Tudo o que publicamos fica para sempre na internet

· 18 de maio de 2018
Nas mãos erradas, qualquer informação ou imagem dos nossos filhos pode ser um instrumento para a humilhá-los. Garantir a segurança e a proteção das crianças é uma das missões dos pais.

O que publicamos na internet não pode ser facilmente apagado. Se alguma informação, imagem ou vídeo dos nossos filhos, irmãos ou netos, por exemplo, viralizar, isso vai acompanhar essa pessoa por toda a vida. O cyberbullying, ou a violência virtual, pode ser favorecido pelas nossas próprias publicações.

Não é preciso ir ao extremo para entender as consequências dos nossos atos digitais. Hoje em dia, sabe-se que tudo o que disponibilizamos no mundo virtual fica guardado lá. Por mais que tentemos, nunca vamos conseguir eliminar por completo.

Por essas razões, devemos ter um cuidado especial com o que nós e nossos filhos publicam. Devemos pensar duas, ou mais, vezes antes de publicar qualquer coisa, por mais que na hora pareça adequado.

A exposição excessiva e a violência virtual

A violência virtual, também chamada de cyberbullying, pode começar entre os 10 e 12 anos de idade. A maioria das crianças hoje em dia vive conectada e envia fotos, por exemplo, através de aparelhos eletrônicos. Isso sem contar o conteúdo publicado pelos familiares. As imagens de si mesmo são conteúdos sujeitos a serem usados pelo bullying virtual.

Uma foto engraçada, inapropriada ou mal tirada podem se transformar no começo da violência digital. Outras crianças podem guardar a foto e publicar em outro lugar, adicionar comentários ofensivos e, inclusive, modificá-la. Isso é algo muito comum hoje em dia nas redes sociais.

A consequência dessas publicações é que tais conteúdos podem chegar a muitas pessoas. Só é preciso ter uma página, um perfil ou fazer parte de um grupo para viralizar algum conteúdo. Os resultados podem ser traumáticos para a criança ou o adolescente envolvido.

Quando publicamos na internet…

A dinâmica atual nas redes sociais procura exaltar o engraçado, a ironia e o sarcasmo. Nossas próprias interações costumam ocorrer para apontar detalhes ou rir de alguma publicação. Nas mãos erradas, qualquer informação ou imagem dos nossos filhos pode ser um instrumento para humilhá-los.

Os pais devem ser os principais censores das publicações das crianças. Não é difícil perceber se um conteúdo pode se tornar ofensivo, mas também qualquer imagem pode ser modificada.

Além disso, muitas pessoas que publicam fotos nas quais aparecem crianças não sabem como mexer nas configurações de privacidade. O resultado: as fotos e os vídeos das crianças podem ser visualizados e utilizados por qualquer pessoa no mundo.

“Nas mãos erradas, qualquer informação ou imagem dos nossos filhos pode ser um instrumento para humilhá-los.”

O efeito Sam Griner

Talvez esse nome não seja muito conhecido. Mas Sam é um menino que todos nós já vimos na internet. Sua foto quando bebê com o punho fechado e uma expressão característica no rosto já foi vista por milhões de usuários no mundo todo. Essa imagem se transformou no que hoje em dia conhecemos como “meme”.

Tudo começou porque sua mãe publicou a conhecida foto de Sam no seu perfil, no ano de 2007. Hoje, todos nós conhecemos essa imagem e muito provavelmente já a utilizamos em alguma situação. O que muitas vezes ignoramos é que essa foto é de uma pessoa real.

Essa experiência de Sam Griner pode acontecer com qualquer foto que publicamos na internet. Só é preciso que uma pessoa com influência no Facebook ou no Instagram publique a imagem. Há usuários muito populares que se dedicam a fazer esse tipo de coisa.

Quais tipos de fotos devemos evitar?

  • Fotos de rosto. Não é bom publicar fotos em que uma criança aparece fazendo caretas e expressões exageradas. As expressões muito marcadas são a principal fonte de memes e fotos engraçadas na internet.
  • Imagens de nudez. Por mais que nosso filho seja um bebê, a publicação desse tipo de foto é perigosa. Devemos nos lembrar de que há usuários e páginas que se dedicam à pedofilia e à pornografia infantil.
  • Imagens com poses sugestivas. Isso se aplica principalmente aos jovens. Na internet, há espaço para conteúdos de todos os tipos. O que parece ser uma pose inocente pode se transformar em um conteúdo viral.

Duas recomendações para proteger o que publicamos na internet

O hábito de manter um perfil privado nas redes sociais é uma boa forma de proteger os dados dos nossos filhos. No Facebook, existe uma configuração para que somente nossos amigos vejam nossas publicações. O Twitter e o Instagram também permitem controlar as pessoas que têm aceso aos nossos perfis.

Devemos controlar as marcações que fazemos de familiares e amigos. Quando um conteúdo é marcado, pode ser visto por outras pessoas que nem sequer conhecemos. Seria recomendável que nossos familiares avisassem antes de publicar qualquer coisa dos nossos filhos.

Em resumo, revisar o que publicamos na internet é necessário para proteger o bem-estar emocional e a privacidade dos nossos filhos. Essa recomendação se aplica às crianças, mas também aos pais dos adolescentes.

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