O uso de tablets e smartphones pode ocasionar lesões nas crianças

· 14 de abril de 2017

O uso dos tablets e smartphones pode ocasionar lesões nas crianças de maneira irreversível, sejam essas em nível físico ou psíquico. Isso se deve ao fato de que a infância é a fase mais ativa do ser humano no que se refere às atividades cerebrais e psíquicas.

Freud denominou isso de “impulso epistemofílico” ou “pulsão do saber”, isto é, a aptidão para a sublimação da pulsão sexual por parte da criança, quer dizer, a capacidade que tem a pulsão sexual de substituir seu objetivo imediato por outros.

Freud prossegue dizendo que esse impulso aparece precocemente no desenvolvimento da criança (entre 3-5 anos de idade) e gira em torno da descoberta das diferenças anatômicas, de entender as origens delas, da vida sexual dos pais, culminando com o interesse pelo próprio nascimento delas. Quem ainda não encontrou uma criança que fica perguntando constantemente o porquê das coisas?

Esse impulso por conhecer colide com o mundo adulto. A criança, por volta de 3 anos de idade, quebra seus brinquedos, molha a casa, toca em tudo o que é dos pais; você sabe do que eu estou falando, não é?

O uso de tablets e smartphones, ou das chamadas novas tecnologias trouxe a sedutora possibilidade de “acalmar os nossos filhos”. Além disso, essa tecnologia é portátil, diferente da televisão, que só tinha essa função dentro de casa.

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Essa possibilidade é muito útil, principalmente na vida moderna, ou mais precisamente, na urbana. Vivemos trancados em apartamentos, papai e mamãe, temos que limpar trabalhamos, cuidamos de nossos filhos, do casal, de nós mesmos, pagar a hipoteca…

Fora de casa, pode ser mal vista uma criança que se movimenta demais. Existem muitos restaurantes que não toleram crianças. A maternidade experimenta muita solidão hoje em dia, assim as crianças costumam acompanhar os pais a todos os lugares: não há mais aquela vizinha que fique com elas enquanto vamos ao médico.

Uma criança educada passa a ser muito valorizada. Obviamente, todos nós queremos crianças bem-educadas. O que acontece é que estamos depositando expectativas nas crianças, que conforme a idade delas, não são reais.

As crianças gritam, se movimentam, correm, se nós não nos acalmarmos e não as aceitarmos elas como são, de acordo com a idade delas, e insistirmos em suprimir sua “pulsão de conhecer”, corremos o risco de sufocar a motivação delas pelo aprender mais adiante.

Isso não quer dizer que temos que nos sentar e ficar vendo os nossos filhos com o “impulso epistemofílico” deles; deixar a casa de pernas para o ar, mas sim tolerar que vivam o processo deles e que também que nos tirem do mundo adulto.

Qual é então a grande lesão que o uso de tecnologia podem causar às crianças de acordo com a idade delas?

Além dos problemas físicos tais como:

  • Vista: existem estudos que afiram que há casos de miopia em crianças de 3 anos de idade, coisa que anos atrás era bastante raro.
  • Problemas com a radiação dos aparelhos: a OMS considera que os celulares geram risco devido à exposição à radiação a qual está submetido o usuário.

O grande absurdo que representa para uma criança na idade em que está mais ativa na vida dela, mais aberta ao aprendizado, que o cérebro está no máximo da capacidade dele de absorção de informação; é ela ficar hipnotizada por uma máquina sem emoções, a qual lhe passa informações de maneira desorganizada e que a deixa fisicamente parada e psiquicamente passiva, isso é a grande fonte de prejuízo para ela.  

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Sem considerar as consequências físicas enumeradas acima, todas as outras derivam desse absurdo.

Alguns exemplos são:

  • Os possíveis atrasos cognitivos: consequência da limitação do movimento
  • A obesidade infantil: por causa do sedentarismo que implica o uso desses aparelhos
  • As alterações no sono: já que a limitação do movimento faz com que a criança não gaste a energia dela, aquilo que precisa gastar, além da excessiva exposição à estimulação visual.
  • Transtornos como o déficit de atenção: o déficit de atenção ocorre porque as atividades dão a elas um tempo muito reduzido de realização, não desenvolvendo a capacidade de concentração.
  • Vício infantil: limitar o uso de tais aparelhos como aconselham os especialistas nas idades de 3-5 anos causa muita raiva nos baixinhos, pelo fato de que as atividades são altamente viciantes.

O mais aconselhável é não utilizar as novas tecnologias para crianças menores de 7 anos de idade, pois até essa idade fica muito difícil limitar esse tipo de atividade a 30 minutos, com pausa de 15 minutos, que é o que aconselham os especialistas. Para os adultos, é preciso utilizá-las de forma reduzida. Mas, ainda assim, tiramos horas de produtividade fundamentais para o crescimento dela. No entanto, cada qual que escolha o que quiser para os seus filhos.