A inveja nas crianças: causas e formas de fazer desaparecer

24 Janeiro, 2018
Do irmão, de um amigo ou colega de escola. Das amizades, das qualificações ou dos brinquedos. A inveja nas crianças pode ter diferentes destinatários e razões, mas algo é certo: se trata de um sentimento nada construtivo.

A inveja é um sentimento negativo, que empobrece a alma da pessoa que a sente. Nos adultos, costuma estar relacionada a temas monetários, de trabalho e até românticos. Agora, o que pode motivar a inveja nas crianças? Veremos a seguir.

Nos baseando na definição do dicionário, consideramos a inveja como o sentimento de tristeza ou pesar pelos bens alheios ou o desejo por algo que não se possui. Ainda que as pessoas recorram a diferentes crenças e superstições (como a clássica fita vermelha) para não serem invadidos pela inveja própria e nem alvo da inveja alheia, é muito comum que ela esteja presente.

Se trata de um sentimento praticamente universal. Por mais que alguém tente, em algum momento de sua vida sentirá inveja, já que é uma reação própria da interação social.

Muitas vezes, inclusive, não tem nada a ver com a falta de alguma coisa. Pelo contrário, as pessoas invejosas são frequentemente aquelas que estão em uma posição favorável em relação a outras. Ainda assim, lhes incomoda a felicidade, os bens materiais ou inclusive as oportunidades que os outros possuem.

A inveja nas crianças: qual é a causa?

Nos pequenos, a origem da inveja pode se manifestar a partir de parâmetros que para eles são importantes. Estes podem ser:

  • Qualificações.
  • Brinquedos ou outro tipo de bens similares.
  • Número de amigos.
  • Características físicas (ser mais alto, fraco, forte, etc).
  • Atenção por parte dos adultos (pais e professores, principalmente).

Como dissemos previamente, a inveja em crianças, assim como nas pessoas adultas, nem sempre está ligada ao “não ter”. Não são poucos os casos de crianças que têm praticamente tudo o que desejaram e, contudo, quando observam que um amigo comprou algo que gosta, imediatamente o inveja e também deseja aquilo.

Uma das explicações para este sentimento poderia ser que essas pessoas não estão acostumadas a essa situação de “desvantagem”, por assim dizer. Ou seja, sempre foram elas que tiveram “isso” que os outros queriam. Quando a situação se inverte, elss não se sentem confortáveis.

As pessoas invejosas se incomodam com a felicidade, os bens materiais e inclusive com as oportunidades que os outros recebem.

O que fazer quando uma criança sente inveja?

Mais além da causa específica que origina este sentimento, também existe por trás de tudo uma certa carência de confiança, de afeto ou de autoestima que precisa ser atendida.

Em outras palavras, a criança quer se equiparar ou superar constantemente os demais porque acredita que, se não o fizer, será menos ouvida, querida ou valorizada.

A seguir, propomos algumas práticas que podem ser realizada com a finalidade de erradicar este ressentimento:

Não faça comparações

As comparações sempre são odiosas. Ao dizer “Por que você não é como Pedro, que tira boas notas?; ou “Por que você não chuta como o João?”, a última coisa que se consegue é inspirar motivação. Pelo contrário, você cria na criança um espírito de competição nada saudável.

Então, o que você precisa fazer é traçar metas realistas baseadas nela mesma. Ou seja, metas que possam ser cumpridas a curto ou médio prazo, para mantê-la entusiasmada. Deste modo, em vez de querer ser melhor do que alguém, a levará a ser a melhor versão de si mesma.

A inveja sempre deve constituir um impulso para a superação própria e nunca deve significar um desejo de que o outro se dê mal.

Dê atenção e afeto

Poucas coisas são mais importantes na infância do que se sentir considerado. O grau de atenção, compreensão e respeito que uma criança recebe não deve se basear nas suas notas, no rendimento esportivo ou em qualquer outro tipo de medição.

Faça-a se sentir protagonista da sua vida, sem importar as circunstâncias. Assim, a inveja não vai se apoderar dela quando seu irmão ou um amigo possuir algo que ele não tem. O afeto de seus pais lhe será suficiente.

Fale sobre a inveja com ela

Aqui não só nos referimos a contar sobre os efeitos negativos da inveja e depois “proibir” a criança de sentir inveja dos outros. De fato, a inveja nas crianças pode ser canalizada de forma positiva.

Mas como fazer isso? Tente estimular nela um senso de competição saudável. Ou seja, se um amigo tirar notas melhores, ela pode se esforçar mais para melhorar as suas. Se outra criança joga tênis melhor, ela pode treinar junto e, assim, ambas podem se potencializar mutuamente ou inclusive fazer dupla em uma competição.

A inveja nas crianças, no melhor sentido da frase, pode ser um motor importante para suas vidas. Sempre deve constituir um impulso para a superação própria e nunca deve significar um desejo de que o outro se dê mal.

Por fim, e como sempre dizemos, não se esqueça de que as crianças não são mais do que um reflexo da conduta de seus pais. Por este motivo, evite fazer comentários maldosos (principalmente na presença delas) e fomente uma visão bondosa e compreensiva para com o progresso das outras pessoas.

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