O cérebro da mamãe

30 de novembro de 2016

Olá, mamãe:

Hoje venho lhe falar do que vou causar em seu cérebro e de como minha presença vai mudar sua forma de pensar e de sentir para sempre. Começarei do começo para que você me entenda, desde que você e eu nos juntamos.

A primeira coisa que aconteceu foi que um hormônio chamado progesterona começou a ficar muito presente em seu corpo, mamãe. Seus seios ficaram sensíveis e seu cérebro se acalma. No início você se sentiu sonolenta e sentiu a necessidade de descansar e de comer mais do que o normal.

Eu sou o responsável por esses hormônios estimularem os lugares do seu cérebro que abrigam a função da sede e da fome.Digamos que eu precise comer, por isso você terá que produzir um volume maior de sangue para me garantir o teor de nutrientes de que necessito.

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Não se assuste, é normal que você não queira se separar por nem um momento da garrafa de água e que não queira que o banheiro esteja muito longe. Provavelmente pela mesma razão seu cérebro vai lhe dar desejos de comer coisas específicas ou enjoos a certos odores.

Como você não quer comer nada que me faça mal muitas coisas lhe darão nojo e às vezes inclusive vai sentir náuseas. Não se preocupe, isso só acontecerá durante o primeiro trimestre. Todas essas mudanças são hormonais.

Você deve saber que a progesterona sobe de dez a cem entre o segundo e o quarto mês e que seus efeitos são tão potentes quanto os de um ansiolítico como o Valium, por exemplo. Pense que seu cérebro está inundado de um sedativo e relaxante, só quero que nos protejamos do estresse.

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Aos quatro meses

Mais ou menos a partir do quarto mês, seu cérebro já terá se acostumado com as mudanças hormonais, então é provável que possa comer normalmente e inclusive com certa ânsia.

As partes consciente e a inconsciente de seu cérebro estarão pendentes do que acontece em seu útero, meu lar. Mamãe, aqui etá muito bom, sua barriguinha é reconfortante, gosto de escutar seu coração bater e sentir seu calor.

Mas não se acostume, mamãe, quero que saiba que estou aqui. Assim… a partir do quinto mês é provável que comece a sentir  algo como bolhas de gás em seu abdômen. De fato, é possível que pense que são os gases típicos que se acumulam depois de alguma refeição, mas não.

Seu cérebro já sabe que isso significa que estou me mexendo. Começará a tomar consciência da minha presença. Seu cérebro foi mudando e ampliando os circuitos do olfato, da sede e da fome. Sabe porque? Por amor.

Você já estará começando a me conhecer, já notará minhas mãozinhas, notará como me movo e fantasiará cada vez mais como será me abraçar e me olhar. Provavelmente o papai e as pessoas ao seu redor também vão querer notar meus movimentos e escutar meu coraçãozinho através da sua barriga.

O efeito tranquilizante da progesterona

O aumento dos níveis de estrogênios nos ajudam a compensar os hormônios do estresse enquanto estou dentro de você, mamãe. Você sabia? Tanto eu quanto a placenta que me protege produzimos tanto cortisol (hormônio do estresse) que no final da gravidez seu corpo estará tão invadido como um corpo que fez um exercício físico exaustivo.

Porém, estes hormônios não lhe fazem se sentir estressada, ou pelo menos não tipicamente estressada. O que realmente fazem é lhe ajudar a vigiar o que você come, ou se o lugar em que está é seguro e se tudo ao seu redor está bem.

Ajudam a se concentrar em você e em mim, em nosso cuidado. Além disso, também pode mudar o tamanho e a estrutura de seu cérebro. Pode ser que durante os seis meses de gravidez e até o parto seu cérebro diminua.

Mamãe, encolhi seu cérebro… Mas não se preocupe com isso, pois voltará ao normal, só que seu cérebro está transformando pistas secundárias em auto estradas com três pistas. Ou seja, você não vai perder capacidades, vai ganhar! E antes que eu saia de você o tamanho de seu cérebro já terá voltado ao normal.

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Quando meu nascimento se aproximar

Quando estivermos a pouco tempo do meu nascimento você se preocupará muito comigo. Provavelmente pensará em como conseguiremos sair os dois saudáveis e a salvo do grande momento que nos espera.

Então estará muito alerta, caminhará como um pato e tirará força de qualquer lado. Eu nascerei quando quiser, mamãe. Não espere que eu cumpra com suas expectativas temporais.

Quando estourar a bolsa seu cérebro se inundará de oxitocina e favorecerá que seu útero se contraia. Seus níveis de progesterona (esse hormônio que nos “sedava”) cairá. A cascata de oxitocina e dopamina fará com surjam numerosas conexões neuronais em seu cérebro.

Então chegarei e lhe saudarei. Você estará tão exausta que talvez veja tudo borrado, mas seu cérebro terá lhe preparado para me amar. Enquanto me cheire, me sinta e me olhe poderá me diferenciar de qualquer bebê do mundo com assombrosa facilidade.

Sua força e seu desejo de cuidar de mim se implantarão em seu cérebro para sempre. Sentirá que pode parar um caminhão com seu corpo para me proteger e não terá nada que resista a nós!

Provavelmente desenvolva uma capacidade de memória espacial, será mais flexível, mais eficiente e mais corajosa, desde agora e para o resto de sua vida. Seu cérebro preparou você para me amar e para me manter ao seu lado.

Isso, mamãe, nunca mais vai mudar. Espero que agora entenda melhor como chegamos a nos amar tanto assim. Parece coisa de mágica, não é verdade? Que maravilhoso é crescermos juntos e nos tornarmos cada vez melhores! Não tenho palavras para me expressar… assim, a partir de hoje farei isso com abraços, beijos e muito amor! Aprendi com a melhor!