A nomofobia na adolescência

26 de abril de 2018
Os pais devem prestar muita atenção aos sinais que possam indicar que seu filho esteja sofrendo deste mal do século XXI. Descubra mais a seguir.

O termo ”nomofobia” se refere ao medo irracional que muitos adolescentes sentem ao não ter seu celular consigo ao sair de casa, ou mesmo tê-lo, mas sem conexão com a internet.

Que fique claro que apesar de os adolescentes serem os mais propensos a ter essa fobia, ninguém esta livre de desenvolvê-la. Lembremos que, hoje em dia, todos vivemos hiperconectados. 

Sem dúvida alguma o assunto é bastante preocupante. Razão pela qual os especialistas procuram aplicar diversas terapias para combater essa conduta tão prejudicial às pessoas. 

Como reconhecer a nomofobia?

Caso você seja pai e percebe que seu filho adolescente não consegue parar de olhar para o celular ou somente a possibilidade de não tê-lo por perto o deixa ansioso, ou então não consegue ficar desconectado das redes sociais, é bastante provável que ele esteja sofrendo de nomofobia.

A faixa etária dos indivíduos mais afetados pela nomofobia é entre 12 e 23 anos, aproximadamente. Essa é a geração que nasceu com um telefone celular nas mãos e que não consegue nem imaginar um mundo sem ele.

celular

Os adolescentes costumam ser muito vulneráveis e o celular é como uma extensão deles mesmos como pessoas. Portanto, ficam obcecados com o nível da bateria diminuindo e se irritam só de pensar que podem ficar sem usar seu telefone.

Sintomas de um adolescente com nomofobia

Recomendamos ficar atento às seguintes condutas dos jovens, para orientá-los sempre que for necessário. Por isso, é preciso saber reconhecer quais são os sintomas que podem indicar que a utilização do celular tenha ultrapassado os limites aceitáveis:

  • Sente-se frustrado e até desesperado caso você o castigue limitando o uso do aparelho.
  • Pode ficar bravo quando existem falhas de sinal ou de conexão com a internet.
  • Não consegue se controlar se fica sem bateria ou não encontra um lugar para recarregar.
  • Olha de maneira compulsiva para o aparelho para saber se recebeu mensagens, notificações de suas redes sociais ou chamadas.
  • Não desliga o telefone nem mesmo ao se deitar ou dorme com ele ao lado.
  • Não tem capacidade de aproveitar suas folgas sem que tenha o celular em mãos.

Quem são os mais propensos a sofrer de nomofobia?

Acredita-se que até 70% dos jovens são viciados no uso de telefone celular. Além disso, a nomofobia ocorre na adolescência por essa ser a fase onde se busca a aceitação nos grupos de amigos, com a finalidade de se identificar ou mesmo pertencer a algum grupo.

Os especialistas citam que as meninas têm uma possibilidade mais elevada de sofrer de nomofobia do que os meninos. Ao que parece, os laços emocionais que as mulheres estabelecem com suas amizades através do telefone são muito fortes. Além disso, possuem maior necessidade de afeto, o que pode explicar o motivo de serem mais suscetíveis de desenvolvê-la.

Os perigos da nomofobia

Os adolescentes com nomofobia transformam o telefone no centro de suas vidas. Os psicólogos advertem que este mal faz com que eles desenvolvam as chamadas relações líquidas. Quer dizer, os jovens expressam todas suas emoções e sentimentos através das mensagens ou dos emojis.

A interação humana se torna bastante pobre. Não se trocam olhares nem existe o contato humano. Portanto, esses adolescentes são incapazes de manter essa relação afetiva quando estão na presença de outra pessoa.

Consequências da dependência ao telefone celular

Ao não poder controlar esse medo de ficar sem o telefone celular, o adolescente pode estar exposto a muitas coisas, como:

  • A fobia de estar sem o telefone, o que pode se transformar em um vício difícil de controlar.
  • Insônia, pois a ansiedade constante de olhar para o telefone não permite que ele descanse apropriadamente.
  • Estado de ansiedade permanente.
  • Baixo rendimento escolar.
  • Afeta sua autoestima.
  • Todas as atividades que não tenham relação com seu telefone se tornam entediantes.
  • Desenvolvem problemas para socializar e manter relações afetivas.
menina com dor de cabeça

5 conselhos para combater a nomofobia

Ainda que conversar com um especialista seja o mais indicado nestes casos, pais e filhos podem trabalhar em conjunto para enfrentar a dependência do telefone:

  1. Distancie-se do telefone quando estiver em casa. Experimente deixá-lo em outro cômodo onde não seja fácil pegá-lo.
  2. Desligue o aparelho à noite e o deixe fora do seu quarto.
  3. Tente sair de casa sem o telefone, por períodos curtos, para ir se acostumando com a ideia de não levá-lo sempre consigo.
  4. Apague de seu celular tudo aquilo que o mantém preso a ele. Pode ser um jogo ou uma rede social, por exemplo.
  5. Mude para um plano de dados menor, para conseguir reduzir seu tempo conectado.
  6. Caso seja muito difícil para você aplicar qualquer das sugestões anteriores, o mais recomendável é que instale algum aplicativo de suspensão. Por exemplo, existe um app bastante solicitado, que durante o tempo que você escolhe (10, 15, 30 ou 60 minutos ou mais) não utilizar o celular fará com que uma arvore cresça. Assim, quanto mais arvores você acumula no seu jardim virtual, melhor.

A nomofobia é considerada uma doença da tecnologia. A boa notícia é que pode ser curada. Com persistência, paciência e bastante força de vontade, pode ser superada.

Em geral, os profissionais de saúde recomendam terapias para alterar a conduta e superar com sucesso esse transtorno de ansiedade.

A tecnologia é muito boa e interessante, porém cabe a nós fazer bom uso dela, para não nos prejudicar ou mesmo criar uma dependência.

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