Psicoterapia com crianças narcisistas

A personalidade narcisista pode começar a se manifestar desde a infância. Isso pode ser especialmente problemático, então frequentar a psicoterapia é uma atitude positiva. Aqui vamos trazer mais detalhes.
Psicoterapia com crianças narcisistas

Última atualização: 29 Junho, 2021

Você sabe o que é a psicoterapia? Você já ouviu falar de crianças megalomaníacas ou narcisistas? Convidamos você a continuar essa leitura para saber mais sobre esse tema. Analisemos a seguinte situação. Por ocasião da celebração do quarto centenário da morte de Miguel de Cervantes, no ano passado, o professor de Português propôs uma obra sobre a vida do autor. Luis se esforçou ao máximo para apresentar a melhor tarefa. Como prêmio, ganhou um certificado.

O menino não cabia em si de satisfação quando a professora lhe deu um tapinha nas costas e disse: “Parabéns, Luis.” Em seguida, ela chamou Pedro e também lhe deu um certificado. Ao ver que não seria o único a receber o prêmio, Luis rasgou seu papel porque não o queria mais. Seus pais foram chamados na diretoria por causa do seu mau comportamento.

Uma criança mimada? Não. Essa história, que aconteceu com dois amigos, ilustra um caso típico de narcisismo infantil. Estamos falando de crianças agressivas, egocêntricas e arrogantes que se sentem superiores às outras.

Elas amam a si mesmas e o que as rodeia não tem importância. Não existe meio-termo: as pessoas ou as coisas são magníficas ou uma porcaria. As pessoas ao seu redor servem para tecer elogios e reafirmar sua grandiosidade.

Essa patologia, historicamente conhecida como megalomania, é um transtorno de personalidade que, para a psicanálise, representa um de seus conceitos básicos e pode ser definida por referência ao mito de Narciso.

Embora as causas desse transtorno sejam desconhecidas, acredita-se que as primeiras experiências da vida, como uma criação excessivamente severa, mimar excessivamente a criança, exigir além de sua capacidade ou não prestar atenção nela, podem induzir ao narcisismo. O componente genético também não está descartado.

A genética desempenha um papel fundamental. Isso explica por que algumas crianças podem ser mais propensas do que outras a se tornarem narcisistas quando os pais as elogiam, cultivando constantemente nelas um grande “Ego”.

Tipos de crianças narcisistas e a psicoterapia

 

Segundo os renomados pesquisadores e doutores em psicologia Paulina Kernberg (1935-2006), Alan Weiner e Karen Bardenstein, autores do livro “Transtornos da Personalidade em Crianças e Adolescentes” (2000), o diagnóstico e o tratamento na infância e na adolescência podem ser realizados e produz mudanças em longo prazo.

Em 1992, Kernberg já havia identificado três tipos de narcisismo: normal, patológico e, o mais grave, antissocial:

“O narcisismo normal, em crianças de três anos ou mais, é tratável porque nos primeiros anos, embora queiram ser o Super-Homem, elas aceitam sua relação de dependência. Não desvalorizam nem invejam outras crianças”, afirmou a especialista, há 25 anos, em uma palestra apresentada por ocasião do VI Congresso Nacional da Sociedade Espanhola de Psiquiatria e Psicoterapia da Criança e do Adolescente (SEPYPNA), realizado em Barcelona.

Por outro lado, as crianças com narcisismo patológico estão convencidas de que são o personagem que desejam ser. Elas têm um Ego grandioso: “Uma criança de oito anos disse à sua terapeuta que era o Super Mauricio e que queria ser tratado como tal. Durante o tratamento ele começou a estabelecer que era o Mauricio e criou um amigo imaginário que era o Super Mauricio e, no final, não precisou mais do amigo imaginário”, disse Kernberg.

Todas as crianças com comportamentos antissociais são narcisistas: quando comportamentos antissociais graves são somados ao narcisismo patológico, não há indicações para a psicoterapia individual porque essas crianças mentem sistematicamente e devem ser tratadas clinicamente.

Como reconhecer uma criança narcisista

Existem várias maneiras de identificar uma criança narcisista, algumas delas são:

  • Evitam olhar nos olhos. Kernberg garante que as crianças com personalidade antissocial mentem e por isso não olham nos olhos.
  • Estragam seus brinquedos. Elas agem assim porque sofrem, o que mostra que são muito sensíveis.
  • Elas acreditam que são superiores aos seus colegas e professores. Apesar da prepotência, essas crianças têm medo de ficar sozinhas. Suas mães são controladoras. Kernberg explica que o Ego grandioso é uma estrutura que defende a criança de angústias, depressões e irritações muito intensa.
  • Elas são desagradáveis e caprichosas, os outros não existem.

A psicoterapia começa em casa

 

Se o seu filho não se preocupa com os colegas, por exemplo, pode estar enviando sinais de alerta a você. Ensine-o a compreender os outros, a se colocar no lugar deles. Mostre que ele é responsável por seus atos, sem gritos. Não lhe tire o direito de curtir o mundo irreal (afinal, estamos falando de uma criança), mas ele deve saber diferenciar a fantasia da realidade. Converse muito com seu filho.

Comunique-se com ele enquanto aproveita o momento de poder ter seu pequeno no colo.

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