Icterícia em recém nascidos

31 de outubro de 2016

A icterícia é um transtorno frequente em recém nascidos. Por sorte, na maioria dos casos trata-se de uma condição temporal e inofensiva que desaparece rapidamente. Mas, no que consiste e como podemos detectá-la e tratá-la? Fique por dentro neste artigo.

Meu bebê, em seus primeiros dias de vida, tem a pele amarela, isso é normal? Sim, e é provável que se trate de uma icterícia. Não se preocupe, é uma condição temporal e inofensiva muito comum em recém nascidos, algo que desaparece na segunda semana por si só ou com um leve tratamento.

Ao redor de 50 ou 60 por cento dos bebês que nascem apresentam icterícia durante a primeira ou segunda semana de vida. Inclusive, praticamente todos os recém nascidos têm tal condição, mas nem sempre é perceptível.

Apesar de em raras ocasiões ser um motivo de preocupação devido a sua gravidade, é importante ficar atenta a isso. Descubra neste artigo como saber se seu bebê tem icterícia, como tratar o problema e quais consequências que isso pode trazer ao seu filho.

O que é a icterícia?

A icterícia é um transtorno frequente em recém nascidos, relacionado com a cor amarelada da pele e a esclerótica. Ela é causada por um excesso de sangue de bilirrubina, produto resultante da decomposição normal dos glóbulos vermelhos.

Normalmente a bilirrubina é processada no fígado, eliminada em forma de bile e excretada através dos intestinos, nas fezes. Porém, quando é produzida de forma muito rápida e o fígado dos recém nascidos não pode decompô-la e eliminá-la, surge então a icterícia.

Para concluir, a icterícia é o resultado de uma falta de maturação e adaptação do fígado depois da série de mudanças que ocorrem durante os primeiros dias de vida do bebê. A bilirrubina então se deposita em vários órgãos, principalmente na pele, dando-a um tingimento amarelo.

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Como saber se meu bebê tem icterícia?

A icterícia pode ser detectada pelos pais, mas para isso, devem estar atentos a qualquer mudança na coloração da pele, da parte branca dos olhos (escleróticas) e da mucosa oral dos recém nascidos.

Para isso, recomenda-se aos progenitores, como método mais confiável de detecção, a observação atenta do recém nascido sob luz natural ou em um quarto iluminado com lâmpadas fluorescentes.

Se ainda restarem dúvidas, pode-se pressionar suavemente a ponta do nariz, a testa ou o peito da criança. Se ao fazer isso a pele apresentar sua cor natural, não há icterícia, mas se for observado o tom amarelado, entre em contato com um médico.

A icterícia pode prejudicar seu filho?

A realidade é que sim, a icterícia fisiológica pode prejudicar o recém nascido, mas somente quando a bilirrubina alcançar níveis muito altos no sangue tornando-se assim perigosa para a saúde da criança.

Vale esclarecer que o nível de bilirrubina representa um risco para a criança dependendo de sua idade, seu peso e de outras condições médicas associadas. Para conhecer este dado realiza-se um exame de laboratório simples onde só se precisa de uma pequena amostra de sangue.

Porém, para investigar e esclarecer as causas pelas quais a criança tem esse aumento de bilirrubina, existem diferentes exames alternativos que devem ser integrados à história clínica para realizar uma avaliação médica oportuna.

Posso amamentar o bebê com icterícia?

Não existe contraindicação para dar de mamá à criança com icterícia fisiológica, ainda que em ocasiões, sem dúvidas, isso cause um possível prolongamento dessa condição. Se for assim, o pediatra pode recomendar a suspensão temporal do leite materno.

Nestes casos, os especialistas em maternidade assinalam que é conveniente usar bombas de sucção para estimular a produção de leite, para poder posteriormente reiniciar a amamentação com o peito materno.

Porém, é recomendável sempre consultar imediatamente seu médico para que te oriente e se tome as medidas necessárias para diagnosticar e tratar de forma oportuna a icterícia.

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Como a icterícia é tratada?

Caso os níveis de bilirrubina estejam levemente aumentados não é necessário um tratamento especial e inclusive é suficiente uma exposição ao sol diária, por pelo menos 15 a 20 minutos, de preferência atrás de uma  janela.

Opta-se por esse método devido ao fato de que a pele do recém nascido é sumamente delicada, por isso a radiação solar consegue degradar facilmente as moléculas de bilirrubina e ajuda na sua eliminação rápida.

Pelo contrário, se esses níveis são um pouco mais alarmantes, recorre-se a um tratamento chamado fototerapia, indicado e vigiado pelo pediatra. Para isso, utilizam-se lâmpadas especiais, por isso a criança deverá permanecer no hospital por alguns dias.

Raramente recorre-se à mudança do sangue da criança para eliminar a bilirrubina visto que este procedimento está restringido a condições especiais. Esta intervenção deve ser realizada em um hospital e sob ordens de um pediatra.