Importância do contato pele a pele após o parto

25 de janeiro de 2020
O contato pele a pele após o nascimento consiste em colocar o recém-nascido sobre o corpo nu de sua mãe, evitando qualquer separação desnecessária.

O contato pele a pele, também chamado de método mãe canguru, se baseia em colocar o recém-nascido sobre o corpo nu de sua mãe, de maneira precoce, após o nascimento, sem que haja a separação entre a mãe e o bebê desde o momento em que ele nasce, evitando, assim, qualquer rotina de separação desnecessáriase o bebê não precisar disso nesse momento.

Podemos distinguir entre contato pele a pele (CPP) imediato, se ele for realizado imediatamente após o nascimento, ou precoce, se ele for realizado na primeira meia hora após o parto. Após o nascimento, o recém-nascido é secado, identificado, pesado, vestido e colocado debaixo de uma fonte de calor radiante.

Atualmente, cada vez mais hospitais estão criando o seu protocolo de contato pele a pele logo após o nascimento. Para isso, é preciso revisar as rotinas realizadas com todos os recém-nascidos e reservar aquelas que não sejam imprescindíveis nesse primeiro momento para quem realmente precisar delas.

Dessa forma, diante de um parto eutócico, no qual o recém-nascido tem um Apgar adequado, deve-se colocar o bebê pele a pele com a mãe e não interromper esse contato de modo algum, pois a profilaxia ocular e a administração intramuscular de vitamina K podem ser realizadas até duas horas depois do nascimento.

No caso de cesáreas, em alguns hospitais, é permitido realizar esse contato pele a pele com a mãe na sala de cirurgia, enquanto outros permitem que seja o pai ou outra pessoa escolhida pela mãe aquele que realize esse contato pele a pele.

Importância do contato pele a pele após o parto

História do método mãe canguru

O método mãe canguru se iniciou em 1979 pelos pediatras Edgar Rey e Héctor Martínez, do hospital San Juan de Dios de Bogotá com um programa de cuidados para crianças prematuras. Diante da falta de meios em seu país, eles criaram, então, essa alternativa às incubadoras, inspirando-se nos filhotes de canguru.

Dessa forma, eles comprovaram uma maior sobrevivência dos bebês em países em desenvolvimento, uma redução do número de infecções, mais facilidades na lactância materna e maior autoconfiança das mães.

Na África do Sul, esse método foi introduzido pelo Dr. Nils Bergman (pediatra e neonatalogista) nos anos 1980. Ele defende que os primeiros minutos de vida marcam o resto da existência.

“Na saúde pública, as intervenções mais caras não são necessariamente as mais eficazes. O corpo da mãe é a melhor máquina já inventada: ele fornece nutrição, temperatura, glicose, desenvolvimento cerebral, otimismo e saúde com um custo mínimo”.

-Dr. Nils Bergman-

O CPP faz parte dos 10 passos da “Iniciativa Humanização da Assistência ao Nascimento e à Amamentação”. Ele foi difundido por todo o mundo e é apoiado pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) e pela Organização Mundial da Saúde (OMS).

Durante todas as épocas da história da humanidade, a mãe forneceu ao recém-nascido proteção, calor, estímulos sociais e nutrição. Contudo, a manipulação médica perinatal moderna impõe padrões de separação precoces entre a mãe e o bebê.

Benefícios do contato pele a pele

Os resultados de diversos estudos demonstram que o contato pele a pele é mais benéfico do que a incubadora.

  • O CPP permite uma incorporação adequada do recém-nascido ao seu novo meio externo. Além disso, melhora a oxigenação, estabiliza a frequência cardíaca e a respiração, e reduz o tempo de choro.
  • Estabiliza a temperatura.
  • Aumenta as chances de sucesso da amamentação e melhora o vínculo afetivo. Um estudo realizado em Nova York com 150 nascimentos de bebês saudáveis, a termo e prematuros, concluiu que, de 72% de mães que inicialmente queriam dar o peito, só 28% continuou com a amamentação. Desses 28%, 100% haviam realizado o CPP na sala de parto.
  • Aumenta o nível de oxitocina, que tem efeito antiestresse na mãe, melhora a contração uterina e favorece a ejeção do colostro.
  • Favorece a colonização do recém-nascido por germes maternos.

Importância do contato pele a pele após o parto

Efeitos da separação

A separação precoce entre a mãe e o recém-nascido tem uma série de efeitos negativos que devem ser evitados.

  • Dificulta o vínculo afetivo. A separação, portanto, faz com que fique mais lento o desenvolvimento do reconhecimento do cheiro da mãe.
  • Deixa mais lenta a recuperação do estresse do parto.
  • Aumenta o gasto energético e deixa mais lenta a adaptação metabólica do recém-nascido. A separação provoca no bebê uma hipotermia que contra-ataca produzindo uma vasoconstrição periférica, com um maior consumo de glicose e acidose metabólica.
  • O bebê dorme menos e chora mais.
  • Dificulta o sucesso da amamentação. Se o período sensível não for aproveitado, o bebê não vai ter a oportunidade de alcançar o peito da mãe por si mesmo.

A maioria dos recém-nascidos animais separados de suas mães e devolvidos mais tarde são rejeitados por ela, que pode até mesmo chegar a matá-los. Uma mãe que espera durante 9 meses uma onda de amor e orgulho maternal pode se sentir desanimada e frustrada se for separada de seu bebê e ele for devolvido mais tarde.

Além disso, o nascimento representa um estresse para o bebê do qual ele deve se recuperar e, para isso, ele precisa de sua mãe e de sons familiares, como, por exemplo, o da sua respiração ou o do seu coração para se sentir seguro.

Portanto, não podemos ignorar e desprezar uma técnica tão simples e sem custos econômicos, com tantas repercussões favoráveis para a mãe e para o recém-nascido. Para isso, é imprescindível que todas as futuras mamães conheçam a importância do contato pele a pele e, além disso, que conheçam os protocolos que são utilizados no hospital onde desejam ter os seus bebês.

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