Os apelidos podem acabar se transformando em bullying

16 Novembro, 2020
Os apelidos que muitas crianças usam para provocar os colegas podem acabar se transformando em bullying. Quando uma criança os utiliza com o objetivo de prejudicar, eles deixam de ser uma piada.

Às vezes, usamos apelidos ​​para nos referir a algumas pessoas. Eles se concentram em uma característica específica ou são usados simplesmente porque a família, por exemplo, era conhecida por esse apelido. Muitas vezes, os apelidos em crianças não têm uma intenção negativa, embora acabem incomodando quem os recebe.

Os apelidos, na maioria dos casos, procuram evidenciar um defeito físico ou comportamental, podendo incomodar e ofender o destinatário, e há crianças que os utilizam para rir e magoar os outros. Quando feito de forma contínua, isso pode acabar se transformando em bullying.

Quais podem ser as consequências dos apelidos? Quando os apelidos se transformam em bullying? O que se pode fazer diante dessa situação? Se você quiser saber mais sobre esse assunto, continue lendo. Não perca!

Consequências dos apelidos em crianças

Embora esses apelidos, a princípio, não tenham a intenção de servir como bullying ou de prejudicar o outro, em muitas ocasiões, eles produzem consequências negativas que podem piorar cada vez mais se não houver alguma intervenção.

Os apelidos em crianças podem acabar se transformando em bullying

Algumas dessas consequências podem ser:

  • Fracasso escolar. As crianças que recebem apelidos e que acabam sendo motivo de riso perdem o interesse por estudar e não querem ir à escola.
  • Baixa autoestima. Um apelido rotula a criança e ela acaba acreditando nisso, ou seja, o apelido é visto como uma identidade. Por esse motivo, as crianças passam a ter uma imagem distorcida e negativa de si mesmas.
  • Atitude passiva diante do assediador. Elas não se importam mais com nada nem ninguém e adquirem uma atitude passiva diante de todos.
  • Pode levar à depressão. As crianças se sentem mal, deixam de se amar, perdem o interesse por tudo o que gostavam, não confiam em ninguém, podem parar de comer ou, pelo contrário, comer compulsivamente, e não querem mais sair.
  • Podem aparecer fobias. Fobia de sair de casa, de ir para a escola, um medo excessivo de quase tudo.
  • Problemas para dormir. Pesadelos, terrores noturnos, insônia, etc.

Quando os apelidos em crianças começam a ser bullying?

Atualmente, muitos casos de bullying passam despercebidos porque, às vezes, as situações em que os apelidos são usados ​​para magoar não são percebidas. Isso ocorre porque é difícil diferenciar entre o uso do apelido como brincadeira ou para ofender e prejudicar.

Quando esses apelidos são usados pelos pequenos como um intercâmbio social, eles aprendem a administrar as críticas construtivas e a lidar com elas. Geralmente, quando são usados para brincar com um amigo, eles têm um caráter afetivo e são vistos pelo outro de forma positiva. Nesse caso, não há bullying, pois o apelido é utilizado como uma forma de comunicação entre o grupo de pares e são inofensivos.

As coisas mudam e se tornam um problema quando o apelido deixa de ser usado como forma de relacionamento e passa a ser usado para magoar e fazer a “vítima” se sentir mal, enquanto o assediador acaba saindo mais poderoso.

Como diferenciar um apelido usado como uma piada de outro usado para magoar?

  • Se a criança fizer uma piada negativa e o receptor ficar chateado, quem fez a brincadeira geralmente costuma parar. Nesse caso, o apelido estaria sendo usado como uma piada.
  • Se esse apelido continuar a ser usado e a sua intenção for magoar e assustar a criança que o recebe, ele deixa de ser uma piada e passa a ser bullying.

O que podemos fazer diante dessa situação?

Na era das redes sociais, o bullying pode ocorrer com frequência por meio do uso de apelidos, ou humilhações. É difícil para os pais evitarem que os filhos sejam chamados por apelidos depreciativos.

Não podemos controlar o comportamento dos outros ou mudar sua atitude, mas o que podemos fazer é ensinar os nossos filhos a mudar sua forma de reagir diante desses apelidos para que, dessa forma, os “brincalhões” parem de achar que provocá-los seja divertido. Vamos ver algumas coisas que podemos fazer.

Aumentar a comunicação com o nosso filho

comunicação com a criança é fundamental e podemos fazer algumas perguntas para verificar qual é a sua situação, tais como:

  • Quem te deu esse apelido?
  • Como você se sente ao ouvir esse apelido?
  • Com que intenção você acha que te deram esse apelido?
  • Você já disse que não gosta que digam isso de você?
  • Como você responde?

Por meio dessas perguntas, podemos saber se o apelido faz parte de uma brincadeira entre o grupo de amigos ou se já se trata de outra coisa.

Os apelidos em crianças podem acabar se transformando em bullying

Diga ao seu filho que ele é uma pessoa especial, única e insubstituível

Somos todos diferentes, porém únicos. Não há ninguém melhor do que ninguém, nem pelo que se tem nem pelo que se é.

Ensine como assumir um comportamento assertivo

Cada vez que receber o apelido, seu filho precisa agir de forma assertiva, sem se mostrar afetado e mantendo a firmeza mental para transmitir aos colegas a mensagem de que não gosta do apelido, como um pedido para que parem de utilizá-lo. É preciso usar um tom de voz calmo, porém firme.

Transmitir confiança para que ele recorra a nós se precisar de ajuda

Se, apesar de implementar as estratégias que demos para lidar com esses comportamentos, ele não conseguir detê-los, temos que fazer com que a criança saiba que pode contar com a nossa ajuda e que sempre pode confiar em nós.

Ajudar a trabalhar a sua autoestima

A maioria dos apelidos é usada para destacar algo particular sobre a aparência física da pessoa ou da criança que os recebe. Por isso, é importante explicar aos pequenos que o seu caráter e sua forma de ser vão muito além do aspecto físico para, dessa forma, fortalecer sua autoestima.

Sobre os apelidos em crianças como uma forma de bullying

Agora você já sabe como os apelidos em crianças podem acabar se tornando uma forma de bullying e o que os pais podem fazer para melhorar essa situação ou para que possam identificar se os apelidos fazem parte de uma piada ou se são algo mais prejudicial.

Nesse sentido, é muito importante estar atento a qualquer mudança no comportamento do nosso filho que possa indicar algo errado e, principalmente, manter a comunicação com ele, pois esta é a base fundamental para que possamos ajudá-lo.

  • Bisquerra, R. (coord). (2014). Prevención del acoso escolar con educación emocional. Bilbao: Desclée de Brouwer.
  • Olweus, D. (1998). Conductas de acoso y amenazas entre escolares. Madrid: Morata.
  • Matamala, A., Huerta, E. (2005). El maltrato entre escolares. Técnicas de autoprotección y defensa emocional. Para alumnos, padres y educadores. Madrid: A. Machado Libros