Rivalidade e afeto entre irmãos

31 de agosto de 2019
As relações entre irmãos são de vital importância ao longo de todo o ciclo da vida. Por isso, uma das tarefas fundamentais dos pais é ajudar e ensinar seus filhos, desde a infância, a estabelecer um vínculo fraternal carinhoso e positivo.

A rivalidade e o afeto entre irmãos é uma questão familiar que preocupa especialmente os pais. E não há dúvidas de que a relação fraternal é muito significativa para o indivíduo, seja para o bem ou para o mal.

Por isso, um vínculo carinhoso e positivo entre irmãos não apenas gera um contexto importante para a aprendizagem e o desenvolvimento, mas também estabelece uma das relações mais especiais e insubstituíveis para o indivíduo.

Como a rivalidade e o afeto entre irmãos são vividos na infância e na adolescência?

Rivalidade entre irmãos

O sistema de relações familiares muda indiscutivelmente quando um irmão nasce, acontecimento que afeta diretamente o irmão mais velho. Com a chegada do novo recém-nascido, o irmão pode mudar seu comportamento de apego em relação aos pais (geralmente, aumentando-a) e adotar certa rivalidade em relação ao novo membro da família.

Certamente, o aleitamento é uma fase cansativa que afeta o descanso noturno da mãe durante os primeiros meses de vida do bebê. A mãe pode se sentir exausta durante essa fase, o que repercute na atenção que poderá dedicar ao filho mais velho, mostrando-se menos paciente com ele.

Perante essa resposta, a criança pode inclusive aumentar suas demandas e ficar ainda mais exigente.

entre irmãos

Com a chegada do recém-nascido, a percepção dos pais em relação ao filho mais velho pode mudar. Eles podem exigir mais e, portanto, castigar mais.

Nessa situação, a criança começa a sentir ciúmes de seu irmão mais novo, mostrando reações negativas em relação aos pais ou expressando uma série de protestos: rejeição pela comida, não querer ir à escola, vômitos ou problemas para dormir.

No entanto, o comportamento em relação ao novo irmão costuma ser ambivalente. Por um lado, há a aceitação (expressa por meio dos carinhos) e, por outro, a rejeição (expressa por meio das agressões).

De acordo com a pedagoga Talía Velasco, esse caráter ambivalente é um reflexo de duas emoções contraditórias: de um lado, os ciúmes e, de outro, o vínculo afetivo com o irmão.

Na adolescência, os irmãos podem manifestar conflitos mesmo quando durante a infância mantiveram uma relação afetiva positiva.

Uma das causas que originariam esse distanciamento está relacionada com a busca de uma maior autonomia e intimidade dentro do contexto familiar. Por outro lado, outra das causas que pode levar ao distanciamento corresponde à disparidade de interesses entre os irmãos com a chegada da adolescência do mais velho.

Provavelmente, o irmão adolescente vai rejeitar interagir e brincar com seu irmão mais novo, enquanto este, com o desejo de chamar a atenção do mais velho, tentará irritá-lo.

Afeto entre irmãos

Apesar dos ciúmes e da rivalidade que podem surgir durante a infância, pouco a pouco os irmãos irão construir uma relação especial e exclusiva, profundamente distinta à estabelecida com os pais. Além disso, as rivalidades durante a adolescência irão desaparecendo se tiverem sido estabelecidas relações afetivas sólidas durante a infância.

Os irmãos convivem muitas horas por dia e durante um longo período de tempo ao longo dos anos. Provavelmente, a relação entre irmãos será a mais duradoura dentre todos os tipos de relações afetivas da vida de cada um. Por isso, serão compartilhados muitos momentos de alegria e dor.

Mary Ainsworth descreve uma série de análises sobre o apego entre irmãos:

  • Os irmãos mais velhos oferecem cuidados semelhantes aos da mãe.
  • Os irmãos se ajudam e se consolam na ausência dos pais.
  • Usam um ao outro como base de exploração.
  • A ansiedade em separações breves diminui quando há a presença de um irmão.
  • Quando se perde a figura de apego, é mais fácil de lidar com o luto na presença de um irmão.
  • O início das aulas é mais suportável quando é vivido junto com um irmão.

“As irmãs funcionam como redes de segurança neste mundo caótico simplesmente por se apoiarem umas nas outras”.

-Carol Saline-

Os pais influenciam a rivalidade e o afeto entre irmãos?

Na pesquisa Las relaciones entre hermanos y su impacto en el desarrollo de los niños (As relações entre irmãos e seu impacto no desenvolvimento das crianças), Nina Howe e Holly Recchia demonstraram a importância de que os adultos utilizem estratégias apropriadas ao desenvolvimento das crianças de acordo com suas idades.

Para ambas, as estratégias utilizadas para gerir os conflitos entre irmãos serão exemplos de como se relacionar bem com outras pessoas.

Entre as várias estratégias parentais, Howe e Recchia diferenciam-nas em: estratégias construtivas, aquelas relacionadas à negociação para resolver conflitos, e estratégias destrutivas, como o uso da força e da agressão.

entre irmãos

Com frequência, e de forma involuntária, os pais influenciam a rivalidade entre irmãos, como, por exemplo, quando realizam comparações entre os filhos de forma constante.

Desse modo, a mensagem que a criança ou o adolescente recebe é que para ganhar o afeto de seus pais deve estar à altura de algum padrão, não bastando ser quem são. Por sua vez, o autoconceito da criança (ou do adolescente) será prejudicado, e ela começa a criar ressentimento pelo irmão (ou pela irmã) que aparentemente segue esse padrão.

Em conclusão…

Sabe-se que as relações entre irmãos são um mundo e que podemos encontrar uma imensa variedade. Desde irmãos que mantêm um vínculo forte e positivo até relações rompidas.

Os pais têm a tarefa de educar seus filhos no amor incondicional e no apoio mútuo entre irmãos, ajudando, assim, a estabelecer um dos vínculos afetivos mais maravilhosos e verdadeiros que existem.