Qual será a primeira palavra do meu bebê, papai ou mamãe?

19 Julho, 2018
Um dos momentos mais desejados pelos pais é que finalmente o seu bebê diga sua primeira palavra. Sempre nos perguntamos qual será: papai ou mamãe?

Embora desejamos que a primeira palavra do bebê seja mamãe, também lhe ensinamos a dizer papai. São muitas as palavras que o bebê pode entender desde o seu nascimento, e ele pelo menos conhece os sons que compõem a fala materna.

É muito provável que a primeira palavra do seu bebê seja papai ou mamãe, porque é o que geralmente lhe ensinamos a dizer; mas também pode ser qualquer outra que tenha a ver com a sua alimentação, o nome das pessoas ao seu redor ou alguma coisa que ele escute com frequência. Às vezes, é comum repetirmos o nome de um animal de estimação ou de outra criança da casa para o bebê.

No entanto, de um ponto de vista linguístico, existem palavras que são mais fáceis de executar pelos órgãos envolvidos na produção da fala. É provável que a criança só possa repetir aquele vocabulário que o seu organismo está pronto para produzir, dos quais a maioria vão lhe custar um esforço ou não serão executados de maneira correta.

“Papai” é mais comum como primeira palavra do bebê

Talvez vejamos com surpresa e em geral com ciúmes que a primeira palavra seja papai. Inclusive soa injusto quando consideramos tudo o que temos feito por ele; mas nós lhes dizemos que não é sua culpa. Entre as palavras “papai” e “mamãe” a primeira é um pouco mais fácil de produzir pelo nosso organismo do que a segunda.

A fonética é um ramo da linguística que estuda os sons da fala. Nesse caso, para produzir os elementos da cadeia fonética (palavras) é preciso colocar em movimento vários órgãos ao mesmo tempo. Segundo os estudos desse ramo da linguística, as vogais abertas como /a/ e as consoantes nasais como /m/e /n/ são as mais difíceis para o organismo.

primeira palavra

Nesse sentido, para um bebê que está aprendendo a usar seu sistema, a palavra “mamãe” poderia custar muito mais do que “papai”, cuja pronúncia é estimada como uma das mais simples da fala brasileira. De modo que, ainda que a criança possa te surpreender dizendo mamãe perfeitamente, é possível que ela tenha que fazer um maior esforço.

A repetição de sílabas também é muito comum na produção de sons do bebê, por isso as palavras mais comuns tendem a ser neste estilo: “papa”, “mamã”, “tete”, “dada”, “tata”. Dificilmente um bebê consegue introduzir fonemas mais complexos como /r/ ou /z/ em suas primeiras palavras; mas não existe uma garantia, embora se acredite que universalmente haja possibilidades de sons semelhantes.

O que os bebês falam?

Se um bebê começa a dizer suas primeiras palavras por volta dos seis meses, não significa que ele não tenha tentado anteriormente ou que não estava familiarizado com elas. Mesmo que o pequeno não consiga exteriorizar suas emoções com palavras, é um fato que dentro de si está formando sua estrutura lexical.

primeira palavra

A língua é em si um elemento abstrato que está em nosso cérebro pronto para interpretar, expressar e analisar estruturas linguísticas; quando um bebê é incentivado a falar pela primeira vez, deve ter ensaiado que pode fazê-lo. Dentro de seu cérebro estão as estruturas necessárias e são ativados seus órgãos de produção fonética.

Quanto ao significado, os bebês podem não entender muitas coisas que dizemos, mas reconhecem o seu som. Sabemos que aprendem rapidamente o significado de “não” e que são conscientes do que é “tete” ou “água”; portanto, começam com palavras que têm escutado, são fáceis de pronunciar e sabem que terão um efeito sobre os demais.

Desde que são muito pequenos tomamos o cuidado de pedir-lhes para repetir “mamãe”. Por isso, embora não esteja claro o que isso significa, os bebês sabem que sua mãe está lhe pedindo para dizer desde que nasceram. Os bebês falam sobre as coisas ao seu redor e usam palavras para se referir a objetos que veem e apontam, geralmente substantivos relacionados à vida cotidiana.

  • García, M. R. (1994). Influencia del habla materna en los inicios de la adquisición del lenguaje: primeras palabras y primeros enunciados de más de una palabra. Revista de Logopedia, Foniatría y Audiología14(3), 148-155.
  • Castaño, J. (2005). El sorprendente cerebro del bebé. Archivos argentinos de pediatría103(4), 331-337.