Os pais hipocondríacos e a saúde das crianças

· 4 de março de 2018
Embora seja um sentimento incontrolável para eles, o medo que os pais hipocondríacos sentem lhes impede de enxergar o panorama real com clareza. Manter a calma e consultar um profissional são os melhores conselhos para quem sofre desse transtorno.

Quem sofre de hipocondria sente uma inusitada preocupação com a saúde frente ao aparecimento de qualquer sintoma. Quando uma pessoa propensa a essa conduta se torna pai ou mãe, esses medos podem se refletir nas crianças.

O resultado: preocupação de ambos os lados gerada pelos pais hipocondríacos.

O instinto maternal nos leva a nos preocuparmos muito mais com o bem-estar dos nossos filhos do que com o nosso. Muitas mães ignoram sintomas no próprio corpo com o intuito de não interferir na vida dos filhos, principalmente quando eles ainda são pequenos.

Esse é um dos atos de amor mais puros que são observados cotidianamente. Da mesma maneira, quando alguma coisa está errada na saúde da criança, as mães não descansam até resolver o problema ou ficarem seguras de que não é nada muito grave.

Infelizmente, esse medo às vezes fica distorcido e acaba gerando uma percepção errônea do estado da criança. Isso não apenas leva a um diagnóstico equivocado, como também gera preocupação e ansiedade extrema.

Os pais hipocondríacos não distinguem o provável do improvável e isso lhes causa muitas complicações.

Características dos pais hipocondríacos

A maior característica negativa de quase todos os pais hipocondríacos é o agouro pessimista ao extremo. Frases como “meu filho está doente, pode morrer” ou “se não ver um médico agora, alguma coisa muito ruim pode acontecer” costumam invadir a mente desses pais.

Isso os leva a tomar medidas desesperadas. A primeira delas, talvez o pior erro que se pode cometer, é procurar os sintomas na internet. Não devemos fazer isso nunca, pois é impossível ter um diagnóstico preciso “analisando” apenas os sintomas da criança.

os pais hipocondríacos

O médico costuma considerar muitos outros fatores para encontrar uma resposta, como, por exemplo, estilo de vida, alimentação, atividades, ambientes que se frequenta, etc. Isso sem contar, além de tudo, a possibilidade de pedir exames mais precisos, como exame de sangue, exame de urina ou raios-x.

Por outro lado, os pais hipocondríacos se mostram extremamente angustiados. A única coisa que se consegue com isso é gerar preocupação nas crianças. Podemos inclusive incutir um medo que antes a criança não sentia.

É importante, então, ser cuidadoso com as palavras e as expressões. Deve-se lidar com cada situação com muita cautela.

“A maior característica negativa de quase todos os pais hipocondríacos é o agouro pessimista ao extremo”

Além disso, eles costumam se manter atentos em todos os momentos. Principalmente quando estão na presença de outra criança doente e temem um possível contágio, o que não é de todo errado, desde que não seja um medo excessivo.

Outros comportamentos típicos de pais hipocondríacos

  • Checar a temperatura da criança constantemente se perceberem que ela está com febre.
  • Verificar seu estado várias vezes em um curto período de tempo, uma coisa que deixa as crianças ainda mais irritadas.
  • Impor proibições ou medidas preventivas excessivas para os dias de frio, por exemplo, ou ao voltar à rotina normal após se recuperar de uma doença.
  • Sentir necessidade de ligar para o médico frente ao mínimo progresso ou retrocesso no tratamento de uma doença, sem prestar atenção ao que já foi explicado pelo profissional.

Como superar a hipocondria sendo pai e mãe?

A primeira recomendação – e a mais importante – é manter a calma. Se não fizermos isso, além de gerar mais medo, estaremos dando um mal exemplo às crianças.

Lembre-se: a criança observa constantemente os pais e aprende com seus atos. Se você não se comportar com tranquilidade, vai ensinar seu filho a perder o controle frente à adversidade.

os pais hipocondríacos

Por outro lado, é fundamental consultar o pediatra se os sintomas se mantiverem durante algum tempo ou se forem muito fortes. Depois de fazer isso, procure seguir as recomendações do médico à risca. De nada vai servir levar seu filho ao médico para desconfiar do profissional ou ignorar suas indicações.

Ao contrário do que muitas pessoas pensam, o pior que você pode fazer é tentar parar de pensar no que te preocupa. Na verdade, quando tentamos fazer isso, o resultado é exatamente o oposto.

Acabamos prestando mais atenção ainda. Então, tudo bem se preocupar, só não exagere na dose.

Além disso, você não deveria deixar a prevenção de lado. A melhor forma de tratar as doenças é se prevenir. Como fazer isso? Certifique-se de seguir o calendário de vacinação da criança, ensine o hábito de manter uma alimentação saudável e incentive a prática de esportes.

“É fundamental consultar o pediatra se os sintomas se mantiverem durante algum tempo ou se forem muito fortes”

Nada de consultas online ou automedicação

Os pais hipocondríacos, além de gerar efeitos negativos tanto no próprio bem-estar mental e físico quanto no das crianças, cometem graves erros. Buscar informação na internet é um deles.

Pior ainda é seguir algum tratamento que não tenha sido devidamente indicado por um profissional que tenha consultado a criança que está doente.

Outra prática extremamente perigosa é a automedicação. Isso pode causar uma intoxicação grave, assim como desenvolver uma futura resistência aos antibióticos ou causar outros efeitos secundários.

Por fim, você não deve descartar buscar tratamento para o seu medo das doenças. Os psicólogos ou os psiquiatras costumam atender muitas pessoas com esse problema. Então, você não deve se sentir envergonhada ou envergonhado. É na verdade mais um sinal do quanto você ama seu filho.