Até quando o bebê deve dormir no quarto com os pais

22 Junho, 2019
Para muitos pais, mudar o bebê para seu próprio quarto não é uma questão fácil. Afinal, qual é o momento certo para fazer isso?

Dormir com o bebê na mesma cama é uma prática muito comum e tem seus prós e contras. É uma característica da natureza humana, pois somos os mamíferos mais indefesos ao nascer. De fato, somos a espécie que exige o maior cuidado dos pais.

Esse instinto faz com que as crianças queiram dormir com seus pais, afinal é algo que está nos genes. Assim, os bebês recém-nascidos têm uma profunda necessidade de serem protegidos e um instinto natural de querer estar perto da mãe.

Além disso, muitas mães consideram mais fácil dormir com o bebê do que ter que se levantar várias vezes à noite para cuidar dele.

Entre as poucas desvantagens de dormir junto com o bebê, há o risco de esmagá-lo à noite enquanto ainda é muito pequeno. Também podemos citar o fato de que as crianças se acostumam a dormir com os pais e é muito difícil mudar esse hábito.

Até quando?

Se você optou por dormir com o bebê, pode se perguntar por quanto tempo é saudável continuar fazendo isso. Afinal, qual é o melhor momento para tirar o bebê da cama? Infelizmente, não podemos dar uma resposta específica.

Na verdade, o momento adequado vai depender da dinâmica de cada família e das características individuais do bebê. No entanto, é preciso ter em mente que, se você não conseguir dormir bem ou se isso trouxer problemas para o casal, é hora de abrir um espaço.

Algo que ajuda muitos casais é usar um berço especial, que é colocado junto à cama. Você também pode colocar o berço normal bem perto da cama. Dessa forma, o bebê não se sente sozinho e fica protegido, mas deixa espaço para o casal.

A idade que o bebê deve dormir no quarto com os pais depende da dinâmica de cada família e da personalidade do bebê.

O bebê está pronto para deixar de dormir no quarto com os pais?

Um indicativo de que o bebê está pronto é quando ele dorme a noite toda. Se esse for o caso, então é muito simples: coloque o berço no quarto dele. Há casos de bebês que dormem muitas horas desde que são muito pequenos, mas são uma minoria.

Pelo contrário, o mais comum é que eles acordem para mamar várias vezes durante a noite. No entanto, alguns afirmam que quanto mais cedo o bebê dormir no seu próprio quarto, melhor.

Dormir em outro quarto antes dos 3 meses não é saudável

Essa prática pode ser perigosa porque o nível de estresse no cérebro de uma criança que se sente abandonada é tão alto que ela acaba adormecendo. Isso acontece porque o cérebro libera uma grande quantidade de “sedativos” como proteção neurológica. Em alguns casos, os pequenos podem chegar a ter uma convulsão.

Isso não significa que você deva dormir com o bebê pelo resto da vida nem que você deva se sentir culpada pela sua decisão. No entanto, é importante entender que é normal que um bebê queira dormir com os pais.

É preciso ter sempre em mente que o bebê não está preparado para o mundo de hoje em que a mãe, além de ser mãe, tem muitas responsabilidades.

“O momento para o bebê sair do quarto dos pais dependerá da dinâmica de cada família e das características individuais do bebê.”

Tire o bebê da sua cama com firmeza, mas com amor

Se o seu filho já tiver mais de 3 anos e você quer que ele durma em outro lugar, aja com amor. Ofereça uma linda cama só para ele, procure convencê-lo de que ele já é grande. Negocie e permaneça firme. Em hipótese alguma transforme isso em um trauma para a criança.

Os pais também não podem pensar que devem dormir para sempre com o bebê, principalmente se for um incômodo para um deles. É preciso reservar espaço para a privacidade, e a cama do casal deve ser tratada como tal.

Muitas mães hesitam quando chega o momento em que o bebê deve deixar de dormir no quarto com os pais.

O melhor momento

O melhor momento é quando você mostra que faz um favor e não prejudica o seu filho ao mudá-lo para outro quarto. Se você fizer essa transição de uma forma desagradável, a criança ficará mais sensível e vulnerável. Ela vai brigar, no final vai desistir e você vai pensar que ganhou.

Mas como ela se sente com respeito à mudança? Será que estaria causando mais ansiedade?

Ser mãe ou pai cansa, mas o melhor que podemos fazer é estar dispostos a respeitar os processos naturais, assim como os animais fazem. A águia não faz com que os filhotes voem antes ou depois do tempo porque ela sabe o momento certo.

Portanto, não se deixe levar pela pressão social. Cada criança é diferente e merece ser amada individualmente. A boa notícia é que, mais cedo ou mais tarde, seu filho vai sair de sua cama, mesmo que você não queira.

  • Landen, P., Ballesi, M., Uchitel, L., & Freire, M. (2008). Beneficios del masaje terapéutico en bebes prematuros dados de alta de la UCIN. Revista Iberoamericana de Psicomotricidad y Tecnicas Corporales
  • Montserrat Galaa, A. M., & Fortes del Valleb, M. A. (2013). Aprender a dormir. Pediatría de Atención Primaria. https://doi.org/10.4321/S1139-76322013000500004
  • Landa Rivera, L., Díaz-Gómez, M., Gómez Papi, A., Paricio Talayero, J. M., Pallás Alonso, C., Hernández Aguilar, M. T., … & Lasarte Velillas, J. J. (2012). El colecho favorece la práctica de la lactancia materna y no aumenta el riesgo de muerte súbita del lactante: Dormir con los padres. Pediatría Atención Primaria, 14(53), 53-60. http://scielo.isciii.es/pdf/pap/v14n53/revision1.pdf
  • Horsley T, Clifford T, Barrowman N, Bennett S, Yasdi F, Sampson M, et al. (2007). Benefits and harms associated with the practice of bed sharing. Arch Pediatr Ado- lesc Med. 2007;161:237-45.
  • Martin Martin, R., Sanchez Bayle, M., & Teruel de Francisco, M. C. (2017). El colecho en nuestro medio: estudio de casos y controles en las consultas pediátricas de Atención Primaria. Pediatría Atención Primaria, 19(73), 15-21. http://scielo.isciii.es/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1139-76322017000100003
  • Rodríguez Villar, V., Moreno, M., & Navío, C. PRACTICANDO EL COLECHO. ASESORAMIENTO DE LA MATRONA. http://www.trances.es/papers/TCS%2005_3_6.pdf
  • Ball, H. L., Hooker, E., & Kelly, P. J. (2000). Parent–infant co‐sleeping: fathers’ roles and perspectives. Infant and Child Development: An International Journal of Research and Practice, 9(2), 67-74. https://onlinelibrary.wiley.com/doi/abs/10.1002/1522-7219(200006)9:2%3C67::AID-ICD209%3E3.0.CO;2-7