Como negociar com seus filhos de acordo com a idade deles

· 31 de outubro de 2016

É provável que seu filho chore ou reclame mais do que você espera, ou que tenha comportamento inadequados como brigar com outra criança ou não querer emprestar seus brinquedos. Fique calmo! Todos os conflitos têm solução; sempre é possível negociar.

A psicóloga Rosa Jove, autora de livros como: Dormir Sin Lágrimas, La crianza feliz y Ni rabietas ni conflictos, esclarece que quando uma criança está incomodada ou irritada, só busca satisfazer as suas necessidades não atendidas.

“ Essas manhas são as ideias próprias da criança confrontadas com o que os seus pais querem: ela não entende o que acontece, se ilude e explode emocionalmente”, afirma a especialista, que recomenda aos pais, em primeiro lugar, compreender a criança.

E tranquilize-se de novo: saiba que à medida que seu filho cresce, essa manha passa; mas, os conflitos familiares continuam fazendo parte da convivência, e ele deve aprender a lidar com isso.

Independentemente da idade, explica Jove, os pais devem ver o conflito como uma oportunidade de aprendizado, pois esses são uma parte essencial de seu processo de crescimento.

Fase das ideias incompreendidas

É uma fase que abrange a faixa etária de 0 aos 20 meses de idade, e pode se manifestar, por exemplo, quando o bebê se incomoda com a fralda, incômodo que ele expressa através da única linguagem que dispõe: o choro e a queixa.

É difícil saber por que um bebê chora, pondera Jove, que convida você a investigar, testando para ver o que acontece. As causas mais frequentes costumam ser fisiológicas: fome, sono, fralda suja, algum incômodo com a roupa, coceira.

Se não for isso, ela propõe que você fique ao lado da criança. Também recomenda que a mãe amamente a criança.

“A produção de leite pela mãe é um calmante único para a criança nesse período. Além de resolver o problema da fome, atende a necessidade da criança de ter contato com a mãe”.

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Os terríveis 2 anos de idade, difíceis de negociar

Na maioria dos livros de psicologia existe um capítulo que se intitula: “ A idade do Não”, “ Os terríveis 2 anos de idade”, “ A idade da manha”; por ser essa idade quando normalmente acontece a manha.

A manha costuma acabar antes dos 5 anos de idade, e começa porque a criança está começando a experimentar a sua independência.

“O único problema é que isso implica em um conflito emocional importante para as crianças porque, como os pais não entendem o que está acontecendo e normalmente se incomodam com eles, notam que estão enfrentando seres que querem contumaz e isso provoca neles sentimentos contraditórios”, descreve a psicóloga infantil.

Jove em um dos capítulos de seu livro, La crianza feliz, resume o que fazer:

No caso do surgimento da manha, convém aplicar a técnica dos três passos: primeiro, compreender a criança; segundo, educá-la e explicar a ela o que se espera dela, e terceiro, deixa-la escolher suas próprias soluções.

Aqui deixamos para você um diálogo que exemplifica a técnica dos três passos:

– Mamãe: Meu amor, chegou a tia Marta. Vem dar um beijo nela.

– Criança: Não quero.

-Mamãe: Poxa, parece que não quer dar um beijo na tia Marta. (Passo nº1, compreensão: reconhecemos seus sentimentos).

-Criança: Sim.

– Mamãe: Quando as pessoas visitam a casa de outra dá a ela boas-vindas, mesmo que nesse momento não tenha muita vontade, você sabia disso? (Passo nº2, educação: explicamos a ela que isso é o que se espera dela ou o que acontece).

-Criança: Não. (E se disser sim, dá no mesmo).

_ Mamãe: O que podemos fazer para que a tia Marta se sinta bem sem seu beijo nela? (Passo nº 3, deixamos a criança escolher uma opção. Também podemos dar duas opções, dentre as quais ele terá que escolher).

-Mamãe: Como solucionamos isso? vamos, então, dar um beijo de boas-vindas na tia Marta ou você manda um beijo na porta, enquanto diz para ela: Olá?

-Criança: Vou dizer olá e vou mandar um beijo.

-Mamãe: Acho que você encontrou uma boa solução.

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A partir dos 5 anos de idade em diante

A partir dos 5 anos de idade adiante surgem problemas de convivência, que são normais e inevitáveis em todas as famílias.

Para lidar com eles, aconselha, é melhor seguir um conjunto de discussões democráticas no ambiente familiar, nas quais todos possam participar e se sentir escutados. Para solucionar os problemas a curto-prazo é melhor seguir a técnica dos três passos.