A voz materna é fonte de apoio emocional

· 5 de março de 2017

A voz materna é o vínculo mais poderoso com o qual nosso bebê vai se abrir ao mundo para sentir-se amado e seguro. Com cada palavra, criamos novos circuitos neurais, portando não hesite em falar com ele, e em “acariciar” sua mente com frases cheias de afeto.

É curioso, pois embora, de certo modo, os cientistas já tenham intuído que o papel da mãe é essencial para o desenvolvimento da linguagem de uma criança (ainda mais por que a interação entre a mamãe e o bebê é, no geral, mais íntima do que com o pai), o que não se conhecia era a grande quantidade de estruturas neurais que a voz materna costuma estimular.

Este estudo foi realizado na Universidade de Stanford, nos Estados Unidos e foi publicado há pouco tempo em diversas revistas especializadas. Segundo este trabalho, a voz das mães é um dos estímulos mais poderosos para favorecer o desenvolvimento cerebral de uma criança.

Nós vamos explicá-lo no artigo a seguir.

A voz materna e o desenvolvimento social das crianças

Na hora de criar um filho, cada estímulo conta e tem uma importância que, em certas ocasiões, nem podemos imaginar. Fique claro que a voz o pai também é fundamental, assim como a de qualquer outra pessoa que passe tempo suficiente com um bebê para efetuar “esse estímulo” cotidiano com o qual ele vai aprender e compreender o mundo.

Vinod Menon é o psiquiatra e neurologista que dirigiu este estudo. Segundo sua experiência e os resultados vistos neste trabalho, o impacto emocional que a voz da mãe tem no cérebro de uma criança é superior à de qualquer outra pessoa. É um vínculo quase instintivo que cresce desde a gravidez.

Vejamos com detalhe.

A vida no útero: todo um mundo de sons a descobrir

O útero materno não é um lugar silencioso. De fato, se sabe que a capacidade deste meio para transmitir sons é muito mais intensa que o ar.

  • Os fetos escutam cada som que acontece ao seu redor, e há uma voz que os acompanha a cada dia e em cada instante:  a voz materna.
  • A formação dos pavilhões auditivos começa nas primeiras semanas. Pouco a pouco vão amadurecer até estarem situados em ambos os lados do rosto, mas se sabe que já são receptivos a certos sons.
  • Você vai se surpreender em saber que o útero materno é capaz de receber sons a uma intensidade que está entre 50 e 60 decibéis. É como estar frente a frente com uma pessoa mantendo uma conversa normal.
  • O curioso é que o tipo de som que se escuta melhor no útero é aquele que tem uma frequência mais alta. Portanto, qualquer voz feminina será mais estimulante ao feto.

A voz da mamãe nos ajuda a crescer

Depois de nove meses no interior da mamãe, quando o bebê chega ao mundo, reconhece perfeitamente a voz de sua mãe, não é nenhuma desconhecida para ele.

Poucas coisas são tão adequadas para reduzir o estresse, o choro ou o medo de um bebê quanto a voz de uma mãe o reconfortando em um tom sossegado e carregado de afeto. É neste momento que se libera esse hormônio tão poderoso, a ocitocina, peça chave para fortalecer o vínculo entre mãe e filho e aplacar o cortisol no sangue.

  • Segundo o trabalho realizado na Universidade de Stanford, a voz materna é capaz de ativar múltiplos circuitos neurais ao mesmo tempo, e isto é assim porque existe realmente essa união emocional tão intensa criada entre ambos.
  • Tudo isso fará com que o bebê comece a controlar melhor suas emoções, a entender como funciona o processo de recompensa, a reconhecer rostos e a desenvolver pouco a pouco suas habilidades sociais e linguísticas.

Se estabelecermos com nossos filhos uma comunicação regular, respeitosa e estimulante já desde o útero, tudo isso fará com que sejam mais competentes no desenvolvimento da linguagem.

E veja bem, não apenas suas habilidades linguísticas serão beneficiadas. Algo tão essencial como falar sem gritar, mantendo sempre um mesmo tom de voz, sendo receptivos ao mesmo tempo que respeitosos, fará com que esta criança seja muito mais hábil na hora de se socializar, de expressar suas emoções e de se integrar ao mundo.

Também não podemos esquecer que é precisamente a linguagem aquilo que nos faz humanos. Por isso é vital que entendamos que antes de que uma criança comece a falar, ela compreende muito mais coisas do que podemos imaginar. Seus olhos e seus ouvidos e todo o seu cérebro são tremendamente receptivos a tudo o que está ao redor.

A voz materna é essa carícia que alivia seus medos durante a noite, que traz a ele sorrisos pela manhã e que fortalece todos os dias a sua autoestima com esse tom de proximidade, afeto e respeito. Façamos uso dela, fale todos os dias com seu bebê.