Desabafo pós-parto, por que é importante

· 1 de outubro de 2017

Pode ser que seu parto não tenha sido fácil nem feliz. Porque você não foi respeitada, porque você sofreu, porque sentiu medo por si mesma e pelo seu bebê, porque se sentiu sozinha e vítima dos protocolos médicos pouco humanizados. Por isso, hoje falaremos sobre a necessidade do desabafo pós-parto.

Apesar de já existirem muito hospitais que melhoraram suas orientações, seus processos e a atenção que direcionam às grávidas, todo mundo tem uma amiga, uma irmã, uma vizinha ou uma colega de trabalho que diz ainda não estar preparada para contar como foi seu parto.

Desde cesáreas de última hora, episiotomias, tratamento frio e sem empatia até à separação do bebê (para lavar imediatamente o pequeno e cortar o cordão umbilical) sem que mãe tenha tido o primeiro contato com seu bebê, esses são alguns traumas mais frequentes nas mulheres que passaram pelo momento de dar à luz.

A comunicação é vital para o nosso bem-estar emocional. Nós precisamos desabafar medos e preocupações para poder cicatrizar as feridas e seguir em frente.

Às vezes o desabafo pós-parto não é fácil. Há mulheres que nem sequer tem vontade de se lembrar da experiência. Apesar disso, cedo ou tarde, chega esse momento no qual precisamos desabafar, atender nossa necessidade de ser escutada e compartilhar nossos pensamentos.

Não é fácil abordar esse tema, para muitas mulheres, além de doloroso é humilhante. O principal é saber que, independentemente de o quanto tenha sido difícil, complexa e dolorosa a nossa experiência, sempre existe alguém disposto a nos escutar e nos lembrar de que a vida não se resume a esse momento.

Sempre podemos contar com uma mão amiga, desde um familiar até um especialista.

Apesar do tratamento frio, hostil ou distante que podemos ter recebido no hospital, a vida continua e seremos capazes de seguir em frente se tentarmos deixar aflorar nossas emoções e cuidar delas adequadamente, se pudermos ter um bom desabafo pós-parto.

Os partos sem respeito deixam marcas nas mulheres

mãe abraçando um globo

Tudo começa com contrações cada vez mais ritmadas, com uma dor insuportável nos rins… Às vezes, pode acontecer de a mãe não dilatar o suficiente e ser mandada para casa mais de uma vez. “Não está pronto”, dizem. Em casa, prefere-se utilizar uma banheira com água morna ou caminhar um pouco, ou ainda colocar uma bolsa de água quente na região lombar.

Até então todo esse processo, apesar de intenso e doloroso, é vivido com uma agradável esperança e uma emoção inesquecível. No entanto, quando a bolsa estoura não é possível voltar atrás, o bebê está chegando e são realizados todos os protocolos médicos.

O toque vaginal, sem roupa, rodeada por estranhos, a cadeira obstétrica…

Muitos profissionais explicam que a maioria das mães sonham com “um parto perfeito”. No entanto, a maioria das mulheres sabe que os partos não são perfeitos. Parir dói, não é fácil, e também não é um momento agradável. Nenhum filho chega ao mundo sem lágrimas. Na realidade, as mães não querem um parto perfeito, apenas desejam um parto com respeito, coisa que às vezes não acontece.

  • Assim que chegam ao hospital, muitas mães sentem a frieza do protocolo. Ainda nem disseram o nome e o sobrenome quando de repente chega uma parteira para realizar o toque vaginal. Muitas vezes as futuras mamães nem são olhadas nos olhos.
  • Com o passar do tempo, após mais de um exame de toque vaginal, muitas mães são colocadas deitadas para monitorar a frequência cardíaca do feto. Em seguida, oxitocina sintética é administrada para acelerar as contrações e, consequentemente, o parto.

Apesar de muitos hospitais não seguirem esse padrão, também é muito comum passar pela seguinte situação: a raspagem dos pelos e o enema.

Sob luzes brancas e intensas, a mãe é incentivada a fazer uma única coisa: empurrar. O que acontece na postura única e exclusiva para dar à luz: a posição que a cadeira obstétrica proporciona. 

Desabafo pós-parto: conte sua história

Durante o processo do parto as mulheres passam por várias situações para as quais ninguém está preparado. As mães muitas vezes se sentem como um simples corpo monitorado, um recipiente que carrega um bebê que deve ser retirado da barriga. Os profissionais buscam acima de tudo garantir a saúde da criança e da mãe, por isso seguem processos com quais não há muita margem para riscos…

“Não há apenas uma maneira de ser uma mãe perfeita, há milhares de maneiras de ser uma boa mãe”

-Jill Churchill-

Às vezes o bebê é muito grande e se recorre à episiotomia, outras vezes para evitar qualquer problema, se opta por uma cesárea com a qual é possível garantir que efetivamente tudo vai dar certo. E é assim, não há dúvidas. O índice de sobrevivência das mães e dos filhos é cada vez maior e isso é maravilhoso. No entanto, esse dado está associado algumas vezes à  traumas de um parto vivido de maneira muito negativa pelas mães.

O desabafo pós-parto é uma coisa normal e necessária. O importante é compartilhar a experiência com outras mães, com nossos familiares, chorar de medo, desabafar a dor sofrida, a raiva que passou, a impotência que se sentiu. Esse trauma merece ser curado, colocado para fora, chorado para podermos seguir em frente e sermos mães felizes.

Vamos defender, portanto, a necessidade de sempre ter à disposição um protocolo adequado para um parto com respeito, no qual tudo é realizado com inteligência emocional por parte da equipe médica, para que seja possível reduzir o impacto negativo da experiência.