Bao: um curta-metragem sobre a síndrome do ninho vazio

22 de março de 2020
A protagonista de Bao precisa aceitar que o seu filho está mais velho e independente. Mas, para uma mãe, isso não é nada fácil.

Bao é um pequeno filme de animação que mostra, de uma forma original, as consequências que podem ser produzidas ao parar criar e cuidar dos filhos porque eles saíram definitivamente de casa. Esse curta, que trata da síndrome do ninho vazio, ganhou o Oscar de Melhor Curta-metragem de Animação em 2019.

Curiosamente, Bao é o primeiro curta da Pixar dirigido por uma mulher. A sua criadora, Domee Shi, se encarregou de capturar perfeitamente, em apenas 3 minutos, os sentimentos que uma mãe tem quando o seu filho decide empreender o próprio caminho de maneira independente.

“O importante de uma família não é morar junto, mas sim estar unida”.

-Anônimo-

Bao: um curta-metragem sobre a síndrome do ninho vazio

Bao é protagonizado por uma mulher de origem sino-canadense que se sente sozinha e desanimada. No começo do curta, pode-se ver como a mulher cozinha baos, uma espécie de bolinho recheado no vapor, para comer com junto com o seu marido.

A protagonista de Bao, um curta-metragem sobre a síndrome do ninho vazio
© Becky Neiman-Cobb

Mas, para a sua surpresa, ao tentar morder um deles, ele cria vida e começa a chorar. A partir de então, ela alimenta e cuida do pequeno pãozinho a vapor como se fosse um filho. Ele, pouco a pouco, vai crescendo e exigindo maior liberdade e autonomia. Entretanto, a mãe é excessivamente superprotetora com ele, chegando ao ponto de não deixá-lo jogar futebol com os outros meninos.

Assim, quando chega à fase da adolescência e da juventude, ele fica rebelde e decide não passar tanto tempo com a sua mãe. Isso, para ela, é devastador. Mas o maior problema aparece quando o filho apresenta a sua namorada e anuncia os seus planos de ir morar com ela, deixando, dessa forma, a casa da família.

Tal situação faz a mulher explodir. Assim, ela, em um ataque de tensão, nervos e ira, decide comer o pãozinho a vapor, ou seja, o seu próprio filho. Em seguida, ela se arrepende do que fez e chora desconsolada.

Após isso, podemos observar como a mãe está muito triste no seu quarto. Nesse momento, então, aparece no quarto o seu verdadeiro filho, que não é um bao, mas uma pessoa. Assim, ambos se reconciliam, manifestado o amor que sentem.

Por fim, podemos ver todos os membros da família reunidos, incluindo a namorada do filho, fazendo pãezinhos a vapor. Essa última cena mostra a expressão de satisfação e felicidade de uma mãe que superou a síndrome do ninho vazio.

Família do curta-metragem sobre a síndrome do ninho vazio
© Becky Neiman-Cobb

Algumas reflexões sobre esse curta-metragem de animação

Esse maravilhoso curta de animação nos permite refletir sobre como é importante, para uma mãe, se preparar para a partida de um filho. Para isso, a primeira coisa que deve ser feita é aceitar que isso, em algum momento, vai acontecer.

Assim, leve em conta que as crianças crescem e se tornam jovens e adultos que precisam criar o seu próprio projeto ou plano de vida. No entanto, não temos que ver isso como algo triste e desolador, mas sim como uma etapa a mais da maternidade.

Se uma mãe, durante anos, dedica parte do seu tempo a educar e criar o seu filho da melhor forma possível, certamente é criado um forte vínculo afetivo entre ambos. Esses laços de união permanecem para sempre, até mesmo quando os filhos decidem abandonar o núcleo familiar.

“Cedo ou tarde eles se vão, sendo longa a viagem de ida. Viajarão leves de bagagem, e somente levarão os valores e o amor que você pôde dar enquanto foram seus. Só então a própria vida dirá se o seu legado e ensinamento foram bons. Apenas lembre-se de que cedo ou tarde eles se vão”.

-Joel Tumax Rubin-