Adolescentes com pais separados: o que fazer para que sofram menos?

· 15 de junho de 2018
A separação dos pais é um momento difícil para todos os integrantes da família. Além disso, provoca muitas mudanças na vida de todos, sobretudo na dos filhos. Na adolescência, essa situação pode ser extremamente complicada de lidar.

Infelizmente, existem casais que precisam passar pelo difícil processo de separação. Embora possa ser a melhor alternativa para o bem-estar dos adultos, frequentemente os adolescentes ficam mal nesse processo. Portanto, é importante saber como acompanhar e conversar com os adolescentes com pais separados.

Diferentemente de décadas passadas, hoje os adolescentes com pais separados são em maior número. Como antes compunham uma minoria, eram mais facilmente ‘apontados’ e reconhecidos por isso. Hoje em dia, pode-se dizer que praticamente são maioria.

Esse difícil momento pode gerar consequências negativas na estabilidade emocional e até física dos jovens. Em certa medida, é normal que isso aconteça, já que se trata do rompimento com o modelo de vida que conheciam até agora. De qualquer maneira, não é algo impossível de superar. Com respeito, compreensão, paciência e tato, será possível passar por esse duro processo.

Consequências do divórcio para os filhos

Durante a adolescência, assim como na infância, os pais são figuras centrais que orientam o processo de crescimento dos filhos. Para o jovem, a ruptura do relacionamento dos pais pode significar uma perda que vai repercutir em seus processos mentais típicos dessa fase. Por isso, algumas possíveis consequências são:

  • Menos atenção para os adolescentes. Embora muitos pais se foquem em seus filhos para passar por esse difícil momento de suas vidas pessoais, há casos em que o interesse repousa em si mesmo ou no conflito em si. Esses momentos, quando as necessidades dos jovens passam para um segundo plano, influenciam negativamente na autoestima, no comportamento, na conduta e na estabilidade emocional dos adolescentes.
  • Mudança radical de vida. O divórcio provoca alterações na condição econômica da família, assim como em sua logística. Caso uma mudança seja necessária, o jovem se verá obrigado a mudar totalmente de ambiente.
  • Menor rendimento acadêmico. A angústia, o estresse e a tensão podem fazer com que o adolescente se descuide de suas obrigações.
  • Manipulação. Ao se sentir em dívida com os filhos, muitos pais aceitam exigências por impulso e ficam suscetíveis a serem manipulados pelos adolescentes.
  • Possível contato com vícios. Ao se sentir menos controlados, os jovens ficam mais expostos a sucumbir às tentações dos vícios.
adolescentes com pais separados

Assim como as crianças, os adolescentes com pais separados precisam se sentir escutados, valorizados e queridos.

3 conselhos para lidar com adolescentes com pais separados

Existem certas condutas inadequadas que podem incomodar e, inclusive, irritar um adolescente com pais separados. Portanto, é preferível ter cautela e evitar cometer erros que podem ser evitados. Em contrapartida, é positivo que os próprios pais, assim como outros adultos próximos ao jovem, conversem sobre o tema para ter certeza de tudo que foi bem assimilado. Então, é positivo seguir as seguintes recomendações:

1. O diálogo é fundamental

Contar com alguém com quem se pode desabafar é essencial para qualquer pessoa que passa por um momento difícil. Assim, os adolescentes cujos pais se divorciaram não são uma exceção.

É importante se mostrar aberto e compreensivo diante de suas dúvidas. Ao mesmo tempo, não devemos pressionar o jovem a contar o que não deseja nem falar sobre o assunto enquanto ainda não estiver preparado. As coisas devem fluir naturalmente. Quando o jovem sentir necessidade e considerar que é um momento adequado para expressar suas emoções ou pensamentos, vai fazer com uma pessoa com quem se sinta confortável.

2. Dar liberdade para a adaptação às mudanças

Em muitas situações, ocorre um tipo de ‘cabo de guerra’ entre os pais para ver ‘quem vai ficar com os filhos’. Novamente, estamos na presença de um grave erro. Para além das lógicas modificações que os adultos vão precisar colocar em prática para restabelecer suas vidas, a criança também vai precisar modificar sua própria vida para se adaptar às novas circunstâncias. Certamente, um contexto de conflito e tensão não são positivos nesse processo.

Portanto, é essencial dar aos jovens a opção de escolher. Em princípio, a decisão pode ser a de passar mais tempo na casa que sempre morou, com o membro do casal que for ficar morando ali. Essa escolha é perfeitamente natural e deve ser aceita. De forma alguma deve ser encarada como desprezo ou irritação com a pessoa que vai sair da casa.

adolescentes com pais separados

3. Não envolver o jovem no conflito

Ser o ponto de contato para o ex-casal não significa que o jovem deva ‘desempatar’ os conflitos que ocorrerem entre os pais. Nada mais distante da boa convivência do que isso. Pelo contrário, os adolescentes não devem ter nenhum tipo de participação nas discussões dos pais. A menos que essa seja a vontade do jovem e que seja para fins positivos, como oferecer alguma colaboração.

Ao mesmo tempo, comentários ofensivos ao ex-cônjuge devem ser evitados na presença dos filhos. Também não é admissível usar os filhos para obter informações sobre a vida do ex-companheiro ou da ex-companheira, mesmo quando existe uma boa relação entre as partes.

Todas as pessoas precisam de ajuda e companhia em alguma fase de suas vidas. O divórcio dos pais, principalmente em uma fase tão crucial quanto a adolescência, é uma delas. Inclusive, pode ser aconselhável (e até necessária) a ajuda profissional de um psicólogo. Essa é uma possibilidade que deve estar à disposição do jovem.

É preciso agir com muito afeto e proteção no caso dos adolescentes com pais separados, já que para eles não é uma situação fácil de assimilar emocionalmente e que, além disso, repercute em sua segurança e na construção de sua autoconfiança.