Existem alternativas para o cantinho de pensar, conheça!

3 de outubro de 2018
A técnica de cantinho ou da cadeira de pensar é uma estratégia de disciplina comportamental que se tornou muito popular por causa do programa Super Nanny.

Embora a técnica do cantinho de pensar já fosse utilizada antes desse programa, era visto como um castigo severo que não tinha outra finalidade além de fazer a criança se sentir mal por algo negativo que tenha feito.

É óbvio que uma criança de um ou dois anos de idade não vai refletir sobre coisas muito profundas.

Quando você a manda pensar no cantinho, a única coisa que ela vai entender é que quando faz algo errado seus pais não a querem por perto. E esse é o resultado que menos buscamos.

É possível que a criança entenda que quando faz algo de errado, seus pais param de amá-la instantaneamente.

Esse tipo de punição que consiste em isolar a criança passa uma mensagem de amor condicionado: “Eu só te amo se você se comportar bem”. Além disso, tem como consequência a sensação de insegurança que causa na criança.

Tenha em mente que, na maioria dos casos, as crianças não têm controle absoluto sobre suas ações. Principalmente as mais novas.

Isso seria puni-las por algo que realmente não têm intenção de fazer e consequentemente irá gerar uma frustração que desvia totalmente o foco do bom comportamento para somente reagir à injustiça cometida.

Quando o cantinho de pensar funciona é porque seu filho quer a sua aprovação e o seu amor acima de todas as coisas.

Ou também quando ele tem algum controle sobre suas ações. Se ele ainda não tiver, o cantinho não vai funcionar de jeito nenhum.

cantinho de pensar

O amor e o cantinho

Talvez você não se sinta confortável usando o seu amor como recompensa. Como se fosse algo que ele tivesse que ganhar em vez de merecer somente por ter nascido.

Esse amor que é perene, estável, eterno e invencível como deve ser em um relacionamento saudável.

Há uma alternativa a essa técnica que permite que a criança a recupere o controle, pense sobre o seu comportamento e procure alternativas. Tudo baseado no amor incondicional de seus pais.

O cantinho de conectar

O cantinho de conectar é baseado em reconhecer quando a criança precisa recuperar o controle e sair da situação em que está. Assim como o cantinho de pensar.

A diferença é que, nesse caso, as crianças vão para o cantinho de conectar acompanhadas pelos pais ou por outra figura de apego.

Esse método pode ser entendido de forma semelhante à mesa da paz, conhecido na linha de pensamento de Montessori.

A diferença é que a criança vai à mesa da paz de forma voluntária e pode escolher se quer ir sozinha ou não.

No cantinho de conectar, pode ser o adulto quem vê a necessidade de utilizar esse espaço. Além disso, a criança estará sempre acompanhada.

cantinho de pensar

Outra diferença é que a mesa da paz normalmente é um local físico. Geralmente, uma mesa como o próprio nome sugere.

Outras variantes podem ser uma gaveta ou prateleira localizada em uma parte tranquila da casa.

O “cantinho de conectar”, por sua vez, na verdade não é nenhum lugar específico.

Ele recebeu esse nome para fazer referência ao cantinho de pensar. Mas não se limita de forma alguma a nenhum lugar físico.

O cantinho de conectar pode ser um banco do parque, sua cama ou o jardim da casa. Ou ainda qualquer outro lugar tranquilo que você acha ser adequado.

O cantinho de conectar pode ser qualquer lugar onde você e a criança façam alguma atividade em conjunto para ajudá-la a se acalmar.

Quais tipos de atividades podem ser feitas no cantinho de conectar?

O que você quiser desde de que sejam atividades que ajudem a criança a recuperar o controle.

Como sugestão, você pode contar histórias, fazer um desenho, rasgar papel em pedaços pequenos, pular, gritar, correr muito rápido, respirar profundamente, observar as folhas das árvores, olhar como a barriga sobe e desce quando respiramos, ouvir os batimentos do seu coração, beber água, comer alguma coisa, etc.

Enfim, a gama de possibilidades é infinita.

Uma vez que a criança já se acalmou e você ver que ela recuperou o controle, pode falar com ela sobre o que aconteceu.

Tente usar uma linguagem neutra, sem acusar ou vitimar. Vocês podem procurar juntos alternativas para agir de forma diferente no futuro.

Você também pode tentar fazer a criança propor formas para corrigir o que ela fez de errado. Se for esse o caso, é claro.

Por que essa opção é melhor do que o cantinho de pensar?

Principalmente porque não está baseada no isolamento e na desconexão da criança da sua figura de apego.

Em segundo lugar, porque realmente fornece ferramentas para o controle das emoções e reflexão sobre o comportamento.

Tudo isso protegendo, ao mesmo tempo em que fortalece o vínculo da família.