A comunicação emocional na infância

16 de março de 2018
Saber transmitir as emoções é tão importante quanto identificá-las e geri-las. Os pais têm a disposição ferramentas para formar crianças que se comuniquem mais efetivamente.

As emoções são uma parte essencial da pessoa. Comunicá-las com assertividade é tão importante quanto saber reconhecer as emoções dos outros para o bem-estar pessoal e estabelecer boas relações com nossos pais. Então, a comunicação emocional na infância é uma ferramenta que deve ser oferecida da forma correta.

A comunicação é o ato de transmitir uma mensagem a um receptor através de um canal (pode ser escrito ou oral), em um contexto e com uma finalidade determinada. Neste sentido, decidimos que há dois tipos de comunicação:

  • Comunicação verbal. Aquela com a mensagem explícita, que procura transmitir certa informação ao receptor fazendo uso da palavra oral ou escrita.
  • Comunicação gestual. Pode ser complementar à anterior. Inclui movimentos, sinais e expressões faciais e corporais.

Porém, poderíamos adicionar um terceiro: a comunicação emocional. Esta é a que tenta transmitir os sentimentos e as emoções do emissor. Pode ser uma frase, um sorriso, o choro ou um grito de raiva.

Assim, não seria o mesmo um “muito obrigada” dito a qualquer pessoa do que essa mesma mensagem acompanhada por um abraço dado pela nossa mãe, por exemplo. A emoção faz com que a mensagem tenha mais força, transcenda no tempo e, consequentemente, permaneça na memória do outro.

Comunicação emocional na infância: benefícios de sua inclusão

As crianças têm muito no que trabalhar quando se trata de emoções. Guiadas por seus pais e professores, é muito importante que saibam reconhecer, gerir e exteriorizar as emoções de forma positiva e construtiva.

Isso lhes permitirá conhecer a si mesmas, enfrentar melhor as situações conflitantes ou frustrantes. Além disso, o controle adequado das emoções faz com que as crianças desenvolvam uma mentalidade mais estável, resiliente e otimista.

A comunicação emocional na infância é uma ferramenta muito útil para a gestão das emoções e dos sentimentos. Como fazer? Estes são os canais mais importantes para conseguir:

  • Diálogo. Deve ser ensinado aos pequenos que seus pais estão à disposição para quando quiserem ser ouvidos. Deste modo, poderão desabafar e procurar uma solução, caso sintam emoções negativas. Trabalharão, portanto, a expressão de suas emoções.
  • Ações. Nada mais efetivo do que um abraço ou um beijo para demonstrar o afeto pelo outro. Do mesmo modo, a postura corporal ou o olhar assertivo podem reforçar determinada postura de rejeição ou aprovação em relação a algo.

Outros planos da comunicação emocional na infância

Além do explicado, ouvir as outras pessoas e compreender o que expressam também é um ato que inclui a comunicação emocional na infância. Assim poderemos interpretar os sentimentos dos outros, agir em consequência e desenvolver empatia, uma qualidade elementar ao longo da vida.

O contato físico também é outro ponto central. Este implica em cruzar uma barreira de espaço pessoal, algo que se consegue só com as pessoas mais próximas.

O contato físico, bem aplicado, é uma arma muito mais efetiva do que qualquer mensagem verbal ou gestual. Uma carícia, um abraço ou um beijo representam um dos mais altos graus de proximidade entre duas pessoas.

A emoção faz com que a mensagem tenha mais força, transcenda no tempo e permaneça na memória do outro.

Por último, podemos citar a perspectiva subjetiva, que não é mais do que o uso de certas expressões para agregar a nossos enunciados conteúdo emocional. Assim, não se interpretará nossa sentença como uma verdade absoluta e irrevogável, e sim como o resultado de nossas emoções.

Creio, penso, sinto e opino determinada coisa. Se comunicamos algo assim, o receptor será mais empático conosco e o debate se tornará positivo. É muito útil nas relações entre amigos ou irmãos, por exemplo, onde costuma haver posturas dissidentes com muita frequência.

Como praticar a comunicação emocional na infância?

Existem muitas maneiras práticas de trabalhar este aspecto nas crianças, de tal modo que saibam como comunicar aquilo que experimentam, sentem e desejam. Estas são algumas:

  • Atividades. Existem muitos exercícios e dinâmicas para fortalecer a inteligência emocional que inclui dentre seus componentes a comunicação emocional. Neste artigo poderá encontrar alguns extremamente valiosos.
  • Livros. Há muitas publicações de especialistas nessa matéria, como Daniel Goleman, que visam tanto as crianças quanto seus pais. Neles, você encontrará planos e estratégias para melhorar a comunicação emocional na infância de seus filhos. Aqui deixamos uma lista excepcional de opções a considerar. Também há material audiovisual muito recomendável para você experimentar.
  • Exemplo. Não há menor ferramenta para inculcar uma atitude ou conduta nas crianças. Então, se você demonstra o que expressa, o que sente e pensa, a criança provavelmente também o fará. Além disso, tente fomentar o uso da perspectiva subjetiva, trabalhe a comunicação verbal e gestual e trate de transmitir emoções positivas. O uso de verbos emocionais como sonhar, amar, odiar, temer ou preocupar, dentre muitos outros, será de grande ajuda.

Quanto mais abertos estivermos aos nossos próprios sentimentos, melhor poderemos ler os sentimentos dos outros.

– Daniel Goleman –

Lembre-se: a comunicação emocional na infância é um aspecto sumamente importante. Por isso, vale a pena dedicar tempo e espaço a esse aspecto. Você estará oferecendo ao seu filho uma ferramenta para a vida toda. As atitudes, a assertividade e a empatia das crianças serão beneficiadas.