O filho favorito existe?

15 de novembro de 2016

Todos amam seus filhos igualmente até a ciência provar o contrário. Vários estudos comprovam que, mesmo que seja difícil de assumir, o “mito” do filho favorito é uma realidade comprovada. Assim como afirma Jeffrey Kluger, “95% dos pais tem um filho favorito e os 5% restantes mentem”.

Entretanto, parece que poucas mães estão de acordo com essa afirmação. Neste artigo veremos ambas as posturas.

Os especialistas afirmam que é natural que filhos diferentes despertem emoções diferentes, por isso podem se estabelecer relações mais fluidas com um filho que com outro por questões de afinidade e personalidade. Essa conclusão polêmica, que gerou controvérsias, se deu após vários trabalhos científicos sobre essa questão.

Conheça neste artigo  por que se afirma que o filho favorito existe, as exaustivas pesquisas que foram realizadas para chegar a essa conclusão e qual o impacto da predileção dentro da dinâmica familiar.

Segundo a ciência, você tem um filho favorito

Um estudo dirigido por Katherine Conger, professora de Desenvolvimento Humano e Estudos Familiares na Universidade da Califórnia, mostrou que 65% dos pais e 70% das mães tem preferência por um de seus filhos, geralmente pelo filho mais velho. A equipe de Conger analisou durante três anos quase 400 famílias.

A análise demonstrou que a predileção está associada à ordem de nascimento dos filhos. Longe do típico “gosto de todo da mesma maneira” de todos os pais, muitos afirmam que o favoritismo é um mecanismo natural e inevitável para garantir a sobrevivência da espécie.

“O ato biológico e narcisista de reproduzir a si mesmo nas gerações futuras estimula os pais a preferirem o filho mais velho ou o mais saudável, já que este será mais bem sucedido no momento da reprodução”, afirma Kugler. Além disso, foram percebidas mudanças no tratamento de cada descendente de acordo com a ordem do nascimento.

Nessa mesma linha, o neuropsiquiatra César Sierra garantiu que existe uma predileção determinada pelo lugar que cada mãe ou pai dá – inconsciente ou espontaneamente – a cada descendente, dependendo de fatores como contexto da gestação, nascimento e infância.

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Qual o impacto na dinâmica familiar?

“O favoritismo afeta a relação entre todos os membros da família”, afirmou a psicanalista Ellen Libby, que também declara que esse fator pode incitar a rivalidade entre irmãos. Segundo especialistas da organização parenting.org, os irmãos competem pelo seu lugar na família e pela atenção dos pais.

Um estudo da Universidade de Cornell analisou em 275 lares o vínculo entre mães e filhos adultos para estudar a relação entre a preferência materna e a depressão. Dois terços dessas mães mostraram ter um filho favorito, o qual experimenta sentimentos de culpa e a obrigação de cuidar de seus pais no futuro.

A dinâmica das relações de muitas famílias é afetada pela preferência por um filho. A psicóloga María López afirma que essa situação “se apresenta frequentemente em diferentes momentos da vida”. Esse é o caso, por exemplo, de famílias que possuem um rei e, anos mais tarde, chega uma princesinha.

Filhos favoritos de acordo com as mães

Apesar do que diz a ciência, vemos que sentimentos de uma mãe são diferentes. Assim podemos afirmar que 100% (para colocar em números) das mães garantem que amam seus filhos da mesma maneira. Como é possível amar um filho mais que outro?

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Frequentemente, irmãos são polos opostos. Talvez um seja mais inteligente, mas o outro é mais carinhoso. Ambas são qualidades que as mães amam e que fazem as duas crianças serem diferentes. Mas ambos são filhos da mesma mãe e merecedores do mesmo amor.

Os bons pais tentam ser equitativos, dando o mesmo a um filho e a outro no que se refere a amor, atenção e até aspectos financeiros.

Em determinadas ocasiões, a questão não é se um filho é favorito ou não, mas que consegue, às vezes, contribuir com algo que seu irmão não consegue e vice-versa.

Ilustramos assim a questão: suponhamos uma mãe que gosta de costurar e tem duas filhas. Uma delas também gosta de costurar e a outra não. Se a mãe começa a costurar, é claro que vai chamar a filha que também gosta para dividir o momento com ela. Talvez a outra tenha talento para desenhar, assim a mãe pode pedir para que ela a desenhe ou que pinte alguma paisagem para colocar juntas na geladeira.

Cada filho pode contribuir de formas diferentes e é responsabilidade dos pais fazer com que percebam que são valiosos, a partir de um relacionamento equitativo em todos os aspectos.