Qual é a composição do leite materno?

· 10 de dezembro de 2018
O leite materno é único e não é possível imitá-lo. Muda de composição segundo a idade do bebê, a época do ano ou o próprio bebê. Você sabe qual é a sua composição?

A natureza é muito sábia. O leite materno tem os elementos exatos que o bebê necessita para o seu desenvolvimento. 

Segundo a Organização Mundial de Saúde, a criança está bem alimentada com leite materno até os três anos de vida, desde que sejam incorporados outros alimentos.

A amamentação cria um vínculo de maravilhosas possibilidades entre mãe e filho. É uma relação de amor, um canal de diálogo entre ambos. Isso é conhecido como apego.

A lactância providencia a segurança emocional para o início da vida que todo ser humano precisa.

– Anônimo –

 

Como se produz o leite materno?

Primeiro, a mãe produz o colostro, uma substância aquosa e amarela rica em minerais e vitaminas A, E, K e B12. É muito fácil de digerir e cumpre uma ação laxante que ajuda a eliminar as fezes produzidas no intestino da criança durante a gestação.

Esse colostro é composto de leucócitos e anticorpos, encarregados de proteger o bebê de possíveis infecções intestinais e respiratórias, até que seu sistema imunológico se desenvolva.

Alguns dias depois do parto, começa a produção do leite propriamente dito, uma substância pobre em proteínas, mas com alto teor de gordura e carboidratos. 

No princípio da amamentação, o leite é muito leve e no final torna-se cremoso. Essa mudança de textura permite que o recém-nascido sacie primeiro a sede e, depois, o apetite.

Qual é a composição do leite materno?

Água

É o componente mais abundante do leite materno. Contribui para o mecanismo de regulação da temperatura corporal do recém nascido.

Foi demonstrado que as necessidades dos lactentes podem ser completamente satisfeitas pela água do leite materno. 

Proteínas

Grande quantidade das propriedades particulares do leite humano são devidas às suas proteínas. O leite humano se caracteriza por um predomínio das proteínas sobre a caseína.

Do ponto de vista nutricional, a caseína não apenas cumpre funções como proteína, mas também fragmentos da mesma formariam parte do fator bífidus e outros teriam funções imunomoduladoras.

A lactoferrina é outra das proteínas presentes em grande quantidade no soro. Participa da proteção do recém nascido frente aos micro-organismos.

Essa proteína se une ao ferro e é capaz de fixar o que se encontra no meio, de tal forma que os germes não se apropriam dele para o seu crescimento.

As imunoglobulinas, ou anticorpos, são proteínas capazes de se unir e reconhecer estruturas contra as que são dirigidas. Ao reconhecer o antígeno, permitem sua destruição pelo sistema imunitário. São muito importantes porque têm um efeito protetor.

Quando o neonato imunologicamente imaturo consome leite materno, recebe anticorpos contra micro-organismos ambientais aos quais se encontra exposto. 

Carboidratos

o leite materno

O principal carboidrato do leite é a lactose. Ela é sintetizada na glândula mamária.

Sua principal função é fornecer energia, mas parece ser importante para o crescimento do recém nascido visto que contém as seguintes propriedades benéficas:

  • Facilita a absorção do cálcio
  • É fonte de galactose, que é essencial para a produção de galactolípidos, indispensáveis para o desenvolvimento do sistema nervoso central.
  • Influencia no controle do volume do leite, regulando o transporte de água.
  • A lactose faz parte do fator bífidus.

Os níveis de lactose são bastante constantes no leite de cada mãe ao longo do dia, inclusive em mães mal alimentadas. Em suma, os níveis de lactose não variam. 

Gorduras

São uma importante fonte de energia e são essenciais para o desenvolvimento do sistema nervoso. 

A gordura é o componente mais variável do leite, aumenta durante o dia e também durante a amamentação, com valores baixos no começo e altos no final.

No curso da amamentação, a fase aquosa do leite se mistura com os glóbulos da gordura em proporção crescente.

O leite humano fornece os ácidos graxos que têm relação com a função visual. Foi constatado que crianças alimentadas com fórmulas possuem menos acuidade visual do que aquelas alimentadas com leite materno.

o leite materno

Sais minerais

A criança que mama recebe mais facilmente a água para o controle da temperatura através do suor e da perda insensível.

 

  • Sódio e potássio. Os níveis de potássio são maiores que os de sódio, semelhante à proporção encontrada dentro da célula. Os níveis baixos de sódio e altos de potássio no leite materno possuem um efeito benéfico.
  • Ferro. A absorção de ferro do leite materno alcança 50% do ferro disponível. A criança que se alimenta exclusivamente através do leite materno durante os primeiros 6 meses possui uma menor possibilidade de desenvolver anemia ferropriva.
  • Cálcio. Os níveis de cálcio e fósforo são menores no leite humano, mas é melhor absorvido.
  • Zinco. O leite materno contém zinco biologicamente disponível. A acrodermatite enterepática, uma alteração congênita do metabolismo do zinco, não se apresenta em crianças amamentadas.

Vitaminas

o leite materno

As vitaminas hidrossolúveis são ingeridas em proporções aceitáveis pelo neonato.

  • Vitamina A. A vitamina A, como todas as vitaminas lipossolúveis (A, E, D e K), é transportada na gordura láctea. O conteúdo é ainda maior no colostro e no leite das mães de prematuros.
  • Vitamina D. A fonte principal da vitamina D é a exposição ao sol e não o aporte dietético. Nas crianças exclusivamente amamentadas não aparecem essas deficiências.
  • Vitamina E. O leite materno proporciona níveis mais do que suficientes de vitamina E. O colostro fornece em torno de 3 vezes mais vitamina E do que o leite materno. Isso é importante já que o recém nascido possui reservas baixas e precisa de um aporte adequado durante os primeiros dias de vida.
  • Vitamina K. A concentração de vitamina K é maior no colostro e no leite de transição.

Algumas curiosidades…

  • O leite materno é uma fonte aquosa de nutrientes, células, hormônios, fatores de crescimento e imunoglobulinas que exercem uma interrelação complexa entre a mãe e seu bebê.
  • O leite varia com a hora do dia e com o passar dos dias numa mesma mãe. Além disso, também varia ao longo do período de amamentação e ainda dentro de uma mesma amamentação.
  • Todas as variações são funcionais. O leite humano possui o potencial de se adaptar às necessidades individuais de cada lactente.