Ser mãe depois de uma histerectomia

· 17 de abril de 2018
A histerectomia é uma operação complexa a que se recorre quando outras alternativas não dão resultado. Essa cirurgia deixa a mulher impossibilitada de ser mãe pelo resto da vida?

Algumas doenças do sistema reprodutivo de uma mulher atacam seu útero, o órgão em que acontece a gestação dos bebês. Se ele é extraído, as possibilidades de ter um filho são reduzidas, mas de maneira total? A seguir, revelaremos se existe ou não uma maneira de ser mãe depois de uma histerectomia.

Mesmo que seja a segunda causa de cirurgia mais comum para as mulheres —a primeira é a cesárea—, muitas mulheres não sabem o que é precisamente uma histerectomia. Portanto, antes de tratar do assunto central deste texto, tentaremos dar uma visão geral deste tipo de cirurgia.

Além disso, iremos nos deter em suas possíveis motivações, os efeitos que geram na saúde da mulher e os tipos que existem. Finalmente, falaremos sobre o que queremos responder: É possível ser mãe depois de uma histerectomia?

O que é uma histerectomia?

A histerectomia é uma operação que consiste na remoção do útero de forma parcial ou total. Considerando que é neste órgão em que ocorre o crescimento e o desenvolvimento do feto, muitas mulheres se perguntam se é possível ser mãe depois de uma histerectomia.

Tipos de histerectomia

“Ser mãe após uma histerectomia é algo que muitas mulheres desejam.”

Como resultado de uma operação como essa, a mulher deixará de ter períodos menstruais e, caso remova também as trompas de Falópio e os dois ovários, entrará na menopausa. De todos modos, os ovários só são removidos caso seja necessário.

Tipos de histerectomia

A histerectomia pode ser classificada em três tipos:

  • Total: além da totalidade do útero, também se extrai o colo do útero. Nem sempre é necessário tirar as trompas de Falópio ou os ovários.
  • Parcial: nesta, se extrai somente a parte superior do órgão, sem afetar o colo do útero.
  • Radical: o útero completo é removido, o colo do útero, o tecido de ambos lados do colo do útero e a parte superior da vagina. É realizada com o objetivo de erradicar certos tipos de câncer.

Quando é apropriado realizar uma histerectomia?

A histerectomia serve como tratamento para diversas doenças que podem se desenvolver no aparelho reprodutivo da mulher. Algumas delas são:

  • Fibromas ou miomas uterinos: são tumores benignos, formados por tecido muscular, que aparecem dentro do útero ou ao seu redor.
  • Endometriose: pratica-se a histerectomia quando a endometriose não pode ser tratada com remédios ou cirurgia.
  • Prolapso uterino: isto acontece quando o útero desce para a vagina.
  • Câncer de útero, colo do útero ou ovários.
  • Sangramento vaginal que não reage aos tratamentos primários.
  • Adenomiose: produz-se quando o tecido que recobre o útero cresce dentro das paredes deste. Então, estas paredes engrossam e isto provoca fortes dores e sangramento intenso.

No entanto, como assinala a Secretaria para a Saúde da Mulher do Departamento de Saúde e Serviços Humanos dos Estados Unidos, é um recurso utilizado como última opção. Por ser uma cirurgia invasiva, a histerectomia será realizada apenas quando as alternativas prévias não deram os resultados esperados.

Segundo este mesmo organismo, aproximadamente meio milhão de mulheres se submetem a esta operação a cada ano nos Estados Unidos.

“A histerectomia é uma operação que consiste na remoção do útero de forma parcial ou total”

É possível ser mãe após uma histerectomia?

O útero é um órgão fundamental no processo de gestação. É em seu interior que o feto habita durante os nove meses durante os quais deixa de ser um embrião minúsculo e vira um bebê pronto para ver a luz do dia.

Considerando o dito anteriormente, é de se pensar que não é possível ser mãe depois de uma histerectomia. No entanto, os avanços tecnológicos têm aberto novas portas para que isso ocorra. Desde que os ovários não sejam extraídos do corpo, seus óvulos ainda podem ser utilizados para uma fecundação in vitro (FIV).

Ser mãe depois de uma histerectomia

“Ser mãe depois de uma histerectomia é possível graças aos avanços da ciência.”

Logicamente, o bebê será gestado em outro útero. Isso se denomina gestação sub-rogada; seria como um “aluguel” do útero de outra mulher. Esse processo gera grandes controvérsias sociais, legais, éticas e religiosas.

Em resumo, o processo consiste em:

  • Extração de óvulos da mulher que realizou a histerectomia.
  • Geração de embriões mediante FIV.
  • Transplante dos embriões ao útero da mulher gestante.
  • Gravidez, parto e entrega do bebê à mãe.

Sem dúvidas, trata-se de um procedimento que requer uma imensa solidariedade da mulher gestante. É um gesto de amor profundo que permite, graças à tecnologia reprodutiva, oferecer a possibilidade de formar uma família a uma pessoa que não o faria de outra maneira. Não obstante, de acordo com as leis de cada país, este processo é ou não permitido.