Alimentação e filhos: erros e acertos

· 13 de novembro de 2016

Alimentação talvez seja uma das palavras mais ouvidas nos últimos anos. Apesar do tema ser polêmico busca-se cada vez mais saber aquilo que é certo colocar em nossa mesa.

Quando se trata dos nossos filhos a preocupação se multiplica já que surge a pergunta: Como fazer para que nossos filhos comam?

Às vezes, na alimentação de nossos filhos pode ser complicado fazê-los aceitar os alimentos mais saudáveis. Depois de ver tantas mães e tantos pais lidando com o tema da alimentação de seus filhos eu continuo acreditando que somos nós, os adultos, que complicamos nossa vida.

Devemos ou não deixá-los fazer algum capricho?

Não sei o que acontece conosco, mas quando estamos educando nossos filhos muitas vezes nos esquecemos completamente de como são os adultos: pessoas com falhas, caprichos, fragilidades, etc… E se chegarmos em casa à noite e não quisermos jantar? Ou se às vezes, por exemplo, só quisermos comer fruta?

Por que, quando nossos filhos sentem essas vontades, dizemos: “Se você tem fome para a sobremesa, tem fome para a comida”?

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E se não se tratar de fome, mas sim de um capricho? Por que entramos em pânico ao conceder um capricho desse tipo aos nossos filhos se a coisa mais natural do mundo é que isso aconteça conosco também?

É como se quiséssemos consertar tudo desde o começo para evitar problemas futuros. Como se a vida fosse um gráfico de crescimento somente para cima, sem altos e baixos. Ou como se quiséssemos nos mostrar a eles como indivíduos sem falhas para eliminar a possibilidade de que eles cometam falhas também.

Por que complicamos as coisas?

Uma das coisas mais difíceis para o ser humano é aceitar que a vida está em constante mudança. E, assim, agir de acordo com essa perspectiva.

Quase tudo o que acontece com uma criança antes dos sete anos, mais ou menos, pode ser mudado. Por isso devemos evitar dar as questões por encerradas ou rotular os acontecimentos.

Eu costumo dizer que é a época na qual mais prestam atenção em nós, já que podemos insistir em coisas que achamos importantes. Cedo ou tarde seu filho vai aceitar e assumir aquilo que você espera dele.

Em relação à alimentação acontece a mesma coisa. Por exemplo, se um dia eu cozinho feijões, ofereço ao meu filho e ele não gosta, na próxima vez que houver feijão e eu cometer o erro, me adiantando e dizendo: “você não gosta”, a criança passará a acreditar nisso e o feijão estará fora do leque de opções dela.

A criança é como um jogo de palavras cruzadas: ou você a convence ou ela convence você. No exemplo anterior, ela convenceu você de que não gosta de feijão. Outra maneira de agir seria aceitar que a criança não coma os feijões naquele dia, oferecer a ela outra comida (se for possível e você não estiver muito cansada) e depois de alguns dias oferecer feijões de novo.

Quando você volta a oferecer o mesmo alimento outras vezes eles costumam comer. Se a criança não gostar realmente da comida ela continuará dizendo não e, então, será preciso respeitar.

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Muitos pais se questionam se devem fazer outra comida para seus filhos quando eles não querem comer a que está à mesa. Na minha opinião, isso depende muito mais do seu nível de cansaço que de outra coisa.

É certo que isso não deve de maneira alguma se tornar uma regra. Cada um deveria tentar diferenciar quando seu filho diz que não quer comer algo somente para contrariar. Se esse for o caso, você deve dizer com toda a calma: “Me desculpe, é a única coisa que tem para comer.”

Devemos evitar problematizar demais quando nossos filhos não querem comer. O ideal é simplesmente tentar manter a calma e continuar oferecendo os alimentos. Afinal, não tenho dúvidas de que sua geladeira está cheia de opções e que seu filho não passará fome.

Mães e pais costumam ficar nervosos quando os filhos não querem comer ou, às vezes, ficam bravos quando os filhos fazem algum capricho. Se a criança percebe que isso é um motivo para tirar você do sério…e pronto! Você está mostrando a ela o que fazer quando ela quiser impor um não.

É melhor tentar deixar outros espaços abertos, que não o da alimentação, para a criança aprender a se impor. Afinal esse é um tema vital e muito importante na vida dos nossos filhos.