Células do bebê podem regenerar tecidos de suas mães

· 9 de abril de 2017

Há alguns anos foi descoberta a possibilidade de as células do bebê poderem passar da mãe para o filho e vice-versa, mas ainda não se sabia que elas podiam provocar a regeneração de tecidos. Esse processo é conhecido como microquimerismo fetal, que, hoje em dia, se revelou em um novo achado, pois entre a mãe e o filho se dá uma troca celular capaz de trazer numerosos benefícios para ambos.

Dessa vez, vamos falar sobre a capacidade que têm certas células do bebê de regenerar tecidos das mães deles, essa é uma propriedade que foi descoberta recentemente, quando se tornou evidente a pluripotencialidade celular delas. Nesse processo alguns órgãos maternos podem ser regenerados através das células do bebê, mas também se considera um risco em alguns casos.

Segundo estudos, muitos são os benefícios que as células de seus bebês podem trazer às mães deles, inclusive, se associa à prevenção do Alzheimer, do câncer e de outros transtornos. Até o momento, a regeneração celular por essa via foi associada também aos tecidos do fígado, do coração, dos rins, além disso, a condição deles de pluripotentes, lhes permite mais opções que ainda estão para serem desvendadas.

O que são células pluripotentes?

A principal qualidade das células pluripotentes é que elas podem se transformar em qualquer célula necessitada pelo corpo, pois ainda não se definiu que tipo de célula vão ser. O valor dessas células é muito alto, pois têm a capacidade de regenerar os tecidos dos órgãos que mais exigem isso, o que permite uma transformação no corpo da mãe.

Constatou-se que algumas mulheres melhoraram seu diagnostico quanto à cardiopatias, algo que pôde ser comprovado porque foram encontradas células com cromossomo Y nos corações delas. Nesse sentido, a presença desse cromossomo masculino está relacionada com essas mães que experimentaram a gestação de um menino.

Esse processo está ligado cientificamente à sobrevivência humana, pois, de alguma maneira se assegura a manutenção e recuperação da mãe para que ela possa garantir a vida do filho. Essas células foram identificadas em órgãos como os rins e o fígado, plenamente identificadas por terem vindo de um “doador” masculino ou por não se encontrar uma função específica delas.

– Foto do ensaio de gestante realizado no Parque Barigui, em Curitiba –

Podem regenerar tecidos do cérebro

Nos estudos realizados sobre o cérebro de diferentes mulheres foi encontrada a presença do cromossomo Y em pelo menos 60% das mulheres estudadas. O procedimento consistiu na autópsia de mais de 50 mulheres, onde aquelas que sofriam de Alzheimer, tinham uma quantidade menor de células com cromossomo Y; o que levou a pesquisa a tentar relacionar a quantidade dessas células com o aparecimento desse transtorno.

No entanto, surgiram questionamentos que pretendiam estabelecer o efeito reparador das células do bebê nas mães deles, especialmente para reparar os tecidos do cérebro. No caso das amostras que apresentaram células com o cromossomo Y, eram simples de identificar, mas não foi assim, se essas mulheres não tivessem tido filho homem; nessas mulheres o cérebro podia ter células das filhas delas, que por terem cromossomo X, não seriam fáceis de serem diferenciadas.

Nesse sentido, foram feitas novas pesquisas, desta vez em animais; os resultados foram surpreendentes. No ano 2015, os cientistas puderam determinar que ratas jovens tinham mais possibilidades de regenerar seus tecidos em até 82%, contudo, quando se tratava de ratas em estado de gestação, inclusive aquelas que eram idosas, elas aumentavam a capacidade regenerativa em 96%.

Em outras palavras, a gravidez em animais fez com que a regeneração celular fosse maior. Do mesmo modo, a partir do cerne dessa pesquisa, surgiu uma nova linha de investigação: o microquimerismo fetal pode afetar positivamente o sistema imunológico da mãe. Em relação a isso existem pesquisadores se afastando desse uso, porque, infelizmente, foi revelada a possibilidade de que se essas células se tornem tumores cancerígenos.

Assim, entende-se que o organismo da mãe poderia reagir contra as células do bebê, porque elas ainda são muito parecidas com as próprias células dela, são 50% diferentes, porque essa outra metade pertence ao pai do filho. Essa situação poderia provocar a atuação do sistema imunológico por meio das células microquiméricas para deter o câncer ou acentuar o processo.