A importância de dar voz aos estudantes

31 de agosto de 2019
As crianças têm suas próprias opiniões e pensamentos, os quais devemos escutar e levar em consideração. A seguir, vamos explicar em que consiste dar voz aos estudantes na escola.

O sistema educacional tem a oportunidade de poder formar pessoas, não apenas academicamente, mas também em relação aos valores. Portanto, a escola é um lugar ideal para criar um sociedade melhor no futuro. Mas, para alcançar esse objetivo, é preciso escutar as crianças e conhecer suas opiniões. Por esse motivo, neste artigo vamos falar sobre a importância de dar voz aos estudantes.

Nós temos o dever de ensinar as crianças, mas também precisamos aprender com elas. Por isso, devemos escutar ativamente nossos pequenos. Assim, poderemos descobrir como eles enxergam o mundo, quais são seus pontos de vista e quais preocupações têm.

O que significa dar voz aos estudantes?

A expressão “dar voz aos estudantes” talvez seja um pouco desconhecido em nosso país, mas é frequentemente utilizado em outras partes do mundo, principalmente em países de origem anglo-saxã. Esse conceito faz referência a todas as iniciativas que têm o objetivo de aumentar o protagonismo e a participação dos estudantes em certos aspectos do ambiente escolar.

dar voz aos estudantes

Para isso, é preciso proporcionar às crianças meios e fins que lhes permitam escolher mais e evitar que tenham um papel passivo em sua própria educação e aprendizagem. Ao mesmo tempo, vale destacar que se deve dar voz a todos os estudantes, sem fazer discriminações com base em:

Visto que todos os estudantes, independentemente de suas características ou capacidades, têm opiniões, é preciso dar-lhes a oportunidades de serem escutados.

Atividades para dar voz aos estudantes

Dar voz aos estudantes é uma prática que permite a participação das crianças nas melhorias da escola e serve como ferramenta de mobilização para mudanças que os centros educacionais realizam para conseguir proporcionar uma educação inclusiva e democrática.

Algumas atividades que os docentes podem colocar em prática para dar voz aos estudantes são:

  • Ações consultivas: caixa de sugestões, votações, painéis de reivindicações, etc.
  • Role-playing: realizar dinâmicas de grupo baseadas em encenações.
  • Lego Serious Play: com peças de construção são representadas as soluções para determinado problema.
  • Mapeamento social ou cartografia participativa: representar por meio de um mapa, com vários elementos gráficos, os problemas e as soluções.

Nova mentalidade do corpo docente

Dar voz aos estudantes nas escolas exige uma mudança de mentalidade do corpo docente na hora de assumir seu papel de mediador da educação. Portanto, é preciso deixar para trás a metodologia de ensino tradicional, na qual o professor é o centro da atenção e o aluno mero receptor de informações.

Ao mesmo tempo, os docentes devem deixar de lado a costumeira postura autoritária e permitir que os estudantes participem da vida escolar para que desenvolvam sua autonomia pessoal, assumam responsabilidades e se tornem pessoas seguras de si mesmas.

 “O objetivo da educação é formar seres capazes de governar a si mesmos, e não para serem governados pelos demais”.

– Herbert Spencer –

dar voz aos estudantes

Em conclusão…

É preciso implementar nas escolas uma educação inclusiva que promova a voz dos estudantes, a convivência positiva e o apoio educativo adequado para realizar mudanças e melhorias no âmbito escolar. Portanto, é preciso motivar as crianças a participar. Nesse sentido, vale destacar a seguinte frase:

 “A participação implica aprender, brincar ou trabalhar em colaboração com outros. Trata-se de poder fazer escolhas e ter algo a dizer sobre o que fazemos. Mais profundamente tem a ver com ser reconhecido e aceito por nós mesmos”.

– Booth e Ainscow –

Mas a participação das crianças não deve ser reduzida ao contexto educativo. Elas deveriam ser escutadas dentro da comunidade à qual pertencem.

Por fim, pode-se afirmar que o ato de promover a participação e dar voz aos estudantes é benéfico para conseguir sua posterior participação ativa na sociedade.

 “A escola deve ser um lugar no qual as crianças aprendem a se expressar livremente”.

  • Booth, T. y Ainscow, M. (2015). Guía para la educación inclusiva: desarrollando el aprendizaje y la participación en los centros escolares. Madrid: OEI.
  • Fielding, M. (2011). La voz del alumnado y la inclusión educativa: una aproximación democrática radical para el aprendizaje intergeneracional. Revista Interuniversitaria de Formación de Profesorado, 25(1), 31–61.
  • Susinos, T. (2012). Las posibilidades de la voz del alumnado para el cambio y la mejora educativa. Revista de Educación, (359), 16-23.
  • Susinos, T. y Ceballos, N. (2012). Voz del alumnado y presencia participativa en la vida escolar. Apuntes para una cartografía de la voz del alumnado en la mejora educativa. Revista de Educación, (359), 24-44.