Quando você fala com o seu filho, o cérebro dele é ativado

· 17 de dezembro de 2018
Quando o seu filho escuta sua voz, no cérebro dele são ativadas regiões que estão associadas às reações emocionais, sociais, de reconhecimento facial, e às que distinguem o que é importante ou do que não é.

Essa reação apenas acontece quando ele escuta a voz materna, e não quando ouve a voz de outras mulheres, de acordo com um novo estudo publicado recentemente pela Universidade de Harvard na revista científica Proceedings of the National Academy of Sciences.

“Parte do nosso aprendizado social, da linguagem e dos processos emocionais é adquirido pelo simples fato de ouvir a voz de nossa mãe”, afirma o autor principal do estudo, Daniel Abrams, em um comunicado publicado pela universidade e divulgado por vários meios de comunicação do mundo.

As conclusões obtidas pelo estudo surpreenderam os cientistas, que já sabiam antes de iniciarem o estudo que quando uma mãe fala com o seu bebê, ele se acalma.

No entanto, não se sabia que a voz da mãe ativava tão rápido e tão eficazmente tantas áreas do cérebro.

Abrams explica que alguns estudos científicos já tinham revelado que os bebês preferem a voz da mãe à voz de qualquer outra pessoa. Mas até agora ninguém tinha explicado as razões para esse fenômeno. “Ninguém tinha parado para observar os circuitos cerebrais que provocavam isso”, prossegue o cientista.

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O cérebro do seu filho é ativado com a sua voz

A pesquisa consistiu em estudar exames de tomografia computadorizada de várias crianças enquanto escutavam a voz de suas mães e a de uma desconhecida.

Estiveram envolvidos no estudo 24 crianças entre 7 e 12 anos de idade, que tinham passado a vida toda com suas mães.

Além disso, todas tinham um quociente intelectual (QI) de pelo menos 80 e nenhuma sofria de algum distúrbio de desenvolvimento ou algo semelhante, segundo o texto publicado em diversos meios de comunicação.

Depois de responderem um breve questionário direcionado às mães a respeito das habilidades comunicativas de seus filhos, a mamãe de cada criança gravava em uma fita três palavras sem sentido.

“Por causa das idades das crianças, pareceu-nos mais sensato usar palavras inventadas, para que elas não as conhecessem”, completa os autores.

A voz de uma mãe foi criada para acalmar seu bebê e transmitir paz

-Autor desconhecido-

Além disso, foi solicitado que duas mulheres desconhecidas participassem do estudo, as quais também gravaram três palavras sem sentido. E, por fim, as crianças escutaram as duas gravações.

Os resultados indicaram que as crianças reconheciam a voz de sua mãe em 97% dos casos, mesmo que só escutassem a voz da mãe por um segundo. “E o cérebro das crianças reagia mais e melhor ao som da mãe do que ao da mulher desconhecida”, esclarecem os autores do estudo.

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O seu filho reconhece a sua voz desde antes de nascer

As conclusões desse estudo complementam os achados de outro grupo de cientistas que estudou, em 2014, a reação dos bebês prematuros ao escutarem a voz de suas mães.

Naquele momento, os estudiosos comprovaram que quando uma mãe fala com seu bebê prematuro, ele se alimenta melhor e se acalma se for submetido a uma situação de estresse.

Escutar a voz da mãe faz com que diminuam os níveis de cortisol e aumentem os de oxitocina, que é o hormônio do vínculo afetivo.

Esse vínculo de amor entre um filho e sua mãe vai sendo criado desde o útero materno, onde o bebê já é capaz de escutar sons e vibrações oriundas de sua mãe. E, quando nasce, esse bebê reconhece com perfeição a voz da mamãe e prefere a voz dela a qualquer outra no mundo.

Nesse momento, os cientistas chegaram à conclusão de que: “a voz da mãe ativa o córtex pré-frontal anterior e o lobo temporal posterior esquerdo mais intensamente que uma voz de uma desconhecida, preparando-o para a atividade específica de processamento da fala”.

Além disso, Abrams explica que embora já se soubesse que escutar a voz da mãe trazia bem-estar emocional à criança, o que descobriram agora é o circuito biológico que faz parte desse vínculo emocional, cuja riqueza traz melhores habilidades sociais e comunicativas.

Os resultados confirmam que quando se fala com um filho, são ativadas muitas regiões e sistemas dentro do seu cérebro, o que faz com que se estimule o estudo do efeito da voz das mães de crianças com deficiência e com autismo.

“É intrigante ver que o eco da voz de uma mãe ativa tantos sistemas no cérebro de seu filho”, concluíram os cientistas de Harvard, que exaltaram o poder profundo que exerce a voz de uma mãe sobre seu pequeno.