Consequência da hipersexualização nas meninas

· 23 de julho de 2018
Os meios de comunicação se encarregaram de apresentar as crianças em atividades adultas, maquiadas, usando salto alto e se preocupando com elementos estéticos que não são apropriados para a sua idade. Saiba mais sobre a hipersexualização nas meninas!

A hipersexualização nas meninas é um processo que ocorre nos últimos tempos com muito contundência e aprovação geral. Mas se trata de uma situação arriscada na qual se exalta a sexualidade das meninas inutilmente.

Tanto o vestuário quanto a atitude das meninas tendem a ser sexualizadas de forma ilógica, já que a intenção é que sejam vistas não como crianças, mas como adultas. Dessa forma, ao parecerem ser quem não são, criam uma espécie de objeto para atrair um mercado de moda que deixa esquecida a verdadeira essência infantil.

A moda das crianças hipersexualizadas cresce à medida que as mães começam a se sujeitar à exploração comercial que os meios fazem desse perfil, o que podemos perceber com a criação de concursos e programas baseados no grau de beleza, modelagem, publicidade, performance e qualquer conteúdo nada inofensivo.

Com a aprovação da mãe

É impossível que uma criança comece a ser vítima da hipersexualização sem a aprovação dos seus pais ou sem que a mãe esteja de acordo ou seja cúmplice. Geralmente, é a mãe que sente interesse que a sua filha seja apresentada como princesa. Talvez pelo orgulho de vê-la reluzir mais linda, talvez por tornar real o seu próprio sonho frustrado ou para que simplesmente siga os seus passos.

A verdade é que de qualquer ângulo, é possível estabelecer a principal responsabilidade dos pais. Algo muito grave se estiver relacionado com dinheiro ou se for feito para agradar os caprichos das meninas. No entanto, é claro que cada pai tem a última palavra sobre as decisões que o seu filho tomar.

a hipersexualização

As mães são o primeiro modelo de feminino que as meninas possuem. Por isso, é importante dar o exemplo a elas. Dessa forma, podemos ajudar muito as crianças ao evitar a hipersexualização em nós mesmas. Por outro lado, o pai como figura masculina principal deve manifestar que valoriza a mulher como pessoa, e não como objeto.

Quais os efeitos da hipersexualização sobre o desenvolvimento das crianças?

De acordo com especialistas, as consequências das hipersexualização podem ser terríveis no que diz respeito ao seu desenvolvimento. Principalmente porque vende a criança como um “objeto sexual”. A doutora Soledad Muruaga, co-fundadora da Associação de Mulheres para a Saúde, AMS (Espanha), afirma que as crianças são abusadas em muitos pontos na preparação para esse objetivo.

Uma dos principais motivos de preocupação para a AMS é que as crianças vão concebendo padrões de origem sexual de uma maneira natural, o que as torna vulneráveis diante de possíveis ataques. Ou seja, elas começam a ser tratadas como objetos de exibição. Assim, o mais importante se torna parecer bonita e ser observada com “admiração”.

a hipersexualização

Dessa maneira, as crianças se tornam mais dependentes, sensíveis e vulneráveis às críticas e à pressão. Uma criança hipersexualizada pode enfrentar consequências graves na sua autoestima, na sua saúde e nas relações pessoais.

Entre os principais efeitos temos:

  • Transtornos relacionados à conduta alimentar, como a anorexia, visto que geralmente trata-se de modelos com uma magreza extrema.
  • Inversão do esforço para cultivar sua imagem e aparência física, hipervalorizando seu desenvolvimento pessoal, profissional e espiritual
  • Descontextualização do mundo real, baseadas na constante presença de um “mundo virtual” nos quais elas são princesas, modelos bem sucedidas ou celebridades.
  • Têm um risco maior de gravidez precoce, pois são vistas como adultas desde jovens.
  • Adiantam etapas que não lhes correspondem, impulsionadas pela pressão social que existe na atividade em que se destacam.
  • Criam sua autoestima baseada na imagem corporal e atração física. O principal valor é a beleza exterior e o desejo que podem despertar nos homens.
  • Formam sua identidade pessoal em padrões de beleza que não poderão alcançar no futuro ou que se perdem com o tempo, o que as tornam propensas a frustração e até depressão. 
  • São educadas em torno de elementos superficiais. Especialmente baseadas no estilo “barbie”, no qual a aparência, o rosa, o tamanho, a maquiagem e os principais padrões de beleza são o principais assuntos.
  • Poderão enfrentar a pobreza e a dependência, pela falta de educação e de desenvolvimento profissional.
  • São mais propensas a serem iludidas com falsas promessas de sucesso.