Eu sou uma mãe naturalmente capacitada?

· 31 de outubro de 2016

O fato de você ser responsável pela sobrevivência e o desenvolvimento de um bebê tem tanto poder que é inevitável você se perguntar se estamos preparadas para ser mães. Poucas perguntas são tão importantes e tão poderosas como essa.

De fato, eu diria que não há dúvida mais inquietante que essa, pois coloca em xeque não só nosso funcionamento biológico, mas sim nossa competência como ser humano. Angustia-nos pensar na possibilidade de que a natureza nos tenha dotado da capacidade de criar e garantir um bom crescimento e educação para os nossos filhos.

Aos poucos quando observamos outros mamíferos como os cachorros ou os gatos nos maravilhamos da sua capacidade instintiva para cuidar dos bebês. Todas nós desejamos estar dotadas desse instinto maternal que nos permita manter protegidos os nossos filhos, porque temos a consciência de que chegará o momento em que será necessário recorrer a ele quando o que aprendemos previamente não seja suficiente.

Esse desejo se torna uma espécie de medo que nos mantêm preocupadas especialmente durante aquelas fases nas quais nossos filhos precisam mais de nós.

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Os medos maternos: tão normais quanto necessários

“Preocupam-me coisas que nunca antes haviam feito. É como se tivesse surgido antenas cuja função é detectar possíveis perigos que possam causar mau a minha filha. Talvez eu deveria atender ao seu chamado, talvez, às vezes, eu deva dar mais a ela de mamar, talvez necessite mais de roupa. Às vezes estou deitada e de repente penso não cobri ela bem ou que alguma coisa poderia cair sobre seu berço…”

Vocês se identificam com isso? Provavelmente em parte sim. Ter medo de que algo que rodeia nossos filhos é ruim, é algo totalmente normal. De fato, é uma das funções mais importantes na hora de nos mantermos vigilantes diante dos perigos que rodeiam nossos filhos.

A mãe que age motivada por esses “medos positivos” reduz a possibilidade de acidentes, descuidos ou erros que podem ser fatais para a criança. Por exemplo, devemos ter especial cuidado com os perigos representados pelas mesas altas, os berços baixos, as tomadas, os objetos pontiagudos, etc…

Por isso, de certo modo, nos mantermos vigilantes diante daquilo que gera medo é uma boa resposta maternal, pois os medos são em grande parte uma forma natural de garantir a sobrevivência do filho.

Contudo, embora a pressão psicológica seja muita, é de suma importância que esses medos não sejam incapacitantes e que permitamos a nossos filhos explorar para que se sintam saudáveis e felizes em seu lugar no mundo.

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O cansaço, outro inimigo natural

O certo é que há fases nas quais nossos filhos recorrem muito a nós, por isso o cansaço se acumula. Isso acontece porque grande parte da possibilidade sobre o filho é nossa, sempre há uma parte de nós que está funcionando.

Tanto faz se delegamos tarefas, se fizemos elas ou se simplesmente estamos preocupadas de maneira positiva com algo no entorno de nosso filho; o resultado final é que estamos as 24 horas do dia concentradas no seu cuidado.

Por isso, é importante saber em que consiste esse cansaço, que vai se acumulando e que às vezes é forte. Vejamos quais as razões por trás disso:

  • Todas as crianças são o que nos importa, mas sobretudo o são no seu primeiro ano de vida. Isso gera cansaço, principalmente, por causa da preocupação constante e a falta de rotina.
  • As expectativas sobre as mães desempenham um grande papel no cenário do cansaço. A pressão psicológica que provoca o fato de que se espera que as mães sejam sempre conhecedoras do que se fazer a todo momento, simplesmente esgota as deixam exaustas.
  • Inclusive, quando se delegam tarefas, a responsabilidade última de tudo costuma recair sobre as mães. Isso pode resultar entristecedor, exaustivo e desesperador, isso faz com que uma vez passado o primeiro ano, as mulheres olhem para trás e percebam a fase anterior como uma mancha.

Na primeira fase tudo isso nos fará perceber a realidade como uma mistura desconexa de prazeres, recompensas, preocupações, medos e cansaço. Portanto, a medida em que vá passando o tempo e o bebê vai crescendo sem mais dificuldade iremos descobrindo que superamos essa prova de fogo que tanto temíamos.

Por isso, esse processo de autoconhecimento cheio de dúvidas e de medos se torna a base fundamental da atitude mental materna; como consequência confiaremos cada vez mais em nossas capacidades de mãe, uma matéria que temíamos não passar e na qual pouco a pouco nos tornamos especialistas.