O que fazer quando toda a família quer intervir na criação do seu filho?

· 28 de julho de 2018
O que fazer nesse momento incômodo, porém muito comum, em que toda a família quer intervir na criação do seu filho?

Primeiro, devemos entender que os conselhos de pais, irmãos, tios e demais pessoas consideradas como família, não são dados com más intenções.

Pelo contrário, nesse tipo de intervenção, geralmente não solicitada, há um grande desejo de contribuir com o seu bem-estar e o de seu filho. Porém, há limites, certo? E o melhor é deixar isso claro o quanto antes para evitar que na família se torne comum isso de “aconselhar” quanto a como criar seu filho.

Essa inconveniência é muito comum, sobretudo com pais de primeira viagem. A história começa com um “quando meu filho era pequeno e teve esse mesmo sintoma, era tal doença“, ou “assim, igualmente travesso era seu primo quando criançae os conselhos sobre quais alimentos dar, que remédios caseiros utilizar, seguidos de uma longa lista de etecéteras que nos deixam irritadas e com vontade de gritar “Chega!”

O que fazer quando a família quer intervir na criação do seu filho?

intervir na criação

Estabelecer limites saudáveis

Definir com clareza os limites que diferenciam a participação dos avós, tios e irmãos na criação, daquelas ações que representam um abuso. Por exemplo: estabelecer a rotina e os hábitos do bebê como aspectos que só os pais podem considerar.

Falar com as avós, que tendem a passar sem querer dos limites quando estão muito entusiasmadas com a chegada de um novo neto, e explicar a elas qual será o modo de criação acordado pelo casal e as recomendações médicas dadas quanto ao bebê. Pedir-lhes, amorosamente, que deixem você experimentar, aproveitar, falhar e crescer junto com o recém-nascido e que estejam presentes quando vocês, os pais, solicitarem.

Conceda papéis claros. Os pais mantém o papel principal na criação. Deve ser assim e não se deve deixar que outro membro da família queria usurpar esse lugar.

Esses limites devem ser estabelecidos bem cedo na gravidez e após o nascimento, pois, sem essa definição, frequentemente acontece de os bebês, ao aprenderem a falar, começarem a chamar os avós de “mamãe” ou “papai”. É uma situação com muitas consequências e que cria um grande caos que afetará a harmonia familiar com o tempo.

Dê informações genéricas e sem detalhes

É muito útil manter certos aspectos da criação e acordos entre os pais em sigilo com relação aos demais membros da família. Dar informações genéricas e sem detalhes evita que a família se intrometa em assuntos e decisões privadas como: a religião com a qual será criado o bebê, a escola que ele vai frequentar, sua alimentação complementar, os cuidados médicos, etc.

Pode ser útil se perguntar se seria conveniente e relevante que a família saiba dessas informações, se trará soluções, conselhos úteis ou permitirá ver a situação a partir de outra perspectiva. Se para todas essas perguntas a resposta for NÃO, então mantenha a discrição.

Comunicação assertiva e respeitosa

Comunique com assertividade e respeito as decisões sobre a criação e os cuidados com bebê. Deixe explícito o momento quando quiser um conselho ou uma opinião e quando unicamente está comunicando uma decisão que não está sujeita a discussão. Por exemplo: viagens com o bebê, proibição de alimentos, utilização de remédios, relações do bebê com outros membros da família ou agregados, mudanças.

intervir na criação

Fale com o parceiro sobre o incômodo

Se os sogros estão sendo intrometidos, tomando decisões sobre seu filho sem te consultar ou pelas suas costas, comente com seu parceiro. Mostre a ele onde está a falta de respeito, pergunte a opinião dele e juntos cheguem a um acordo em prol do bem-estar da criança e da convivência familiar saudável.

Evite assumir o papel de vítima ou manipular seu parceiro para que tome decisões do tipo “nós ou eles”. Pelo contrário, juntamente à exposição do problema, busque soluções e alternativas. Assuma um papel proativo e deixe em evidência que seu interesse não é causar desgostos os separações.

Participação

Em primeiro lugar, os avós, tios ou irmãos não assumirão o papel de “intrometidos” se você lhes conceder, desde o princípio, um papel ativo e sua cota de participação na vida de seu filho.

Faça todos saberem o quanto são importantes e peça conselhos quando for conveniente. Assim, não se sentirão excluídos ou deixados de lado. É claro que surgirão ciúmes. Mas faça-os saber que cada um deles é relevante para a criação de seu filho. Certamente, sem eles a tarefa seria mais difícil.