Carinho forçado: Por que você não deve forçar seu filho a beijar adultos?

· 8 de julho de 2018
"Diga oi para sua tia", "Dá um abraço na vovó" ou "Deixe seu tio te dar um beijo", são propostas comuns em qualquer visita de família. No entanto, muitas vezes são momentos desconfortáveis já que as crianças se recusam enquanto os pais as forçam a dar carinho. Isto é conhecido como carinho forçado.

Mas será que está certo forçar seu filho a estabelecer um contato físico ou emocional que ele não quer? Qual é mensagem que a criança recebe sobre os limites pessoais quando agimos desse jeito? Carinho forçado: sim ou não?

Carinho forçado, uma lição errada para a criança?

Muitas pessoas acreditam que o carinho forçado só tem a desvantagem de ensinar as crianças a confundir os seus sentimentos, manipular os outros ou perder carinho, mas elas estão enganadas. O afeto forçado também lhes ensina que não elas são donas do próprio corpo e que qualquer adulto pode forçá-las a fazer algo que não querem.

Da mesma forma, Katia Hetter, autora do artigo da CNN chamado “Eu não sou dono do corpo do meu filho” (tradução livre), diz que o carinho forçado é capaz de forçar a criança a tocar as pessoas quando não querem, tornando-as vulneráveis ao abuso sexual.

Carinho forçado

Embora essa afirmação possa parecer exagerada, se não ridícula, a psicologia infantil se manifestou sobre esta questão a fim de comprová-la. Assim, Nichole M. argumentou que, dessa forma, quando se “viola a zona de conforto de uma criança”, ela pode aprender a aceitar qualquer um nesse espaço incômodo.

Uma criança nunca deve ser tocada caso se sinta desconfortável, mesmo que sejam membros da família. Você nunca deve forçá-la a beijar ninguém. Os beijos e abraços são dela e não são obrigatórios. As crianças escolhem a quem e quando mostrar o seu afeto e os adultos devem respeitar. Pois o corpo e a decisão são delas.

Katia Hetter

A especialista da CNN também afirmou que forçar as crianças a mostrar carinho quando não querem tem um impacto nas suas relações durante a adolescência. Isso porque “se você ensinar uma criança a usar o corpo para satisfazer alguém por causa da autoridade, ela fará o mesmo sob a autoridade de qualquer um”

Como agir nesses casos?

O que é melhor do que se tornar um modelo para o seu filho? Não tenha vergonha de pedir para os adultos deixarem a criança em paz e não a obrigue. É importante que se respeite e priorize os desejos da criança.

Daí a importância dos pais de se imporem e colocarem limites capazes de favorecer as relações. Mas sempre levando em conta as necessidades da criança com o seu ritmo de adaptação pessoal. De maneira nenhuma ofenda ou ridicularize uma criança, nem permita que outros façam isso.

Ensine seu filho a respeitar o seu próprio corpo

É essencial para ensinar as crianças a respeitar seu próprio corpo. Para isso, é necessário que aprendam os limites relativos de todas as pessoas estranhas que invadem seu espaço pessoal.

Portanto, é necessário que o pequeno entenda que nunca se deve permitir ser tocado caso isso o faça se sentir desconfortável. É ele quem deve tomar suas próprias decisões sobre seu corpo e determinar quem tem permissão ou não para entrar no seu espaço pessoal.

Para isso, é importante fazer com que a criança se sinta livre para escolher. Explique que ela tem o poder de escolha para dar ou receber um beijo ou um abraço, visto que não é algo imposto e muito menos obrigatório. Ensiná-la a ouvir os próprios sentimentos é o pontapé inicial.

Carinho forçado
Fechar a ferida do familiar rejeitado

Recusar-se a mostrar afeto não pode ser equiparado ao mau comportamento, nem a apresentar certa falta de educação ou respeito. Katia Hetter indica que as crianças podem ser educadas e respeitosa, ainda mantendo limites pessoais. “Modos – tratar as pessoas com respeito e carinho – é diferente de exigir demonstrações físicas de afeto”.

O primeiro passo, então, é explicar a nossa política para todos que estão ao redor, para que sejam capazes de aceitar essa postura. Embora essa decisão signifique mais trabalho, você pode conseguir que todos apreciem verdadeiramente todo o carinho dado pela criança.

Uma excelente alternativa para cumprimentar seus entes queridos com menos intimidade é substituir os beijos e abraços com um aperto de mãos ou um cumprimento batendo as mãos “toca aqui!”. Se seu filho é tímido, essas fórmulas são ideais para que ele trate as pessoas com respeito e carinho.

Como se pode perceber, você não precisa se frustrar ou se preocupar com o seu filho porque ele não quer cumprimentar essa pessoa que tanto ama. Você pode simplesmente conversar com a família ou ensinar ao seu filho outras maneiras de cumprimentar para expressar o seu carinho. Não é uma imposição, e sim uma tentativa de resolver o problema juntos.

E você, qual é a posição que tem a respeito do que é conhecido como carinho forçado? O que você acha dessa visão do assunto? Quais soluções você encontrou para esta situação desconfortável cotidiana?