Alotriofagia: o desejo de comer o que não é comida

11 de dezembro de 2019
A alotriofagia é o desejo incontrolável de ingerir substâncias não nutritivas. Durante a gravidez, esse transtorno pode causar problemas para a saúde da mãe e do bebê.

Quando pensamos em transtornos alimentares, geralmente nos vêm à mente distúrbios como a anorexia ou a bulimia. No entanto, existem algumas condições menos conhecidas que também têm um grande impacto na vida daqueles que são afetados. Hoje vamos falar sobre a alotriofagia na gravidez, um distúrbio alimentar que, apesar de comum, pouca gente conhece.

O que é a alotriofagia?

A alotriofagia é um distúrbio alimentar que consiste no desejo incontrolável de comer ou lamber elementos não nutritivos. Os mais comuns são areia, gesso, sabão, gelo ou pasta de dente.

Segundo os critérios diagnósticos do DSM-V, a alotriofagia consiste na ingestão de substâncias não nutritivas por pelo menos um mês. Esse comportamento acaba afetando o nível de desenvolvimento da pessoa e não faz parte de nenhuma prática social ou cultural.

Esse distúrbio costuma ocorrer mais na infância, entre 1 e 6 anos de idade. Ocorre principalmente em casos de crianças com autismo, distúrbios de desenvolvimento ou desnutrição. Ademais, também é bastante comum em mulheres grávidas ou em momentos de estresse ou ansiedade.

A alotriofagia na gravidez

Embora seja muito comum que as mulheres tenham desejos durante a gravidez, geralmente estão relacionados a alimentos comuns. A alotriofagia na gravidez geralmente ocorre durante o primeiro e segundo trimestres. Por isso, pode estar relacionado com os estados de estresse, ansiedade ou medos que a mulher sente nessas semanas.

Da mesma forma, é mais comum que esse transtorno ocorra em mulheres grávidas com menos de 20 anos de idade que já sofreram alotriofagia durante a infância. Normalmente, o distúrbio desaparece logo após dar à luz, embora haja casos em que o comportamento continua após o parto.

alotriofagia na gravidez

Causas da alotriofagia na gravidez

Embora a causa da origem da alotriofagia ainda não tenha sido identificada de forma clara, existem algumas hipóteses sobre o assunto. Em algumas situações, esses desejos incomuns podem estar relacionados a outras condições físicas ou mentais.

Por outro lado, esse transtorno pode ser causado devido a um estado interno de ansiedade ou medo. Além disso, também existem estudos que relacionam esse transtorno na gravidez com a deficiência de ferro e outras vitaminas e minerais.

De acordo com esses estudos, as mulheres com deficiência de ferro costumam ter desejo de comer gelo. Nesse caso, um tratamento adequado para anemia pode diminuir esse desejo. Da mesma forma, pode haver uma deficiência de cálcio ou zinco e, por isso, o corpo tenta compensar através dessas substâncias.

Consequências da alotriofagia na gravidez

A ingestão de substâncias não alimentares é prejudicial para a mulher e para o bebê. Embora a ingestão de gelo provavelmente não faça mal, apesar da possibilidade de causar uma lesão dentária, outras substâncias podem acarretar consequências mais sérias.

Dos pacientes que sofrem de alotriofagia, 75% acabam precisando de uma intervenção cirúrgica, 30% sofrem alguma complicação e até 11% morrem por causa direta ou indireta desse transtorno.

As complicações mais frequentes são as obstruções intestinais. Outros fatores como envenenamento por chumbo, infecções ou aparecimento de parasitas também podem ocorrer, assim como um aumento do risco de parto prematuro.

Além disso, na maioria dos casos, a ingestão dessas substâncias interfere na absorção adequada de nutrientes dos alimentos, causando sua deficiência no organismo.

Prevenção e tratamento da alotriofagia

Em relação a este transtorno, o melhor a se fazer é agir o quanto antes a fim de evitar que esse comportamento se torne parte dos hábitos cotidianos da pessoa. É essencial intervir o quanto antes pois, uma vez que esse comportamento estiver estabelecido, será mais difícil de tratá-lo.

alotriofagia na gravidez

É preciso informar o médico para que ele possa realizar os exames necessários. Dessa forma, ele pode verificar até que ponto o organismo da pessoa foi afetado. Para isso, será necessário monitorar o estado do ferro, assim como o nível de outras vitaminas e minerais para poder avaliar a necessidade de suplementação.

Em alguns casos, talvez seja necessário a prescrição de medicamentos como, por exemplo, inibidores da recaptação de serotonina. Se o estresse ou a depressão for a causa desse transtorno, essa substância poderá ajudar a controlá-lo.

Por fim, é fundamental consultar um psicólogo para ter um acompanhamento terapêutico. É preferível que o tratamento seja de natureza cognitivo-comportamental, pois, desse modo, é possível ajudar a administrar o impulso e o comportamento da ingestão compulsiva.