Síndrome do desconforto respiratório no recém-nascido

31 Janeiro, 2020
Quando se espera que o nascimento seja prematuro, a mãe geralmente recebe glicocorticoides. Eles ajudam no amadurecimento dos pulmões do feto, reduzindo, assim, o risco de problemas respiratórios no nascimento.

A síndrome do desconforto respiratório (SDR), também conhecida como doença da membrana hialina, é um distúrbio respiratório que ocorre principalmente em recém-nascidos prematuros.

O que é a síndrome do desconforto respiratório?

A síndrome do desconforto respiratório é caracterizada pela falta de surfactante nos pulmões e está ligada à imaturidade pulmonar. Esse agente geralmente é produzido a partir da 34ª semana de gestação.

Mas o que é o surfactante? Trata-se de um líquido composto de lipídios e proteínas que permite que os alvéolos permaneçam abertos para que possamos respirar. A sua função é reduzir a tensão superficial e impedir que eles se fechem com a saída do ar.

Dessa forma, quando há uma deficiência desse surfactante, é necessária uma pressão muito maior para abrir os alvéolos com a entrada do ar. Isso causa uma inflamação dos pulmões e a possibilidade do aparecimento de edema pulmonar. O sangue não fica bem oxigenado e, assim, a disponibilidade de oxigênio no corpo todo diminui.

Síndrome do desconforto respiratório no recém-nascido

A síndrome do desconforto respiratório é a causa fundamental de insuficiência respiratória em recém-nascidos prematuros, principalmente naqueles nascidos antes da 34ª semana. Quanto menor o número de semanas de gestação ao nascer, maior o risco.

Principais fatores de risco

Como já dissemos, o fator de risco mais importante para a síndrome do desconforto respiratório é a prematuridade. Além disso, outros fatores predisponentes para o aparecimento dessa síndrome são os seguintes:

  • Ruptura prematura de membranas.
  • Indução do parto.
  • Nascimento por cesariana.
  • Mãe diabética.
  • Hemorragia durante o parto.
  • Nascimentos múltiplos.
  • Líquido amniótico meconial.

Sintomas

Os principais sintomas que aparecem em um recém-nascido com desconforto respiratório são:  

  • Respiração difícil com gemidos.
  • Aumento da frequência respiratória.
  • Movimento incomum dos músculos peitorais ao respirar.
  • Abertura de narinas.
  • Taquicardia.
  • Cianose: pele com cor azulada.

Algumas das possíveis complicações que podem surgir se não for tratado adequadamente são:

  • Distúrbios metabólicos.
  • Deterioração pulmonar.
  • Hipotensão.
  • Hemorragias intracranianas.
  • Sepse ou infecção.
  • Pneumotórax: acúmulo de ar no espaço ao redor dos pulmões.

Tratamento da síndrome do desconforto respiratório

Classicamente, o tratamento é baseado na administração de surfactante e na aplicação de ventilação mecânica. Para isso, é necessária a intubação endotraqueal.

Síndrome do desconforto respiratório no recém-nascido

No entanto, há cada vez mais apoiadores do uso da ventilação não invasiva. Dessa forma, recém-nascidos menos afetados e com melhor prognóstico, que geralmente são os maiores ou os menos prematuros, podem simplesmente precisar da administração de oxigênio, com pressão contínua, por via nasal.

No entanto, a aplicação precoce de surfactante artificial diminui a letalidade e as complicações. Além disso, também está associada a uma menor necessidade de ventilação mecânica e tempo de intubação.

Os surfactantes artificiais mais usados ​​nesses casos são:

  • Beractanto.
  • Poractanto alpha.
  • Calfactanto.
  • Lucinactanto.

Geralmente, com o tratamento, o prognóstico é muito bom. Graças à ventilação, os pulmões começam a produzir o surfactante por conta própria e, assim, o processo desaparece em alguns dias.

Como isso pode ser evitado?

Quando se espera que o nascimento seja prematuro, a mãe geralmente recebe glicocorticoides, como a betametasona, por exemplo. Eles ajudam no amadurecimento dos pulmões do feto, acelerando, assim, a produção do surfactante.

De fato, antes do parto, é possível avaliar o estado de maturidade dos pulmões analisando o líquido amniótico. Assim, é possível reduzir o risco de desconforto respiratório ao nascer, entre outras complicações.

De qualquer forma, se possível, o parto deve demorar até a 39ª semana ou até que os pulmões sejam considerados maduros. O parto prematuro sempre tem mais riscos associados que é melhor evitar.

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