As melhores alternativas ao castigo

· 24 de maio de 2017

Existem alternativas ao castigo na criação das crianças? Felizmente, sim. Porque foi comprovado que um grito, uma palmada ou colocar o filho no canto da casa têm efeitos mágicos somente a curto-prazo, já que não modificam o comportamento inadequado das crianças, e, além disso, afetam a saúde mental deles.

Mediante essa estratégia não só humilhamos o nosso filho e causamos danos à autoestima dele, mas também geramos ressentimento e rejeição. Além disso, com essa tática, eles não aprendem o bom comportamento, mas sim atos que evitem a reprovação, assim como percebem a violência como meio para resolver conflitos.

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Mas, por que se o castigo ocasiona efeitos negativos ainda assim é utilizado? Quais são as melhores alternativas ao castigo? Como demonstrar aos nossos filhos o que não nos agrada no comportamento deles sem a necessidade de castigá-los, humilhá-los ou fazê-los se sentir mal?

Modelos para seguir como alternativa ao castigo

Adele Faber e Elaine Mazlich propõem no livro “Como falar com os seus filhos para que estudem em casa e no colégio” algumas linhas de ação que funcionariam como alternativas ao castigo, tais como:

1- Manifestar nosso total desacordo com o comportamento dele. Não se trata de atacar ou rotular a criança, mas sim o comportamento dele.

2- Expressar o que esperamos dele. O fazemos ver o que nós gostaríamos que acontecesse ou como deveria se comportar.

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3- Mostrar-lhe como corrigir e resolver a situação. Ensinamos a ele o comportamento certo para que na próxima vez não cometa o mesmo erro.

4- Se a criança continua se comportando mal e sem corrigir o próprio comportamento, será necessário passar à prática, começando por apresentar-lhe opções de comportamento.

5- Finalmente, devem tomar medidas. Recomenda-se preferencialmente aplicar consequências lógicas e naturais.

O método das consequências lógicas e naturais.

O objetivo desse regime é que a criança aprenda a assumir aquelas consequências naturais que são derivadas espontaneamente de um determinado comportamento e não requerem a intervenção dos pais.

A ideia é que a criança assuma também as consequências lógicas previamente desenhadas com objetivo de estimular e transmitir decisões responsáveis. Essas permitem ao menor experimentar a realidade do mundo social.

Em casos onde não haja consequências naturais ou que representem um perigo para a criança, recomenda-se substituí-las por consequências lógicas propostas pelos pais, não como castigo, mas sim como alternativa. Um exemplo: “vou limpar o seu quarto. Se houver brinquedos no chão, não vou poder fazer isso, portanto, se você não os recolher, vou guardá-los no sótão”.

Ainda que se trate de um método incerto, apresenta vantagens em relação ao resto já que, por um lado, responsabiliza a criança por seus próprios comportamentos. Por outro lado, permite a ela tomar as próprias decisões sobre o comportamento mais adequado, facilitando a compreensão das ações dela de modo mais amplo, impessoal e social.

As 8 noções básicas do método

Muitas vezes, ao tentar aplicar essa técnica de maneira equivocada, nós pais recaímos em um tipo de castigo indireto. Por isso, é preciso levar em consideração os seguintes princípios fundamentais para criar de maneira adequado o nosso filho apelando a essa alternativa ao castigo.

  1. Manter uma relação afetiva entre pais e filhos, de respeito mútuo e estímulo.
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Foto cortesia de inspirulina.com
  1. Ser firme e carinhoso, ambas as coisas ao mesmo tempo. O tom de voz pode indicar o carinho enquanto que a firmeza se vê presente na vontade de agir.
  2. Abster-se de superproteger para permitir que a criança experimente as consequências das decisões delas e evitar assumir as responsabilidades.
  3. Ser consciente a fim de atuar sempre com igual critério.
  4. Estimular a independência evitando fazer aquilo que a criança pode fazer por conta própria.
  5. Não sentir pena porque é uma atitude negativa, pelo fato de indicar que a criança é fraca e incapaz de resolver problemas. Pelo contrário, a compreensão promove a força.
  6. Falar menos e agir mais. Só assim você vencerá a “surdez do pai”. Um tom amistoso vai predispor da melhor maneira a criança na hora de ouvir.
  7. Evitar brigar ou se render. Você deve fixar limites e permitir que a criança decida como responder a eles, sem provocar uma briga. Você tem que estar disposto a seguir as consequências lógicas que derivam dessa decisão.