A maneira como você fala com seu filho é importante?

17 de junho de 2018
A maneira como você fala com seu filho é importante? A resposta é um sonoro sim. Da mesma forma, a maneira como os escutamos também é essencial.

Tanto falar quanto escutar as crianças de maneira adequada é completamente indispensável para que elas façam o mesmo e para que a comunicação seja fluida e enriquecedora. 

No entanto, para agir assim, devemos ter certas habilidades, o que requer disposição e compromisso para fazer as coisas de forma correta. Assim, tendo em mente esse ponto, vamos repassar alguns aspectos que geralmente nós, pais, falhamos quando tentamos nos comunicar com nossos filhos.

maneira como você fala com seu filho

Como falar para facilitar a expressão dos sentimentos

Existe uma relação direta entre como uma criança se sente e como ela se comporta. Por isso, a regra é simples: se uma criança se sente bem, ela se comporta bem. E nós podemos ajudá-las a conseguir isso. Como? Aceitando seus sentimentos e evitando dizer coisas, como:

  • Você não está cansado, está apenas com um pouco de sono.
  • Não tem motivos para você estar tão nervoso.
  • Você não está com calor, não tire seu casaco.

Visto dessa forma parece cruel, não é mesmo? Imagine o que significa ter os sentimentos negados a todo instante. Provavelmente, deixaríamos de confiar em nossa capacidade de sentir e de expressar.

Por isso, é importante estar em sintonia com nossos filhos. No lugar das frases acima, deveríamos dizer

  • Sei que você está cansado, apesar de ter tirado um bom cochilo agora à tarde.
  • Nossa, hoje você teve um dia agitado, não é mesmo?
  • Eu estou com frio, mas você parece que está com calor, tudo bem.
maneira como você fala com seu filho

Ou seja, devemos desenvolver habilidades empáticas com nossos filhos, permitindo a eles expressar e validar seus sentimentos e emoções perante um ouvinte atento. Isso os ajudará a se sentir compreendidos e muito menos confusos. 

Os elogios, outro assunto pendente

Geralmente enchemos nossos filhos de elogios sem nos darmos conta de que estamos alimentando um diálogo interno pouco saudável. Isto é, como queremos que as crianças não se sintam “burras” quando fazem algo errado se quando fazem o certo as dizemos que são as mais inteligentes do mundo?

Assim, em vez de exagerar e dizer coisas como “Meu filho é um gênio, é o melhor“, devemos descrever o que nos inspira através de frases como: “Vejo que você se esforçou muito para fazer isso, estou muito orgulhosa de você“.

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Quando queremos que eles cooperem

Não se trata de fazer nossos filhos pensarem que somos seus inimigos por porque os obrigamos constantemente a fazer coisas que eles querem ou porque os proibimos de fazer o que querem. Ou seja, se prestarmos atenção ao nosso discurso, geralmente vemos que é assim:

  • Não jogue isso!
  • Não coma com as mãos!
  • Não fique brincando com a água!
  • Faça o dever de casa!
  • Lave as mãos agora mesmo!
  • Pare de brincar e vá já para cama!

A atitude das crianças acaba se transformando em um desafio constante entre “farei o que eu quiser” e “você vai fazer o que eu disser”.

Para mudar isso, devemos prestar atenção ao nosso discurso. Ou seja, parar de culpar e acusar a criança porque ela deixou marcas de dedos no vidro ou evitar o uso de rótulos com expressões do tipo “você é ruim”, “você é bom”, entre outros.

A criança deve entender que às vezes nos comportamos melhor ou pior, mas isso não nos define. Uma criança não se sente bem ao ouvir ameaças, ordens, julgamentos ou advertências. De fato, para os adultos é muito grosseiro receber verbalizações desse tipo.

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Em vez disso, se você quiser que as crianças cooperem e entendam que podem fazer melhor, além de saber as razões disso, podemos fazer o seguinte:

  • Descrever o que se vê ou o problema que existe. Em vez de “Quantas vezes tenho que dizer que você deve apagar a luz do banheiro”, é melhor dizer “A luz do banheiro está acesa”.
  • Dar à criança informações específicas sobre o que acontece. Em vez de “Quem bebeu leite e deixou a garrafa fora da geladeira?”, é melhor dizer “Se o leite ficar fora da geladeira pode estragar”.
  • Pedir com poucas palavras, ou seja, de maneira simples, concisa e positiva. No lugar de “Pare de brincar e vá dormir”, poderíamos dizer “Filha, vá colocar o pijama”.
  • Falar dos sentimentos e, se necessário, escrever um bilhete. No lugar de “Você é muito chato”, poderíamos dizer “Não gosto que gritem para pedir alguma coisa”.

Se falarmos com as crianças com afeto e nos esforçamos para manter uma comunicação mais compreensiva e menos hostil com elas, provavelmente teremos um crescimento positivo com um diálogo enriquecedor. Assim, teremos a chance de falar e escutar de maneira correta.

Leitura recomendada: “Como Falar para Seu Filho Ouvir e Como Ouvir para Seu Filho Falar”, de Elaine Mazlish e Adele Faber.

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