Sou mãe, sou mulher e sei quais são minhas prioridades

· 1 de dezembro de 2018
A sociedade sempre se encarrega de colocar diversos rótulos sobre nós, desde que chegamos ao mundo: somos filhas, irmãs, o casal perfeito, amigas, trabalhadoras, fortes, bonitas, valentes e, às vezes, até vulneráveis.

Ser mulher implica ter que escutar as mais variadas rotulações e os mais variados termos. Entretanto, o que conta, o que mais vale é aquele com que nós mesmas nos definimos: “sou mãe”.

Esta é sem dúvida a definição que nos deixa mais orgulhosas. Contudo a expressamos e a sentimos também com uma pincelada de adequada humildade por uma razão muito simples: sabemos que não somos perfeitas.

A maternidade é um processo de crescimento contínuo no qual nunca deixamos de aprender. Um período no qual a mulher deve assumir certos erros para corrigir, no qual sempre somos receptivas às necessidades de nossos filhos.

Eu gostaria de ser a mãe ideal, porém estou muito ocupada criando meus filhos

-Jane Sellman-

Somos, além disso, mulheres que aprenderam a amar a si próprias. Somos mães que têm suas prioridades muito claras porque passamos por uma série de situações, momentos e dificuldades das quais obtivemos ensinamentos e reflexões.

Tudo isso nos confere uma bagagem excepcional, valor acrescentado que não se vê, porém se sente e que uma mãe percebe.

Com tudo isso, queremos deixar claro algo muito simples. Para além do que a sociedade diga das mulheres, dos rótulos que gostem de nos colocar a cada instante, somente uma opinião tem valor: a nossa.

Você não é perfeita, mas é IMPORTANTE

sou mãe

Carl Gustav Jung dizia em seus estudos que todos nós seres humanos nascemos com uma capacidade inata para reconhecer a nossa mãe. O que esperamos encontrar nela não é somente o alimento, é proteção, afeto e cuidado.

Jung definia esse instinto natural como parte de nosso inconsciente coletivo, como um aprendizado que todos compartilhamos como espécie e que faz com que, logo após chegar ao mundo, busquemos essa figura tão significativa.

Agora, apesar de até o momento não ter sido possível demonstrar cientificamente a existência desse tecido psíquico onde habitam os arquétipos clássicos do psiquiatra suíço, o que a neurociência diz é que o bebê tem a capacidade natural de reconhecer sua mãe e entender que sua sobrevivência depende dela.

Obviamente, a figura do pai é igualmente importante e essencial. Contudo, o cérebro da criança está intimamente vinculado à mãe, de maneira que essas primeiras experiências, essa primeira impressão baseada em um apego seguro e significativo, garantirá, sem dúvida, seu adequado desenvolvimento e sua estabilidade emocional.

sou mãe

Assim, você não deve nunca duvidar da sua importância como mãe. Você pode ser falível em muitos outros aspectos e imperfeita em algum aspecto de sua vida.

Entretanto, para essa pequena criatura que acaba de nascer, você significa tudo. Você é seu mundo, seu sustento, sua pele morna onde se sente seguro. Enfim, você é seu melhor refúgio.

Mães imperfeitas que vivem em mundos reais

Existe um livro muito divertido intitulado “A mãe imperfeita: confissões sinceras de mães que vivem no mundo real” de Therese J. Borchard.

Nele, são contadas histórias e situações tão complicadas, hilariantes e desesperadas com que as mamães e também os papais se identificarão.

Uma das histórias que podemos encontrar é a do próprio filho da autora. Quando tinha 4 anos de idade, empurrou outra criança para dentro das águas da Baía de Chesapeake, na Virgínia, Estados Unidos.

A outra criança, de 5 anos ficou somente encharcada, não houve maior gravidade. Contudo, a partir desse dia, Therese J. Borchard deixou de ser a mãe ideal para ser a mãe de um “pequeno psicopata”.

Assim a definiram durante um bom tempo, até que conseguiu recuperar seu status de boa mãe entre a comunidade de preocupados pais incapazes de compreender o comportamento pontual e irreflexivo de uma criança de quatro anos.

Jamais encontrarás na vida ternura melhor e mais desinteressada que a de sua mãe.

-Honoré de Balzac-

O livro também fala da consciência que às vezes pesa por não poder passar mais horas com os nossos filhos ou porque em certas ocasiões cedemos a suas chantagens e compramos para eles aquilo que nos pedem ou cozinhamos algo nada saudável que nos pedem insistentemente.

sou mãe

Em suma, são realidades cotidianas que, em certas ocasiões, nos fazem duvidar de nós mesmas, nas quais nos sentimos péssimas mães.

Quando, na realidade, cada ato, cada concessão, cada preocupação e, principalmente, cada coisa que fazemos, responde exclusivamente ao amor infinito e incomensurável que dedicamos a eles.