Medidas para diminuir o risco de morte súbita em bebês

· 31 de outubro de 2016

Há algumas estratégias que podem ajudar a prevenir a síndrome da morte súbita do lactante, entre estas figuram dar peito ao bebê, deixá-lo usar a chupeta, que a temperatura do quarto do bebê seja muito fresca, vacinar seu filho, deitar a criança de barriga para baixo e compartilhar o quarto com o bebê.

Um dos fatos mais desesperadores que pode acontecer com qualquer mãe ou pai é perder seu filho para a síndrome da morte súbita do lactante (SMSL); a criança, cuja saúde saltava aos olhos é encontrada morta em sua cama.

Este diagnóstico é usado quando uma criança menor de um ano morre repentinamente e não se pode determinar uma causa exata de sua morte mesmo depois de fazer uma investigação médica e legal exaustiva, incluindo uma autópsia.

As estatísticas expostas no Livro Branco da Morte Súbita, difundido pela Associação Espanhola de Pediatria, referem que na Espanha morrem anualmente ao redor de 900 lactantes por SMSL.

Esta síndrome também é a causa principal da morte de bebês entre 1 mês e 1 ano de idade nos Estados Unidos. Aproximadamente 2.300 bebês morrem por SMLS nos Estados Unidos a cada ano.

A morte súbita afeta com mais frequência bebês que têm entre 1 e 4 meses de idade, e em 90% dos casos a bebês com menos de 6 meses.

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Porque acontece?

A maioria dos especialistas acredita que quando um bebê tem uma vulnerabilidade subjacente (por exemplo, um funcionamento anormal ou imaturo do coração ou de seu aparato respiratório), está exposto a certos fatores de risco (como dormir de barriga para baixo ou com roupa de cama mole ou acolchoada) durante um período crucial de seu desenvolvimento.

Mas a verdade é que ainda não encontram fundamento científico para explicar porque as crianças morrem subitamente. O que é certo é que não se trata de fatos isolados ou pouco frequentes, por isso um grupo de pediatras desenvolveu algumas estratégias para evitar que esta síndrome afete seus filhos.

Uma delas é colocar o bebê para dormir em decúbito dorsal, isso quer dizer que a criança deve estar de barriga para cima.

Isso contradiz o que nossas mães e avós sempre nos disseram, nos recomendam colocar a criança para dormir de barriga para baixo ou de lado para evitar que sufoque no líquido de um vômito; e ainda que alguns pediatras continuem aconselhando isso, a ciência diz o contrário.

No ano 2000 a Academia Norte Americana de Pediatria (AAP, da sigla em inglês) revisou suas recomendações anteriores para reduzir o riso de morte de berço: as pesquisas recentes demonstraram que a posição mais segura para pôr o bebê para dormir é de barriga para cima.

Quando um bebê dorme de barriga para baixo tem mais probabilidades de se reaquecer, de ter pausas na respiração, e de voltar a respirar o ar que foi recém exalado, que é pobre em oxigênio.

“Um grupo de pesquisadores descobriu que os bebês que tinham falecido por morte súbita tinha níveis de serotonina no talo encefálico mais baixos do que o normal. A serotonina regula a respiração, o ritmo cardíaco e a pressão sanguínea enquanto dormimos. Os especialistas continuam estudando o cérebro, o sistema nervoso autônomo e a genética procurando respostas”.

Journal of the American Medical Association

Os conselhos da AAP:

  • Posição em decúbito dorsal para dormir (sobre as costas).
  • Uso de uma superfície (colchão) dura.
  • Aumentar ou favorecer a amamentação materna.
  • Compartilhar o quarto com o lactante, mas não a mesma cama.
  • Vacinar o bebê.

Outras recomendações

Ao considerar o uso da chupeta, se mostra favorável como um fator protetor frente à SMSI.

Também há necessidade de evitar cobertores moles no berço, almofadas ou mantas com risco de sufocamento, além de manter uma temperatura adequada, evitando o calor excessivo no quarto.

Evitar a exposição ao cigarro, em todas as suas formas: ativo, evitando ou desaconselhando que a gestante fume, e passivo, que alguém fume no ambiente em que a criança está.

Do mesmo modo, é desaconselhável o consumo de álcool e/ou qualquer outro tipo de droga por parte dos pais.

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Compartilhar a cama

Uma das recomendações dos pediatras é compartilhar o quarto com o bebê para prestar-lhe mais atenção, mas não aconselha compartilhar a cama, mas este último ponto ainda é discutido.

Há culturas e especialistas que são a favor da criança dormir com o adulto, geralmente na cama e com a mãe, com frequência e por muitas horas.

Essa é uma prática ancestral muito estendida entre os humanos que deixou de ser praticada nos países do ocidente desde os últimos 200 anos, argumentando, sem provas, que uma separação precoce da mãe favoreceria uma autonomia maior da criança.

Este costume é muito arraigado no Japão, Hong Kong, imigrantes de Bangladesh em Londres, em cujas culturas o SMSL tem incidência muito escassa.

Alguns estudos afirmam que compartilhar a cama melhora a estabilidade respiratória, a oxigenação, a termorregulação ou o aumento da temperatura do bebê e faz com que ele acorde em horários sincronizados com os da mãe.

Além disso, aumenta a independência e melhora o desenvolvimento psicológico das crianças e não dá nenhum dos pretendidos problemas de conduta ou de personalidade.