Não aos gritos. Consequências e alternativas

· 31 de outubro de 2016

Há muitos anos se defende que não é necessário agredir fisicamente as crianças para discipliná-las. Dizer não para os gritos e os berros deve ser um lema voltado ao fortalecimento da relação entre pais e filhos. Atualmente, a violência verbal é uma alternativa perigosa que pode trazer inclusive consequências legais.

Muitas vezes, tanto os pais como os filhos se expressam por meio de gritos, principalmente com o objetivo de demonstrar irritação por não poder exercer controle total sobre o outro. Entretanto, perder a paciência e se deixar levar pelas emoções do momento é prejudicial para todos. Além disso, estimula a criança a se colocar em posição de defesa ou repetir a mesma atitude.

Não estamos falando de gritos que se ouvem quando uma mãe avisa que seu filho corre perigo. Falamos de gritos que são usados para disciplinar as crianças de alguma maneira.

Os pais que gritam

É comum que esse tipo de ação seja visto em casais que tiveram a mesma educação quando crianças. Em geral, esses pais e mães se defendem dizendo: “minha mãe gritava comigo o dia todo e não aconteceu nada comigo”, “o fato do meu pai gritar não me transformou em uma pessoa má” ou “meus pais me diziam que essa era a melhor maneira de educar”.

Em consequência disso, é comum que os pais que se acostumaram a gritar para repreender também gritem para educar. Eles também tendem a se fazer de vítimas, fazendo seus filhos acreditar que são infelizes devido às ações dos pequenos. Assim, eles adotam uma postura passivo-agressiva para infligir medo às crianças.

Consequências dos gritos, alternativas e soluções

Consequências dos gritos

  • Produz estado nervoso e desequilíbrio emocional nas crianças. Apesar de discipliná-las, os gritos provocam um medo constante. As crianças podem chegar a acreditar que correm o risco de sofrer agressões físicas, o que as deixam em um estado de alerta constante. Elas passam a ficar sempre nervosas e com medo de seus próprios pais.
  • Gritos constantes perdem o efeito. Se os pais passam grande parte do tempo gritando em todas as situações de estresse, em longo prazo perderão a autoridade e é provável que os filhos percam o respeito por eles.
  • As crianças se espelham nessa atitude. Desde o nascimento, os pais representam um modelo a seguir para seus filhos, pois são os únicos símbolos de autoridade e respeito que têm constantemente. É por isso que eles irão copiar em tudo que puderem do comportamentos dos pais. Se os pais gritam, eles também gritarão quando tiverem oportunidade.
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  • São uma forma de maus-tratos. Os maus-tratos na infância são uma forma de agressão física, verbal ou psicológica. Nesse caso, gritar com as crianças por tudo, inclusive para discipliná-las representa uma forma de ataque por causa das consequências que acarreta.
  • Os pais ficam mal frente à sociedade. Os pais que costumam gritar são vistos de forma negativa pelos seus vizinhos, colegas, familiares e outros indivíduos. Normalmente são tachados com apelidos desagradáveis e as pessoas perdem o respeito por eles.

Não aos gritos. Alternativas

Sem dúvidas, em alguns casos as crianças podem chegar a encher a paciência de seus pais. Pode ser que seja somente para chamar atenção ou por uma questão de criação. Entretanto, existem várias alternativas para evitar recorrer a esse mau hábito:

  • Refletir. É importante que os pais não se deixem levar pelas emoções do momento; recomenda-se respirar profundamente e pensar de forma objetiva. Também é importante canalizar a raiva ou a frustração com atividades que contribuam para o bem-estar, como por exemplo, fazer yoga.
  • Dar um tempo. Às vezes, a dinâmica do cotidiano deixa os pais em um estado de grande irritação. Divididos entre o trabalho e as tarefas domésticas, o tempo de descanso diminui. É importante que os pais tenham seu tempo livre e de diversão. Também é essencial dormir o suficiente para evitar ficar irritado por esse motivo.
  • Ensinar seus filhos a dialogar. Independentemente da idade as crianças devem ser ouvidas e devem poder expressar seu ponto de vista e sentimentos. Recomenda-se que os pais ensinem aos seus filhos que o diálogo é a maneira ideal de resolver os conflitos.
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  • Nem sempre os pais têm razão. Como seres humanos, os pais estão sujeitos a erros. Pedir desculpas pelos erros é um bom exemplo. Assim, as crianças conseguem perceber que os pais não são os donos da verdade.
  • Tentar métodos diferentes de disciplina. Há diversas formas alternativas. Evitar as opções mais agressivas para disciplinar as crianças sempre é a alternativa correta.