As crises de ausência nas crianças

· 5 de maio de 2018
A seguir vamos comentar tudo o que você precisa saber sobre a crise de ausência nas crianças e a importância de reconhecer seus sinais.

Apesar de não ser algo grave, as crises de ausência são um transtorno neurológico que ocorre especialmente durante a infância e que raramente persiste até a idade adulta. De fato, costumam desaparecer com o passar do tempo.

As crises de ausência são momentâneas. Duram apenas alguns segundos (geralmente menos do que um minuto). Por serem inofensivas, não requerem maior atenção dos agentes de saúde pública. Em outras palavras, as crises não são um problema em longo prazo para a criança.

Muitas vezes as crises podem passar totalmente desapercebidas. Contudo, é de extrema importância estarmos informados sobre a forma como ela se apresenta para não entrar em pânico quando ela aparecer.

As crises de ausência, un petit mal

Em francês são chamadas de “petit mal” que traduzido para o português seria um pequeno problema (no sentido de que podem passar despercebidas e que não constituem um impedimento físico grave). 

Mas, por que acontecem? Muito simples: por um desequilíbrio dos neurotransmissores cerebrais. Isso quer dizer que, por um momento, a atividade elétrica dos neurônios se torna repetitiva. Esse é um dos tipos de crises que os pacientes epilépticos apresentam.

“Ainda é desconhecida a causa exata das crises de ausência, por esse motivo, não temos respostas definitivas sobre esse assunto. Por outro lado, acredita-se que pode se tratar de um fator genético.”

figura de um pai

Como identificar uma crise de ausência?

Existem casos de crise de ausência em crianças que se repetem várias vezes ao dia. Também podem ocorrer durante várias semanas e inclusive meses.

Os sintomas se apresentam de forma súbita, sendo os mais conhecidos: distração, introversão e sonolência. Visto de fora, parece que por um momento a criança está sonhando acordada ou absorta em seus pensamentos. Dá a impressão de que se desconectam ou se ausentam do mundo.

Uma prova elementar, porém efetiva, que pode ser feita com a criança é interagir com ela. É preciso conversar com ela, fazer um carinho no cabelo ou no ombro, oferecer uma bala, perguntar sobre o que está pensando e assim por diante. A ideia é ajudar a criança a “voltar à Terra”, por assim dizer.

Caso a criança somente esteja distraída ou ausente, vai reagir e se lembrar de tudo o que aconteceu à sua volta durante todo esse período. Pelo contrário, caso não reaja e nem sequer se lembre do que aconteceu, pode ser que tenha passado por uma crise de ausência.

Tipos de crises de ausência

  1. Existe a denominada crise típica de ausência, a qual geralmente tem origem em uma crise epiléptica. Quando a criança começa a entrar na fase adulta, tende a desaparecer. O principal sintoma consiste na desconexão repentina. Em alguns casos a criança apresenta movimentos faciais involuntários e muito superficiais. Uma vez que a crise tenha passado, a criança volta ao estado normal, como se nada tivesse acontecido.
  2. Temos também a chamada crise de ausência atípica: ela é comum nas crianças com epilepsia e encefalopatia. Além disso, essas crianças costumam apresentar problemas psicomotores. Sua principal característica também consiste na desconexão, porém nestes casos ela é menos brusca tanto no inicio quanto no final. Alguns casos desse tipo de crise podem passar completamente despercebidos em certas ocasiões. Sobretudo naqueles casos em que ainda não tenha sido determinada a crise.
  3. As chamadas crises complexas, sua principal característica se deve ao surgimento de uma aura, isto é, o aparecimento de uma sensação determina o aparecimento da crise. São mais duradouras, podem chegar a durar até um minuto e em alguns casos um pouco mais. A criança realiza movimentos estranhos e com um fim, como a manipulação de objetos.
electroencefalograma

Diagnóstico

O neurologista vai avaliar o caso através de um exame físico, o qual pode incluir um eletroencefalograma. Essa avaliação permitirá dar um diagnóstico bem mais preciso. Por outro lado, na hora de avaliar os antecedentes, um fator muito importante a ser levado em conta no diagnóstico é a presença de casos de epilepsia na família.

Tratamento para as crises de ausência

Para tratar as crises de ausência o neurologista costuma recomendar a administração de determinada medicação antiepiléptica. Em geral, se trata de doses baixas e o tratamento em si tem duração relativamente curta. Uma vez que o médico decida suspender o tratamento, não será necessário recorrer ao medicamento.

Assim como em muitos tratamentos, este não pode ser interrompido subitamente. Deve-se, portanto, diminuir as doses pouco a pouco, sob supervisão médica. Dessa forma, o organismo se acostuma progressivamente a trabalhar sem o medicamento.

Com certeza, um estilo de vida saudável sempre é o melhor complemento para qualquer tratamento. Isso se traduz em uma dieta nutritiva e equilibrada e uma rotina de atividade física.