quando a criança está em uma posição que não favorece a passagem pelo canal vaginal e nos casos em que a paciente não pode fazer força para dar à luz para dar à luz.”
No entanto, essa ferramenta é um pouco controversa. Embora tenha sido usada por séculos e bons resultados tenham sido alcançados, seu sucesso final depende de uma técnica adequada e precisa para evitar causar danos à mãe e ao feto. A seguir, apresentaremos seus prós e contras:
Benefícios
- Permite a rotação adequada do feto.
- A extração do feto é realizada quase imediatamente, evitando-se, assim, a cesárea.
Sequelas ou complicações
- Pode causar cortes ou lacerações na mãe e no feto.
- Produz prolapsos no colo do útero e no esfíncter anal, além de problemas de incontinência.
- Possível dano aos nervos faciais do bebê.
- Em casos muito particulares, pode ocorrer uma fratura da clavícula do bebê ou hemorragia intracraniana.
Espátula
É um instrumento obstétrico análogo ao fórceps, mas com a diferença de que suas partes não se articulam entre si. Sua função é ajudar a descida da cabeça do bebê, agindo como um calço.
Ventosa
É um instrumento em forma de taça que pode ser de metal, silicone ou plástico. Primeiramente, a ventosa é inserida no canal vaginal até a cabeça do bebê. Em seguida, é conectada a uma bomba que suga e ajuda a mãe a empurrar para expulsar o feto.
Como informação final, vale acrescentar que o parto instrumental é, na verdade, um processo seguro para a mãe e o feto, desde que seja feito por um médico especialista.
Seu êxito também reside no fato de o médico apenas utilizar essas ferramentas quando o feto já está no canal vaginal, perto da sua fase final para nascer, e não como uma medida que substitui uma cesariana de emergência.