Pais restritivos, filhos rebeldes

31 de outubro de 2019
Geralmente se pensa que é a permissividade que leva à criação de um adolescente rebelde. No entanto, quanto mais autoritário e restritivo for o estilo parental, mais o adolescente sentirá a necessidade de se rebelar e de se opor à sua família.

A nossa infância e a nossa relação com os nossos pais marcam a nossa personalidade pela vida toda. Apesar de acreditarem que estão fazendo o que é certo, pais excessivamente restritivos podem levar os filhos à rebeldia.

Pais restritivos

Existem diferentes estilos parentais que variam quanto ao grau de exigência e de afeto. O estilo autoritário que os pais restritivos utilizam é caracterizado por altos níveis de exigência, controle e disciplina e por baixa presença de afeto e expressão emocional.

Esses pais usam a disciplina, a punição e a ameaça como métodos comuns de educação. Eles punem os comportamentos inadequados dos filhos severamente, sem dar uma explicação do motivo. Estão tão focados em extinguir esse comportamento incorreto que acreditam que o diálogo não é necessário, que somente a obediência importa.

Além disso, eles geralmente impõem as suas regras sem espaço para discussão. Não permitem a expressão das opiniões dos filhos e não estão abertos à negociação. Eles reprimem e restringem a liberdade individual dos filhos e desvalorizam os seus interesses e necessidades.

No estilo de criação autoritário, os pais exigem obediência e respeito, e exercem controle excessivo, buscando alcançar o bom comportamento dos filhos. No entanto, sem saber, eles podem estar criando jovens reprimidos que verão na insubordinação a única forma de resposta.

filhos rebeldes

Filhos rebeldes

Sempre se pensou que é a permissividade que leva à criação de filhos rebeldes. Sem dúvida, isso acontece dessa forma. Contudo, tão importante quanto, mas menos conhecida, é a influência do autoritarismo.

É comum acreditar que pais que educam com mão firme conseguem ter filhos com um comportamento correto.

Mas, geralmente, esses filhos acabam seguindo dois caminhos diferentes, porém igualmente prejudiciais. Alguns acabam se tornando jovens retraídos e sem autoestima. Outros encontram na rebeldia a válvula de escape para se defender dessa situação injusta.

Devemos ter em mente que todos os seres humanos têm o desejo e a necessidade de desenvolver a individualidade e expressá-la. Todos nós, desde pequenos, ansiamos por sermos ouvidos e reconhecidos pelos mais velhos, e gostamos de decidir pequenas coisas, como o que vestir a cada dia, por exemplo.

É dever de todos os pais garantir aos seus filhos um ambiente seguro para descobrir e desenvolver a personalidade. Um lugar onde possam revelar a sua própria essência.

Quando os pais são muito restritivos, os filhos não encontram um lugar para ter voz. Esses pais não dialogam com os filhos, não os ouvem nem tomam o tempo necessário para conhecê-los. Eles só querem uma obediência cega.

Isso cria um ambiente familiar cheio de estresse e falta de afeto que leva a uma grande infelicidade. E aquelas crianças que foram silenciadas durante a vida toda lutarão para serem ouvidas na adolescência.

A adolescência

A adolescência é a fase da rebeldia por excelência. Todos os jovens tendem a desafiar a autoridade e a violar as regras. Eles não fazem isso para irritar os pais, mas simplesmente porque são indivíduos em construção procurando pela própria identidade.

Pais restritivos

Em um ambiente familiar com vínculos saudáveis ​​e afetuosos, o adolescente passa por essa fase sem maiores dificuldades, sabendo que é respeitado e apoiado pelos pais. Eles serão capazes de negociar, confiar e respeitar os critérios dos pais.

Por outro lado, pais restritivos passam a vida toda criando uma situação de injustiça e imposição que gera nos filhos uma necessidade extrema de se afirmarem como pessoas, de manterem viva a própria integridade.

Na adolescência, o momento da explosão insubordinada desses jovens, essa firme oposição aos pais, pode trazer sérios problemas. Alguns podem recorrer ao tabaco, ao álcool ou às drogas como uma forma de rebeldia pessoal. Outros podem exagerar, perdendo o controle e sendo totalmente irresponsáveis ​​e agressivos quando os pais não estão presentes.

Portanto, se quisermos evitar essa situação, devemos nos esforçar para proporcionar uma criação com limites claros e coerentes, mas nos quais predominem também o afeto e o apoio. Devemos ser capazes de ouvir, respeitar e dar espaço para que os nossos filhos se desenvolvam como seres independentes.

Nosso objetivo deve ser fazer com que o respeito e a obediência sejam produzidos por convicção, porque certos valores foram internalizados e nunca por medo dos pais ou de uma punição.

Um jovem cujos pais encontraram o equilíbrio entre estabelecer limites e deixá-lo ter as próprias experiências não sentirá a necessidade de se rebelar na adolescência.

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